Conheça a história de um dos maiores clássicos da América: Cruzeiro x Racing

Postado em 22/05/2018 15:23

O Cruzeiro tem muitos grandes estrangeiros que já combateu em finais criando clássicos de rivalidade.

Num desses clássicos, o azul e o branco de Brasil e Argentina entram hoje em campo em mais num duelo de rivais no continente. Cruzeiro Esporte Clube e Racing Club de Avellaneda são velhos inimigos que, há décadas, duelam entre si por títulos continentais. Entenda como originou essa rivalidade:

Supercopa dos Campeões da Libertadores

Como o próprio nome já diz, a Supercopa dos Campeões da Libertadores foi um torneio internacional que só reunia os campeões da Libertadores até então (14 clubes na época), e durou de 1988 até 1997.

Supercopa 88

 

 

O poderoso Racing 88 venceu o Cruzeiro na final.

 

Já na primeira edição, em 88, o Cruzeiro montou um forte time liderado pelo jovem atacante Careca e pelo ponta-esquerda Édson. O sonho era ganhar mais um torneio internacional e sair de uma fila de 12 sem vencer nada expressivo, e tendo de ver a incrível geração atleticana faturar quase todos os torneios estaduais.

E deu certo. O novo presidente do clube, Benito Masci, montou uma equipe que avançou bem e chegou até a final da primeira edição da Supercopa.

O adversário era o Racing, que disputava o torneio por ser campeão da Libertadores 67. O time de Avellaneda tinha no gol o lendário Fillol, goleiro titular da Argentina campeã da Copa de 78. Após uma derrota em Avellaneda, o Cruzeiro de Careca empatou no Mineirão por 1×1 e frustrou os quase 100.000 cruzeirenses que apoiaram e aplaudiram a luta do time.

Foi dolorido, mas era o Cruzeiro assentando mais um tijolo na construção de sua história internacional.

Supercopa 92

Renato Gaúcho conduziu o espetáculo de 92. Um gênio.

 

Dois anos depois, em 1990, os dois se enfrentaram pelas quartas da mesma Supercopa, e outra vez o Cruzeiro foi eliminado. Foi irritante, mas em 1991 o Cruzeiro venceu a final da Supercopa numa final épica contra o River Plate e entrou em 1992 determinado a conquistar seu primeiro Bi internacional.

A máquina cruzeirense conduzida por Renato Gaúcho aniquilou Colo Colo, River Plate e Olimpia até chegar à final. Quis o destino que o Racing fosse novamente o rival. O resultado foi um massacre.

Já no primeiro jogo, a Raposa detonou os argentinos com um acachapante 4×0. Renato Gaúcho fez chover e foi o melhor em campo no Mineirão encharcado. Na zaga, o ex-atleticano Luizinho mostrou por que foi um dos maiores beques da história de Minas e exibiu maestria e técnica barrando todas as investidas do ataque do Racing.

No jogo da volta, o Cruzeiro colocou o Racing na roda e gastou 90 minutos até o capitão Paulo Roberto erguer a taça dentro do El Cilindro e embarcar de volta à BH para ser recebido por uma multidão que lotou as ruas de BH.

O Cruzeiro de 1992 fez história com a seguinte base: Paulo César Borges, Paulo Roberto, Luizinho, Célio Lúcio e Nonato; Douglas, Marco Antônio Boiadeiro e Luiz Fernando Flores; Renato Gaúcho, Betinho e Roberto Gaúcho. Técnico: Jair Pereira.

Copa Mercosoul 99

Em 1999, Cruzeiro e Racing se enfrentaram na fase de grupos da extinta Copa Mercosoul, mas com uma realidade muito diferente. O Racing enfrentava a maior crise de sua história com uma dívida incontrolável. Em pleno estádio Cillindro, o Cruzeiro liderado pelo volante Djair atropelou os argentinos com impiedosos 4×0. No jogo do Mineirão, Muller conduziu uma vitória por 2×0.

Libertadores 2018

Após 19 anos, os gigantes da América do Sul revivem o confronto. Em fevereiro, o Racing venceu por 4×2 em noite inspirada do atacante Lautaro Martínez. Hoje, no Mineirão, o Cruzeiro espera dar o troco e assumir a liderança do grupo na Libertadores da América.

Roberto Perfumo

Craque de Racing, Cruzeiro, River Plate e seleção argentina.

 

Apontado por muitos como o maior zagueiro da História do Cruzeiro, o saudoso argentino Roberto Perfumo é ídolo absoluto do Racing. O craque foi campeão da Libertadores e do Mundial 67. Por anos foi titular na seleção argentina, chegando a ser o capitão do time na Copa de 74. Também com passagem destacada pelo River Plate, onde jogou ao lado do gênio Passarella e foi vice contra o Cruzeiro na final da Libertadores 76, por ironia do destino.

Pelo Cruzeiro, Roberto Perfumo teve 138 jogos e seis gols. Sem dúvida, é o denominador comum desse confronto sul-americano.

Hugo Serelo, 31 anos, nasceu em Andradas-MG e vive em Divinópolis-MG. É repórter policial, pesquisador esportivo e radialista. Torce pro Rio Branco de Andradas e tem uma leve simpatia pelo Cruzeiro Esporte Clube.

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