O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) apresentou denúncia contra 31 indivíduos investigados por integrar uma organização criminosa envolvida no tráfico interestadual de drogas, cuja movimentação financeira ultrapassa R$ 79 milhões. Entre os acusados está um homem conhecido como “Serjão do PCC”, considerado pelas investigações como líder do grupo, sediado em Uberlândia, no Triângulo Mineiro.
A denúncia foi protocolada pela 2ª Promotoria de Justiça de Tupaciguara, no âmbito da Operação Mens Occulta, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em junho deste ano. A investigação revelou que a organização possuía uma estrutura hierárquica bem definida, com divisão de tarefas que envolviam desde o transporte e armazenamento de drogas até a distribuição e o ocultamento dos recursos ilícitos. Segundo o Ministério Público, o grupo contava com núcleos específicos responsáveis pela logística dos carregamentos, transporte dos entorpecentes, armazenamento, distribuição e movimentação financeira.
O início das investigações ocorreu após a apreensão de 312 quilos de cocaína, em setembro de 2024, na região do Triângulo Mineiro. A partir desse flagrante, os investigadores identificaram uma conexão do grupo com pelo menos 10 grandes carregamentos de drogas interceptados entre 2024 e 2026, totalizando mais de 2,2 toneladas de cocaína, além de outras drogas, armas de fogo e uma significativa quantidade de dinheiro em espécie.
De acordo com a denúncia, os integrantes utilizavam caminhões, carretas e veículos adaptados com compartimentos ocultos para transportar os entorpecentes, principalmente oriundos de Mato Grosso do Sul e Rondônia, com destino a Minas Gerais e São Paulo. Além do tráfico de drogas, o Ministério Público aponta a existência de um esquema de lavagem de dinheiro, que visava ocultar a origem ilícita dos recursos obtidos com as atividades criminosas. Para isso, os investigados teriam utilizado empresas de fachada, contas bancárias de terceiros e bens registrados em nomes de outras pessoas, além de operações financeiras frequentes, totalizando uma movimentação superior a R$ 79 milhões.
A investigação também revelou que, ao longo de cinco anos, a organização movimentou aproximadamente R$ 70 milhões em valores sem lastro, adquirindo bens de luxo, como ranchos, apartamentos, cavalos de raça, embarcações e veículos de alto padrão. Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), publicada em agosto, detalhou ainda que uma das filhas de “Serjão do PCC” atuava no controle financeiro do grupo, com movimentações em contas de uma empresa ligada à organização. Segundo o documento, diálogos extraídos de arquivos na nuvem indicariam que ela tinha um padrão econômico incompatível com sua renda declarada e possuía ligação direta com o pai, considerado líder do esquema.
Durante a fase de cumprimento de mandados, a Polícia Federal constatou que a filha e o pai aparentaram tentar fugir ao perceber a ação policial, o que reforça a acusação de tentativa de dissimulação e ocultação de atividades ilícitas. “Serjão do PCC” possui antecedentes relacionados ao tráfico de drogas e é apontado como um dos principais integrantes da organização, que também conta com duas filhas envolvidas na gestão de contas bancárias e mecanismos de ocultação patrimonial.
A Operação Mens Occulta, realizada em 2 de junho, cumpriu 25 mandados de prisão preventiva e 49 de busca e apreensão em várias cidades de Minas Gerais, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul, incluindo Uberlândia, Uberaba, Ituiutaba, Araguari, Centralina, Araporã, Belo Horizonte, Cariacica, Campo Grande e Corumbá. Somente em Uberlândia, foram cumpridos 29 mandados de busca e apreensão, com a participação de aproximadamente 230 policiais federais.
Na denúncia, o Ministério Público solicita o recebimento da acusação pelo Judiciário, além da manutenção das medidas cautelares já determinadas, o perdimento de bens apreendidos e a fixação de um valor mínimo de R$ 10 milhões para reparação dos danos causados pelos crimes, incluindo o dano moral coletivo decorrente das atividades da organização criminosa. A denúncia aguarda análise judicial para que os acusados possam responder formalmente pelos crimes de tráfico interestadual de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
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