A atriz Giovanna Antonelli e a empresa Giolaser, especializada em depilação a laser, estão sendo processadas por um cliente e seu pai após alegações de prejuízos financeiros e danos morais por serviços não prestados. Enquanto isso, em Divinópolis, diversos consumidores relatam situações semelhantes, afirmando terem sido lesados pela clínica, que encerrou as atividades na cidade sem aviso e sem reembolso.
Segundo o processo, uma cliente e seu pai afirmam ter contratado um pacote de dez sessões de depilação a laser no valor de R$ 1,4 mil, parcelado em 12 vezes. O serviço, porém, foi interrompido após apenas duas sessões, quando a unidade da Giolaser onde o tratamento era realizado fechou as portas.
Segundo a denúncia, a empresa chegou a prometer que o atendimento continuaria em outra filial, mas isso nunca aconteceu. Mesmo sem o serviço, as cobranças continuaram sendo feitas. Diante da situação, o pai da cliente registrou boletim de ocorrência e acusou a empresa de estelionato.
Na ação, os autores pedem indenização de R$ 50 mil por danos morais e a devolução dos R$ 1,4 mil pagos pelo pacote.
O caso se soma a duas investigações do Ministério Público de São Paulo, que apuram possíveis práticas de propaganda enganosa, concorrência desleal e pirâmide financeira envolvendo a rede.
Em nota, a defesa de Giovanna Antonelli informou que a atriz “apenas cedeu sua imagem e possui participação minoritária no negócio, sem exercer qualquer função de gestão”.
Cliente de Divinópolis relata ter sido lesada
Uma cliente da unidade Giolaser de Divinópolis afirmou ter sido lesada pela empresa após firmar um acordo de permuta por serviços de depilação a laser.
“Eu entrei lá para fazer freelancer, assinei um contrato e, em troca do meu trabalho, eu ganharia as sessões. Fiz várias de graça, como combinado”, contou.
Ela relata que cuidava das redes sociais da clínica e, após deixar o trabalho, passou a pagar pelas sessões. “Assinei um contrato no valor de cerca de R$ 500 para dez sessões, mas após um tempo a clínica parou de responder”, afirmou.
A vítima diz que tentou contato com a gerente e outras profissionais, mas ninguém soube explicar o que havia acontecido. “Mandei mensagens, procurei a gerente, a biomédica, mas ninguém sabia de nada. Desde então, nunca mais tive retorno.”
Segundo ela, até chegou a buscar orientação jurídica, mas foi desaconselhada a abrir processo. “Minha madrinha é advogada e disse que muitas pessoas foram lesadas, mas que a empresa nem comparece nas audiências.”
Cliente afirma ter perdido dinheiro após pagar por tratamento de varizes
Outra vítima relatou que comprou um pacote de 15 sessões de tratamento de varizes, mas conseguiu realizar apenas cinco antes do fechamento da unidade.
“Eu fiz a compra do pacote, usei cinco sessões e depois disso a clínica simplesmente deu um golpe e fugiu. Ninguém atendia mais telefone, WhatsApp, nada”, contou.
A cliente disse que entrou em contato com a matriz da Giolaser, que prometeu resolver o problema, mas nunca deu retorno. “Eles disseram que iriam se responsabilizar, mas até hoje nada foi resolvido.”
Sem resposta, ela registrou boletim de ocorrência, fez denúncia ao Banco Central e procurou o Procon. “As medidas cabíveis que eu podia tomar, eu tomei. Mas até agora não tive nenhum ressarcimento.”
Consumidor ficou sem concluir sessões contratadas
Outro cliente de Divinópolis também contou que contratou um plano anual de depilação a laser, mas ficou sem realizar as três últimas sessões, após a clínica encerrar as atividades.
“Quando tentei remarcar as últimas sessões, eles simplesmente não atendiam mais. Ninguém respondia no WhatsApp, o lugar não reabriu e ninguém dava satisfação”, disse.
Segundo ele, várias pessoas passaram pela mesma situação. “Os meninos que fizeram o procedimento lá passaram pela mesma coisa. Ninguém recebeu explicação. As placas continuam lá, mas o local está fechado.”
O cliente explicou que chegou a consultar uma advogada sobre processar a empresa, mas desistiu.
Mais um cliente é ignorado
Outro morador de Divinópolis, relatou ter sido vítima de um possível golpe após contratar um pacote de depilação a laser em uma unidade da Giolaser.
Segundo o relato, a consumidora firmou um contrato em novembro de 2024 para a realização de dez sessões de depilação a laser, parceladas em dez vezes. O tratamento, porém, foi interrompido em março de 2025, após a conclusão de apenas parte das sessões.
“Eles fizeram as sessões até março e depois sumiram. Disseram que teríamos que remarcar a de abril, mas nunca mais responderam. Quando fui à clínica, estava tudo fechado, com um recado na porta dizendo ‘desculpe o transtorno, estamos trabalhando para você’”, contou o cliente.
Segundo a vítima, após o fechamento, nenhum canal de atendimento funcionava. Ex-funcionárias informavam apenas que não trabalhavam mais no local, sem esclarecer se a unidade havia encerrado definitivamente as atividades.
Preocupada com as cobranças mensais do serviço, que eram debitadas de forma automática, a consumidora decidiu cancelar o cartão de crédito virtual usado no pagamento. “Pedi ao PicPay para bloquear, senão iam continuar cobrando por algo que eu não estava recebendo”, relatou.
A cliente afirma ainda que, posteriormente, três números de telefone com DDDs de São Paulo (11) e Minas Gerais (31) entraram em contato, identificando-se como representantes do SAC da Giolaser. Os supostos atendentes pediram documentos e dados do contrato, mas, segundo ela, as conversas não tiveram continuidade.
“Mandava as informações e eles simplesmente paravam de responder”, lamentou.
O caso se soma a outros relatos semelhantes registrados em diferentes cidades brasileiras, envolvendo consumidores que dizem ter ficado no prejuízo após o fechamento repentino de unidades da Giolaser.
A reportagem do MPA não conseguiu contato com a unidade de Divinópolis.















