Divinópolis voltou a marcar presença em um dos maiores palcos do futebol de base do mundo. O atacante João Alfredo, conhecido no meio esportivo como Gaúcho, representou o município na Copa São Paulo de Futebol Júnior, a tradicional Copinha, disputada no início do ano em São Paulo e considerada a principal vitrine do futebol brasileiro.
Esta foi a primeira participação do atleta na competição e, segundo ele, uma experiência que ficará marcada para sempre. A trajetória até a Copinha começou ainda na infância, aos oito anos de idade, quando deu os primeiros passos no futebol de base em Divinópolis. “Comecei aqui no Flamengo de Divinópolis, depois passei pela Inter de Milão, tive o DEC também. Depois surgiu a oportunidade de jogar no Inter de Minas, no Campeonato Mineiro, e em seguida em São Paulo”, relembrou.
A chance de disputar a Copinha veio em 2026, quando João Alfredo passou a integrar o elenco do Santa Fé, clube jovem, com apenas dois anos de fundação. Mesmo com pouco tempo de existência, a equipe conquistou um feito importante ao somar seu primeiro ponto na história da competição. “Foi uma sensação muito boa. A gente conseguiu o primeiro ponto do Santa Fé na Copinha, um clube novo, e isso me deixa muito feliz. Agora ainda tenho mais duas Copinhas para disputar no Sub-20 e espero fazer muitos gols e ajudar a equipe”, afirmou o atacante.
A presença de Gaúcho na competição não foi garantida de forma simples. O processo seletivo foi rigoroso e exigiu desempenho constante nos treinamentos. “Normalmente eles buscam cerca de 40 atletas, depois selecionam 30 para a competição e apenas 20 vão para cada jogo. Consegui ficar entre os 30 e, ao longo dos treinos, entre os 20. Estive em todos os jogos”, explicou. Apesar da eliminação na fase inicial, o jogador avalia a participação como extremamente positiva. “Só de estar lá já é um grande feito.”
A preparação para a Copinha foi intensa. Desde janeiro, o elenco do Santa Fé disputou o Campeonato Paulista e, em dezembro, voltou todas as atenções para o torneio nacional. Os atletas chegaram a treinar em dois períodos por dia. “É uma competição de tiro curto. Você joga, treina de novo, recupera rápido, dorme bem e já pensa no próximo jogo. O nível é muito alto”, destacou.
João Alfredo também comparou a Copinha com outras competições de base que já disputou, como a Brasileirinho, realizada em Minas Gerais. Segundo ele, a diferença está no ritmo e no nível técnico. “Na Copinha você enfrenta jogadores que já atuaram no profissional, como de clubes conhecidos, o que torna tudo mais difícil.”
Atualmente, o atleta está de férias, mas garante que não ficará parado. “Vou ficar uns dois meses em casa, mas fazendo academia, com personal, para não perder o ritmo.” Para o futuro, a expectativa é a disputa do Paulista Sub-20, que deve começar mais cedo neste ano. O Santa Fé passará por uma remontagem de elenco, e o jogador espera permanecer no grupo.
Ao falar com as crianças e jovens que sonham em disputar a Copinha, Gaúcho deixa um recado direto: persistência. “Tem que continuar treinando e não desistir. Quem joga bola sabe que precisa abrir mão de muita coisa, como ficar longe da família. Mas a dedicação faz a oportunidade chegar.”
Uma curiosidade marca a identidade do atleta: o apelido Gaúcho surgiu ainda na base, simplesmente porque havia muitos jogadores chamados João nos elencos por onde passou. O detalhe ganha ainda mais significado ao se observar que, apenas nesta edição da Copa São Paulo de Futebol Júnior, são 250 atletas carregam o mesmo primeiro nome. Em meio a tantos Joões, o Gaúcho de Divinópolis conseguiu se destacar e levar o nome da cidade para o cenário nacional do futebol de base.















