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Artigo: O que significa transformação digital em termos de qualidade de vida no trabalho?

Postado em 25/02/2020 14:49

O que significa transformação digital em termos de qualidade de vida no trabalho?

Por Armelle Champetier*

“Transformação digital” virou uma expressão-chave nas reflexões sobre o futuro das organizações, e parece que ainda vais ser o assunto principal em 2020, em particular na área de RH. Implementar novos processos, ferramentas mais rápidas e eficientes, meios de comunicação ágeis e instantâneos para atender o cliente cada vez mais rápido, e com um serviço cada vez melhor, já é algo natural. Porém, engana-se quem acha que parou por aí.

A primeira parte do caminho já é um desafio em si: identificar fraquezas, gargalos e oportunidades, idealizar a resposta com ferramentas digitais, convencer os investidores e diretorias que esse é o caminho certo frente a tantas outras opções, mobilizar os recursos tecnológicos para de fato criar novas soluções… são tantas etapas para apenas iniciar a transformação digital.

As funções de RH também estão profundamente impactadas pela transformação digital, com a necessidade de aliviar o trabalho administrativo, implementar People Analytics e, de forma geral, serem mais eficientes.

Além da própria transformação, o RH também está plenamente mergulhado em todas as transformações digitais acontecendo na organização. Ele é responsável pela evolução da cultura organizacional, devendo implementar uma “cultura ágil”, e achar no mercado os talentos compatíveis com essas novas necessidades. Também se encarrega por encontrar os melhores cursos de capacitação das novas ferramentas, mantendo as equipes sempre atualizadas, e por aí vai.

Porém, ainda não se vê tanto o desenvolvimento do braço “qualidade de vida” que deveria acompanhar essa transformação digital. Por outro lado, a saúde mental está ocupando cada vez mais espaço na cena da saúde corporativa. Observando os efeitos devastadores dos transtornos de ansiedade, os casos frequentes de Burnout, e a depressão ocupando, em breve, o primeiro lugar de causa de afastamento, as organizações aplicam toda a energia para implementar políticas de qualidade de vida integrativas, orientadas para as questões de saúde mental e bem-estar.

Mas e a ligação entre transformação digital e saúde mental? Como pode suceder a tal da transformação digital sem se preocupar com a sustentabilidade da transformação e dos seus impactos na saúde dos colaboradores?

Impacto nos corpos

O início da era digital, com a generalização do trabalho administrativo em escritório, no computador, trouxe o sedentarismo no dia a dia de muitas pessoas. Esse novo estilo de vida veio junto a um grande paradoxo: na era dos grandes avanços da medicina e da tecnologia, todos sempre sentimos alguma dor, em algum lugar: pescoço travado, enxaqueca, lombar dolorida, dor ciática, insônia, gastrite…

Com meios de comunicação cada vez mais sofisticados, a tendência é que as pessoas precisem ainda menos se movimentar para trabalhar. A democratização do acesso ao home office também vai nessa direção: não precisamos nem sair de casa para trabalhar (não que essas políticas não tenham aspectos extremamente positivos em termos de qualidade de vida!). Uma pesquisa encomendada pela Fellowes (empresa americana, fabricante de acessórios de escritório e de tecnologia) aponta os impactos no longo prazo no corpo do trabalhador, do sedentarismo: pele pálida, olhos vermelhos e ardidos, costas curvadas e doloridas, distúrbios digestivos e eczema, articulações inchadas… uma lista assustadora de consequências sérias para saúde.

Com tudo isso – transformação digital e tecnologias cada vez mais sofisticadas -, nosso corpo e nosso cérebro não deixam de ser a nossa primeira ferramenta de trabalho. É urgente então desenvolver políticas corporativas, e públicas, para compensar os efeitos desse estilo de vida sedentário. Essa é a missão da Yogist e o seu método de yoga corporativo: sensibilizar sobre os impactos das tecnologias no nível do estresse, ensinar a se desconectar regularmente, e mostrar como movimentar o corpo, e compensar a postura sentada, no próprio ambiente de trabalho.

Impacto na mente

Usar as tecnologias para sermos mais eficientes, sim! Mas não pode ser feito de qualquer forma. Dentro da proposta de treinamentos para o mundo digital, deve ser incluído as metodologias para usar essas ferramentas de forma saudável e sustentável.

Sabemos hoje das consequências nefastas no estresse e na produtividade das interrupções não solicitadas no trabalho. Um exemplo disso é o estudo, de 2019, de pesquisadores da Universidade de Houston, da Texas A&M University e da Universidade da Califórnia Irvine (UCI), que apontou o efeito benéfico no nível de estresse, de checar os e-mails em algum horário determinado em vez de reagir a cada notificação. Outros exemplos não faltam: efeitos nocivos do uso excessivo das telas na qualidade do sono, impacto no nível de estresse das solicitações permanentes por meios de comunicação cada vez mais diversos etc.

A necessidade de sensibilização a esses temas, e do ensinamento de métodos para saber gerenciar o estresse e usar as ferramentas digitais de uma forma eficiente, é um assunto não somente de qualidade de vida, mas até de produtividade da organização. Estamos integrando cada dia mais uma ferramenta sem saber utilizar de forma correta a primeira delas, que é o e-mail (quem nunca trocou dezenas de e-mails para resolver um assunto que teria sido resolvido em uma chamada telefônica de 5 minutos?).

Impacto nas relações sociais

Com todos esses avanços tecnológicos, o talento e o cérebro humano não deixam de ser a peça-mestre para o sucesso de qualquer projeto. Liderança, capacidade de trabalhar em equipe e inteligência emocional são competências procuradas e valorizadas. A utilização de ferramentas digitais deve, então, ser feita em prol desses objetivos maiores, e não contra. Encontramos aqui novamente a necessidade de fomentar relações reais, humanas e concretas. Isso se traduz em inúmeras situações: reuniões onde as pessoas estão presentes e não resolvendo ao mesmo tempo algo no notebook, conversas livres de interrupções de celular, ou seja, momentos de presença e atenção plena… o famoso conceito de “mindfulness”, mais relevante do que nunca!

Por questões de qualidade de vida no trabalho, mas também de atração, retenção e otimização dos talentos, a transformação digital deve se fazer junto a um acompanhamento “offline”. É crucial para que o digital se encaixe onde ele potencializa o cérebro humano, e não onde ele prejudica o bem-estar físico, mental e social dos colaboradores, como ainda é o caso, muitas vezes, hoje, nas organizações. Uma reflexão a ser levada também para fora do trabalho!

*Armelle Champetier é diretora da Yogist no Brasil, empresa que desenvolveu um método exclusivo de yoga corpotativo, que pode ser praticado em qualquer ambiente, sem vestuário ou materiais específicos

 

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