Duas mulheres foram presas na última semana na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais, suspeitas de praticar o golpe conhecido como “Boa Noite, Cinderela”, que tem causado prejuízos a diversas vítimas na região. Entre os alvos estão um professor e um médico, ambos abordados em bares da capital mineira, e que tiveram seus bens e recursos financeiros roubados após serem dopados por as criminosas. As suspeitas, que possuem um histórico de envolvimento em crimes semelhantes, são investigadas por terem aplicado o mesmo esquema contra outras pessoas, com registros de múltiplos boletins de ocorrência e inquéritos em andamento.
O caso do professor, que prefere não ter sua identidade divulgada, ganhou destaque após relatar ter sido vítima do golpe na noite de uma sexta-feira, em um bar na região central de Belo Horizonte. Segundo ele, a abordagem ocorreu enquanto conversava ao telefone. Uma mulher, que posteriormente foi identificada como uma das suspeitas, iniciou uma conversa com ele, questionando sua origem devido ao sotaque. A partir desse momento, a vítima relata que sua memória ficou confusa, com flashes de acontecimentos desconexos. Ele afirma que, ao tentar sair do local, foi encaminhado por ela até um carro, onde entrou sem perceber, e que posteriormente entrou em seu próprio apartamento, sob efeito de sedativos administrados pelas criminosas.
Ao acordar no dia seguinte, por volta das 11 horas da manhã, o professor percebeu que havia sido dopado e que vários objetos de valor, incluindo eletrônicos, roupas e uma quantia superior a R$ 30 mil em bens materiais, haviam sido levados de sua residência. Além disso, suas contas bancárias foram acessadas e utilizadas para realizar compras e transferências ilegais, incluindo transações via PIX. Apesar de um banco ter devolvido parte do dinheiro, outro se recusou a reembolsar os prejuízos. O relato do professor evidencia a gravidade do golpe, que combina abordagem em locais públicos, uso de sedativos e crimes financeiros.
A prisão das suspeitas ocorreu após investigação conduzida pela 4ª Delegacia de Polícia de Belo Horizonte, iniciada em 30 de junho. A equipe policial reuniu imagens de câmeras de segurança, registros bancários, depoimentos e informações de diversas vítimas. Durante a operação, foram apreendidos um celular, um medicamento sedativo e documentos pessoais das suspeitas. Uma delas possui 20 passagens por crimes semelhantes, reforçando o padrão criminoso das ações.
Além do professor, um médico de 51 anos também foi vítima das mesmas suspeitas. Segundo informações da Polícia Civil, ele conheceu as criminosas em um bar na região central da cidade, onde aceitaram bebidas oferecidas por elas. Posteriormente, sugeriram que fossem para um hotel, local onde ele perdeu a consciência por aproximadamente nove horas. Durante esse período, seus cartões bancários e celular foram subtraídos, resultando em prejuízos financeiros decorrentes de compras e transferências realizadas pelas criminosas.
As investigações indicam que as suspeitas podem estar envolvidas em outros casos semelhantes em diferentes delegacias do estado. A Polícia Civil de Minas Gerais reforça que as duas mulheres foram encaminhadas ao sistema prisional e pede que vítimas de golpes similares procurem a polícia para registrar ocorrências. A corporação também disponibiliza canais de denúncia anônima, visando ampliar a investigação e evitar que novos crimes ocorram.
O professor, que se disse aliviado com a prisão das suspeitas, afirmou que a ação da polícia trouxe uma sensação de justiça e esperança de que elas sejam punidas pelo que fizeram. Ele destacou ainda a importância de divulgar o caso para que outras vítimas tenham coragem de denunciar, reforçando a necessidade de conscientização sobre os perigos do golpe “Boa Noite, Cinderela” e suas consequências devastadoras.
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