Os planos do Atlético
são ambiciosos. Em meio à crise financeira internacional provocada
pela pandemia de coronavírus, o clube iniciou, ainda em 2020, um
significativo processo de reformulação administrativa e no futebol.
O aumento nos investimentos – impulsionado pela parceria financeira
e de gestão com empresários-torcedores – alçou a equipe ao status
de candidato aos principais títulos nacionais. A meta do
presidente Sérgio Coelho, porém, vai além-fronteiras: ser
referência na América Latina.
O mandatário alvinegro
concedeu entrevista nesta quinta-feira, 25 de março de 2021,
aniversário de 113 anos do Galo. “Com todo esse trabalho sendo
implementado, nós temos certeza que o Clube Atlético Mineiro, num
futuro muito próximo, será reconhecido como um dos maiores clubes
em gestão na América Latina”, declarou Coelho, que assumiu o cargo
máximo da administração atleticana em janeiro, no lugar de Sérgio
Sette Câmara.
O trabalho é de
continuidade, mas com claras diferenças em relação ao antecessor.
Sérgio Coelho tem perfil apaziguador e recebeu dos mecenas a missão
de fazer um mandato de “coalizão”. As ideias eram claras: evitar a
guerra política que ameaçou se iniciar nos meses finais do mandato
de Sette Câmara, unir diferentes alas do Conselho Deliberativo e
tocar o audacioso projeto financiado pelos empresários Rafael
Menin, Rubens Menin, Renato Salvador e Ricardo Guimarães. O grupo
dos ‘4 R’s’.
“Eles têm nos apoiado.
Se não fosse por eles, nós estaríamos numa situação
complicadíssima. A situação estaria bastante complicada, pelo fato
de que as receitas caíram pela metade. Imagine um clube que perde
50% das suas receitas e mantém as despesas sem desconto nenhum.
Então, existe um desequilíbrio matemático, que é fácil de ser
compreendido. E se não houver algumas ações e ajudas, seria muito
complicado”, admitiu o mandatário.
A
dependência dos empréstimos da família Menin para pagar dívidas,
salários e contratações preocupa, embora sejam contraídos com
condições muito melhores que a média do mercado. Por isso, o clube
vai apresentar em breve o planejamento estratégico para os próximos
cinco anos. Nele, serão estabelecidas metas esportivas e
financeiras para efetivamente alçar o Atlético ao patamar de
protagonismo desejado.
“Será
detalhado o nosso plano de trabalho para os próximos cinco anos.
Esse planejamento não é para daqui um ano resolver a situação. É um
planejamento para daqui a cinco anos, sendo corrigido anualmente,
com um tempo a mais no futuro e com o objetivo de quitar dívidas e,
ao mesmo tempo, ser um time protagonista”, disse.
E,
para ser protagonista em campo, o Atlético não descarta contratar
mais. Ao longo da entrevista, o presidente revelou que ainda
aguarda a avaliação do elenco pelo técnico Cuca, mas não descartou
a chegada – e saída de um zagueiro. Cria da Cidade do Galo,
Jemerson é um dos nomes que agradam. Mas tudo dependerá da dinâmica
do mercado.
Para a gente
conseguir nossas ambições, achamos que seria necessário reforçar um
pouco o time. Há um ano, o clube começou a reformular o plantel. Ao
meu ver, foram contratações bem feitas. Uma ou outra não deu certo.
Mas, pela quantidade de contratações, o trabalho foi muito bem
feito pela diretoria que me antecedeu, juntamente com o treinador
Sampaoli.
Quando assumi o
Atlético em janeiro, precisávamos de alguns reforços pontuais, como
na lateral esquerda, que só tínhamos o Arana, e trouxemos o Dodô.
Acreditamos que ele será um grande reforço, já tem demonstrado
isso. No meio-campo, trouxemos o Nacho, que estreou muito bem. E lá
na frente o Hulk, um grande atleta que vai nos ajudar muito. É
possível que possam vir mais um ou dois jogadores. Mas, se vierem,
serão jogadores que somarão muito no grupo.
O futebol é ganhar
títulos, ser protagonista em todos os campeonatos. Ganhar títulos
não é fácil, tem muitos concorrentes de alto nível, mas nos
colocamos como um clube que vai brigar na cabeça. Esperamos que a
gente seja campeão e tudo dê certo neste
sentido.
A segunda missão é
tornar o Atlético o clube de melhor gestão da América Latina. Nós
temos esse propósito, estamos trabalhando duramente para fazer o
nosso primeiro Galo Business Day, que será um evento muito
importante, bacana, onde apresentaremos o nosso organograma, com
todos os diretores contratados. Foi um trabalho feito junto a uma
das maiores consultorias do mundo, a Ernst & Young. Apresentaremos
também os nossos resultados de 2020, com muita transparência. No
final, apresentaremos o nosso planejamento
estratégico.
Com todo esse
trabalho sendo implementado, nós temos certeza que o Clube Atlético
Mineiro, num futuro muito próximo, será reconhecido como um dos
maiores clubes em gestão na América Latina. Tenho certeza disso e
vamos trabalhar incansavelmente atrás desse
objetivo.
Às vezes os
concorrentes aparecem, surgem, mas nem sempre são aqueles que a
gente aponta. Mas hoje temos alguns clubes que têm elencos muito
bons, como são os casos do Palmeiras, do São Paulo, que está se
reforçando muito, o Grêmio, que se propôs a reforçar, e já era um
grande time. O próprio Internacional, o Flamengo, o Santos, que
está sempre disputando títulos. São inúmeros times que vamos
disputar com eles na cabeça. Temos que nos preparar para que
façamos um trabalho diferenciado e melhor do que nossos
concorrentes. E isso a gente tem feito.
A
gente tem trabalhado muito no futebol com nosso novo diretor, o
Rodrigo Caetano, que é uma pessoa fantástica em todos os sentidos,
um profissional de alto nível. Acreditamos que a contratação do
Cuca foi o melhor que a gente podia fazer, era o melhor treinador
que a gente poderia trazer no momento, um treinador alinhado com
nossos pensamentos e planejamentos, gosta de trabalhar com a
base.
Estamos fazendo um
futebol que é muito importante ter o salário em dia. Estamos
cumprindo o pagamento, tanto de CLT quanto de imagem. É uma
obrigação, sabemos disso. Mas, pelas dificuldades, nem todos os
clubes conseguem. Estamos fazendo tudo que é possível para ter um
ano dourado.
E
isso com o total apoio do nosso grupo de trabalho, todos os nossos
diretores, o meu vice-presidente, José Murilo Procópio, que está
sempre ao meu lado me ajudando. E não posso deixar de destacar os
‘4 R’s’: Rubens Menin, Ricardo Guimarães, Renato Salvador e Rafael
Menin. São pessoas que estão me ajudando muito. A gente toma as
decisões em um sistema colegiado, está funcionando muito bem e
estamos muito felizes pela forma que estamos gerindo o
clube.
O mais importante
é o seguinte: o Atlético trabalhar para que esteja bem, trabalhar
para que sejamos um dos maiores clubes em gestão e protagonista no
futebol da América Latina. Independente de ser uma concorrência
local, o Atlético e eu, particularmente, respeitamos muito os
nossos adversários aqui de Minas Gerais, assim como do Brasil
inteiro e da América Latina. O futebol dá muita volta. O Atlético
viveu há alguns anos momentos difíceis e hoje está
bem.













