O Cruzeiro Esporte Clube anunciou nesta segunda-feira (5/10) a retirada da marca Betnacional de seu site oficial, atendendo às determinações da Medida Provisória editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A medida, publicada recentemente, proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no Brasil, conhecidas como bets, impactando diretamente contratos de patrocínio envolvendo esse tipo de atividade.
A decisão do clube ocorreu no último dia possível para a exclusão da marca de suas peças publicitárias, incluindo o espaço mais nobre na camisa dos jogadores, que até então ostentava o patrocínio master da Betnacional. Além do site oficial, as imagens dos atletas com uniformes patrocinados pela marca também foram removidas, refletindo o cumprimento imediato da legislação vigente. Ainda não há definição sobre como ficará o uniforme do time na próxima partida oficial, marcada para quarta-feira (7/10), contra o São Paulo, em Belo Horizonte, pelo Campeonato Brasileiro. A expectativa é que o clube possa substituir o espaço por outra marca ou, alternativamente, deixar o espaço vazio.
A parceria entre o Cruzeiro e a Flutter Entertainment, controladora da Betnacional, teve início em 2024, quando a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube ainda era gerida por Ronaldo Nazário. Na ocasião, o patrocínio era com a marca Betfair, também pertencente à mesma holding. No final de 2025, a Flutter optou por alterar o patrocinador principal para a Betnacional, alinhando-se a uma estratégia corporativa de unificação de marcas sob sua gestão. O contrato original, válido de 2023 a 2024, previa o pagamento de R$ 25 milhões anuais ao clube. Para 2025, o valor foi reajustado para R$ 43 milhões, com possibilidade de chegar a R$ 60 milhões, valor que representou menos de 10% da arrecadação total do clube no ano passado.
Antes do acordo com as casas de apostas, o patrocinador principal do time profissional do Cruzeiro era o Supermercados BH, cujo proprietário é Pedro Lourenço. A mudança para o patrocínio de apostas foi vista como uma estratégia de diversificação de receitas, embora tenha gerado questionamentos diante do cenário regulatório do setor de jogos de azar no Brasil.
A Flutter Brasil comunicou, por meio de nota oficial, que seus contratos estão sendo revisados de forma individualizada, em conformidade com as novas determinações legais. A empresa também manifestou sua discordância com a legislação, argumentando que as casas de apostas regulamentadas recentemente no país representam uma forma de garantir maior segurança ao mercado. Segundo a nota, a Flutter defende a manutenção de um mercado regulado, ressaltando a importância da fiscalização, do jogo responsável e do combate às atividades ilegais. A postura da companhia reforça a complexidade do momento, em que o setor de apostas enfrenta mudanças regulatórias que impactam contratos comerciais de clubes de futebol e patrocinadores.
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