Um grupo de 38 policiais penais do Presídio de Passos formalizou uma denúncia contra a gestão da unidade, apontando uma série de irregularidades e dificuldades enfrentadas no funcionamento da penitenciária. A denúncia, enviada em 1º de setembro de 2026, apresenta 18 questionamentos relacionados à segurança, à insuficiência de efetivo, às condições de trabalho e a possíveis irregularidades administrativas, evidenciando um quadro de precariedade na administração da unidade.
Segundo os policiais, uma das principais preocupações refere-se ao uso de detentos em atividades de obras e na organização dos chamados “jumbos”, que correspondem aos materiais e suprimentos enviados aos presos. Os agentes alegam que, em algumas ocasiões, detentos circulam pela unidade transportando ferramentas pesadas, como marretas, com acompanhamento considerado inadequado pelos servidores. Essa prática, de acordo com o grupo, representa um risco à segurança interna da penitenciária, uma vez que há relatos de transporte de objetos potencialmente perigosos sem a devida vigilância.
Outro ponto destacado na denúncia é a falta de efetivo suficiente para garantir a vigilância perimetral do presídio. Os policiais afirmam que postos estratégicos, como as guaritas 01, 02 e 03, permanecem desativados em determinados períodos devido à necessidade de deslocar agentes para outras funções internas. Especificamente, a Guarita 01 teria seu funcionamento interrompido em alguns momentos para que o policial responsável pudesse atender a outras demandas, enquanto as demais guaritas permanecem sem operação na maior parte do tempo. Essa situação compromete a segurança do perímetro, aumentando o risco de incidentes, como episódios anteriores de disparos contra uma das guaritas e uma fuga de seis detentos, que evidenciam a vulnerabilidade da unidade.
Além disso, a denúncia relata um episódio ocorrido em maio de 2025, no qual quatro dos sete policiais penais de plantão tiveram que ser deslocados para acompanhar integrantes da direção durante um evento na Prefeitura de Passos. Com essa mobilização, segundo os denunciantes, apenas três agentes ficaram responsáveis pela segurança de mais de 400 detentos, o que agravou a sobrecarga de trabalho e expôs a unidade a riscos adicionais.
Os policiais também apontam dificuldades administrativas e de condições de trabalho, como obstáculos para a utilização de férias e banco de horas, além de convocações frequentes durante períodos de descanso. A denúncia menciona ainda episódios de perseguição contra servidores que questionariam decisões da chefia, o que contribui para um ambiente de trabalho tenso e inseguro.
Diante dessas constatações, o grupo de policiais penais solicita que os órgãos responsáveis realizem fiscalização na unidade, de modo a apurar as irregularidades apresentadas e garantir melhorias na segurança e na gestão do Presídio de Passos. As denúncias ainda aguardam análise por parte das autoridades competentes, que deverão verificar a veracidade dos relatos e tomar as providências cabíveis para assegurar a integridade da unidade e a segurança de todos os envolvidos.
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