A definição do futuro do patrocínio da Betnacional ao Cruzeiro se tornou uma questão central nesta semana, com o contrato vigente até dezembro de 2023 sendo alvo de discussões intensas diante da Medida Provisória editada pelo governo federal, que suspende a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no Brasil. A medida, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entrou em vigor e impacta diretamente o vínculo entre o clube e a empresa controladora da Betnacional, Flutter Entertainment, que atua como patrocinadora master desde o início de 2024.
Segundo apuração do Tempo Sports, alguns pontos ainda permanecem indefinidos nas negociações, especialmente após o próximo dia 5 de outubro, quando o contrato atual se encerra. A partir de 6 de outubro, o Cruzeiro não poderá mais exibir a marca da Betnacional em seus uniformes ou em qualquer material publicitário, uma vez que a legislação impede a continuidade de ações de publicidade relacionadas às casas de apostas, mesmo que o contrato esteja vigente. Essa restrição também afeta as lojas oficiais do clube, que atualmente comercializam camisas com a marca da Betnacional impressa, levantando dúvidas sobre a possibilidade de continuar vendendo esses produtos ou se será necessário recolhê-los.
O presidente da Sociedade Anônima do Cruzeiro Esporte Clube (SAF), Pedro Lourenço, afirmou que a legislação impede o uso de publicidade mesmo durante a vigência do contrato, mas destacou que a empresa e o clube estão recebendo apoio do governo estadual de Minas Gerais. Lourenço comentou que há uma expectativa de que a Medida Provisória seja revogada futuramente, embora ainda não haja uma decisão definitiva sobre o assunto. Ele ressaltou que a situação exige cautela e espera por uma definição mais clara nos próximos dias.
Em 29 de setembro, representantes do Cruzeiro, Atlético e América Mineiro participaram de reunião com o governador de Minas Gerais, Mateus Simões, na sede do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG). Na ocasião, foi anunciado que o estado pretende oferecer apoio financeiro às equipes prejudicadas pela MP, incluindo o Cruzeiro, que receberá, a partir de janeiro de 2027, uma compensação de R$ 15 milhões anuais por meio das empresas estaduais Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) e Codemig (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais). Essas marcas deverão ser utilizadas em espaço a ser definido pelo clube, de modo a não prejudicar futuras negociações de patrocínio.
A parceria entre o Cruzeiro e a Flutter Entertainment, controladora da Betnacional, teve início em 2024, quando a gestão da SAF era liderada por Ronaldo Nazário. Na época, o patrocinador principal era a Betfair, que foi substituída pela Betnacional no final de 2025, em estratégia de rebranding da holding. O contrato original, válido entre 2023 e 2024, previa pagamento de R$ 25 milhões anuais, enquanto o acordo de 2025 aumentou esse valor para R$ 43 milhões, podendo chegar a R$ 60 milhões, embora representasse menos de 10% da receita total do clube no ano anterior.
Antes das casas de apostas, o patrocinador oficial do time profissional do Cruzeiro era o Supermercados BH, de propriedade de Pedro Lourenço. A Flutter Brazil, por sua vez, divulgou nota oficial informando que seus contratos estão sendo revisados individualmente para cumprimento das novas determinações legais, mesmo manifestando discordância com a proibição de atividades de apostas regulamentadas. A empresa reforçou seu compromisso com o mercado regulado, enfatizando a importância do fortalecimento da fiscalização, do jogo responsável e do combate à ilegalidade.
Na nota, a Flutter Brazil destacou que, desde 26 de setembro, suspendeu suas atividades de apostas no país e vem tomando as providências necessárias para atender às diretrizes da Medida Provisória, incluindo a interrupção de publicidade e patrocínios. A companhia também ressaltou que a retirada dos operadores autorizados pode impulsionar o crescimento do mercado ilegal, que não oferece garantias de proteção ao consumidor, controle de lavagem de dinheiro ou mecanismos de segurança. Desde a implementação de regulações mais rígidas, a participação do mercado ilegal caiu de uma estimativa de 41% a 51% em 2025 para 38% a 44% em 2026, segundo dados da própria Flutter.
A empresa, que faz parte do grupo global Flutter Entertainment, reafirmou seu compromisso com padrões de governança e jogo responsável, afirmando que continuará dialogando com as autoridades brasileiras para fortalecer o mercado regulado, considerado a melhor estratégia para proteger os consumidores e combater a ilegalidade no setor de apostas.
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