O ex-presidente Jair Bolsonaro prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal na tarde desta terça-feira (23), no inquérito que investiga a apreensão de uma arma registrada em seu nome durante uma blitz realizada na semana passada, em Brasília.
Depoimento durou cerca de cinco minutos
O delegado Thiago Boeing, da 17ª Delegacia de Polícia, esteve no condomínio onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar e ouviu o ex-presidente. Segundo a defesa, o depoimento durou cerca de cinco minutos e contou com o acompanhamento do advogado Paulo Cunha Bueno.
De acordo com o advogado, Bolsonaro repetiu a versão já apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF), afirmando que pediu ajuda a um militar de sua equipe de segurança após perceber que a pistola Glock 9mm não estava funcionando corretamente.
O ex-presidente também declarou que não pediu para que a arma fosse retirada do condomínio para conserto, mas apenas que fosse verificado o motivo do suposto defeito.
Arma estava em veículo de militar do GSI
A pistola estava no carro do militar Estácio Leite da Silva Filho, integrante do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e cedido à Casa Civil para atuar na segurança de Bolsonaro.
Segundo o militar, a arma estava sendo transportada para reparo e seria devolvida posteriormente ao ex-presidente. Ele prestou depoimento à Polícia Civil e foi liberado.
A apreensão ocorreu durante uma blitz da Polícia Militar em Brasília, no último dia 15. Uma consulta ao sistema do Exército confirmou que a arma estava registrada em nome de Bolsonaro.
Apesar da documentação regular da pistola, ela foi recolhida porque o Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF) não estava no veículo no momento da abordagem.
Investigação apura possível infração
Investigadores apontam que, dependendo das conclusões do inquérito, o caso pode ser tratado como infração administrativa, devido à ausência da documentação exigida durante o transporte da arma, ou até mesmo como possível violação do Estatuto do Desarmamento.
A legislação prevê pena de três a seis anos de prisão e multa para situações envolvendo porte, transporte ou guarda de arma de fogo em desacordo com determinações legais.
Defesa cita problemas no funcionamento da pistola
Em manifestação enviada ao STF, a defesa afirmou que a equipe de segurança havia deixado a arma inoperante para evitar riscos em razão das condições de saúde mental do ex-presidente.
Ainda segundo os advogados, Bolsonaro teria manuseado a pistola, testado o disparo e constatado que o mecanismo não funcionava regularmente. Por esse motivo, teria solicitado que um dos militares responsáveis por sua segurança verificasse o equipamento.
Prisão domiciliar
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão. Desde 24 de março deste ano, ele está em prisão domiciliar humanitária, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes por um período inicial de 90 dias, para recuperação de um quadro de broncopneumonia.
A defesa avalia que o episódio envolvendo a arma não deverá influenciar a análise sobre a manutenção da medida, já que as condições impostas pela Justiça não determinavam a entrega das armas registradas em nome do ex-presidente.
Os advogados também lembraram que, em novembro de 2025, durante outro período de prisão domiciliar, Bolsonaro alegou ter sofrido alucinações e paranoia associadas ao uso de medicamentos após uma tentativa de violação da tornozeleira eletrônica.














