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Justiça concede liberdade provisória a mulher que simulou sequestro em Belo Horizonte

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A Justiça de Belo Horizonte determinou, nesta quarta-feira (26), a liberdade provisória para uma mulher de 40 anos presa na segunda-feira (24) suspeita de ter forjado o próprio sequestro com o objetivo de obter R$ 14 mil da família. A decisão foi tomada durante audiência de custódia, após investigações que revelaram que a suposta situação de sequestro era uma fraude.

Segundo informações da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), a suspeita foi presa em flagrante após as investigações apontarem que ela havia criado toda a história para conseguir dinheiro e pagar dívidas acumuladas com agiotas. Ainda de acordo com as apurações, a mulher utilizava dois chips de telefone e, por meio de um deles, se passava por um dos sequestradores, enviando mensagens aos familiares para exigir o pagamento do resgate.

O caso teve início no domingo (23), quando o marido da suspeita e as irmãs dela procuraram a Delegacia Especializada Antissequestro (DAS) do Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp) após receberem mensagens de um suposto sequestrador, que dizia ter capturado a mulher e exigia R$ 14 mil para libertá-la. Durante as investigações, os policiais descobriram inconsistências na narrativa apresentada pela suspeita, incluindo registros de câmeras de segurança que mostram a mulher fazendo compras em uma loja no período em que alegava estar sequestrada.

A mulher foi localizada em um hotel na Região Central de Belo Horizonte, sozinha, enquanto tentava estabelecer novos contatos com familiares na tentativa de conseguir o pagamento do resgate. Um celular utilizado nas comunicações atribuídas aos sequestradores foi apreendido pelos policiais.

O marido da suspeita declarou que já havia suspeitado de sua esposa após analisar o conteúdo das mensagens recebidas durante o suposto sequestro. Ele revelou que a mulher confessou ter criado toda a história para obter dinheiro e quitar dívidas com agiotas. Ele também contou que enfrenta problemas financeiros há anos, tendo feito empréstimos sem o conhecimento dela, incluindo um de R$ 460 com o cunhado, e que ela teria recorrido a outras pessoas para conseguir recursos.

O homem afirmou que, apesar de sentir pena da esposa, preocupa-se com o impacto emocional no filho de um ano, que sente a ausência da mãe desde a prisão. Ele relatou que a criança chora à noite e que, por estar sozinho, tem enfrentado dificuldades para dormir.

Em relação às dívidas, o marido explicou que sua esposa consegue pedir dinheiro emprestado, embora não seja viciada ou tenha hábitos de consumo excessivo. Segundo ele, ela gasta principalmente com alimentação e roupas, mas também fez empréstimos e pediu dinheiro a familiares para tentar resolver suas dificuldades financeiras.

Por fim, o homem informou que pretende procurar a Defensoria Pública para obter orientação jurídica sobre a situação da esposa, uma vez que não tem condições de contratar um advogado particular devido à sua atual condição financeira. A decisão de conceder a liberdade provisória foi baseada na ausência de elementos que justificassem a manutenção da prisão, considerando que a suspeita não representa risco à investigação ou à ordem pública no momento.

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