América comemora 108 anos com muita história para contar.

Postado em 30/04/2020 12:05

Nesta quinta-feira, o América-MG está comemorando seu 108º aniversário.

Fundado em 1912, o América-MG já foi logo mostrando sua força no cenário mineiro e iniciou uma sequência impressionante de títulos estaduais em 1916. Ao todo, foram dez conquistas consecutivas – até 1925 -, o que colocou o Coelho no livro dos recordes como o primeiro clube no mundo a conseguir este feito. Marinho Monteiro comentou bastidores desta conquista e até a mudança de estádio, durante a trajetória do Deca.

“O deca foi construído, inicialmente, no Prado Mineiro, onde hoje é da academia da Polícia Militar e era um campo onde as primeiras equipes de Belo Horizonte jogavam. Posteriormente, a trajetória da conquista foi concluída no estádio na rua Paroeba, onde hoje é localizado o Mercado Central. Em 1925, após nove títulos em sequência, o América viria a golear o Atlético-MG, por 4 a 1, logo nas primeiras rodadas, e as outras equipes acabaram desistindo, tamanha era a hegemonia do Coelho”.

“Dentro desta conquista, temos números bastante interessantes a serem destacados. Dos dez títulos, sete foram conquistados de forma invicta. Outro ponto interessante a se destacar é que o América perdeu apenas quatro jogos durante os dez anos. Neste período foram 23 vitórias consecutivas, entre 1916 e 1919, que permanece sendo um recorde de vitórias na competição até os dias atuais. Além disso, o Coelho ficou 5 anos ou 36 jogos invicto, entre 1916 e 1921”.

“Essa hegemonia teve consequências para o clube, já que virou um alvo a ser batido por todos e houve uma tentativa de boicote. Em 1926, o Estadual foi dissolvido em duas ligas, para tentar minar as forças do clube” – concluiu Marinho

Em protesto contra a imposição do profissionalismo no futebol, o América-MG passou a adotar o uniforme nas cores vermelhas, de forma simbólica, entre 1933 e 1943. Posteriormente, a camisa viria a ser relembrada em 2012, no centenário do clube. O historiador Marinho Monteiro voltou a trazer casos interessantes deste protesto feito pelo Coelho.

“É importante dizer, que se o América tivesse negado completamente o profissionalismo, ele teria feito como o Paulistano – ex-clube de São Paulo – e encerrado as atividades na época. Entretanto, na época, o Coelho questionava a forma como estava sendo conduzido o profissionalismo e o encerramento da liga de forma arbitrária. Tanto que naquela época, nem a torcida, nem a diretoria do clube, estavam convencidos que a ideia era boa, por conta da hegemonia do Coelho”.

“Então, na época, foram feitas uma série de imposições, que o América não concordou e entrou em rota de colisão com a Federação. Posteriormente, a associação mineira de esportes fez uma carta solicitando o retorno do clube, que aceitou, mas atuando de vermelho por 10 anos, voltando a ser verde e branco em 1943”

Em 1956, o América-MG realizava sua primeira excursão pela Europa. Na ocasião, o Coelho se tornava o segundo a excursionar pelo continente europeu e o clube brasileiro que ficou mais tempo por lá. Foram 100 dias, de 23 de setembro a 31 de dezembro de 1956. O Coelho passou por países como a Polônia, Bélgica, França, Alemanha e Espanha. Veja abaixo os resultados e histórias relatadas por Marinho Monteiro:

Polônia
24/09/1956: América 3×0 Z.S Budowlani
29/09/1956: América 2×0 Gornik Zabzre
03/10/1956: América 2×2 Seleção da Polônia
05/10/1956: América 1×1 Seleção de Posnam
07/10/1956: América 0x1 Wislá Kraków
10/10/1956: América 0x0 Lechia Gdanksi

Bélgica
17/10/1956: América 3×4 Lechia Gdanksi

França
21/10/1956: América 2×2 Stade Rennes
11/11/1956: América 3×2 Stade Rennes

Alemanha Oriental
31/10/1956: América 1×2 TSV 1847
21/11/1956: América 4×1 Seleção da Alemanha Oriental
25/11/1956: América 1×0 Kolstein

Espanha
07/12/1956: América 1×0 Rayo Vallecano
09/12/1956: América 3×3 Real Múrcia
12/12/1956: América 0x0 Real Bétis
25/12/1956: América 3×7 Real Oviedo
27/12/1956: América 6×1 Real Santandér

“Após um saldo vitorioso pela Europa, com 14 vitórias em 23 jogos, o América-MG desembarcou no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro, e foi recebido de uma forma calorosa pelo Presidente da República na época, Juscelino Kubitschek, onde foi homenageado por este feito, entre eles empatar com a seleção principal da Polônia em 2 a 2 e vencer a seleção da Alemanha Oriental, por 4 a 1. Um caso interessante a relatar sobre o clube, é que em 1956 o América se tornou o primeiro clube brasileiro a ter um campeão mundial por seleções, o uruguaio Gambeta – conquistou a Copa do Mundo em 1950, no Brasil -, emprestado pelo Nacional-URU para ganhar visibilidade no continente europeu.

A conquista do título Mineiro de 1971 obteve vários fatores relevantes a serem destacados. O primeiro deles, é que o clube venceu o campeonato de forma invicta, em um torneio que tinha o Atlético-MG – que viria a ser Campeão Brasileiro daquele ano. Além disso, quebrou uma sequência de 14 anos sem vencer o Estadual. Além disso, era a primeira conquista no Mineirão e com o uniforme verde preto – adotado pelo clube em junho de 1970. Marinho Monteiro trouxe mais relatos e bastidores do 13º título mineiro.

“Mesmo com adversários fortes, como o Atlético-MG, Campeão Brasileiro daquele ano, Cruzeiro, de Tostão e cia, e Villa Nova-MG, que viria a conquistar a Série B daquele ano, o América-MG conseguiu essa conquista de forma invicta”

“Ao vencer o Uberlândia na última rodada, por 3 a 2 no Mineirão, com um gol de bicicleta de Jair Bala, o Coelho, que estava bem parelho com o Cruzeiro na pontuação, precisava aguardar o clássico entre Galo e Raposa, que teve o alvinegro vencedor, dando o título para o América.

O Estádio Raimundo Sampaio, mais conhecido como Independência, foi construído na capital mineira para a Copa do Mundo de 1950. Posteriormente, foi vinculado ao Sete de Setembro FC – clube já extinto -, que não levava uma relevância para o estádio e, por isso, em 1988, fez um acordo com o América, que assumia a gestão do estádio.

“Após a construção do Mineirão em 1965, o Indepedência acabou sendo visto, até certo ponto, de forma secundária pelos clubes mineiros, já que o América tinha a Alameda, o Atlético tinha o Estádio de Lourdes, e o Cruzeiro no Barro Preto, além do Mineirão, grande palco dos mineiros. Enquanto isso, o Independência pertencia ao já extinto Sete de Setembro FC e estava no ostracismo, até que em 1986 foi reinaugurado pelo então governador, Hélio Garcia. Em 1988, no intuito de dar um uso melhor do estádio, o Sete de Setembro remete ao governador, Newton Cardoso, um documento aonde assume um compromisso de celebrar um convênio com o América para a utilização do estádio, que assina este documento em 9 de maio daquele ano. Por fim, em 2003, por ato societário, foi realizada a incorporação do Independência ao patrimônio do América-MG através da participação de Magnus Lívio de Carvalho, que fez o elo entre os dois clubes”.

Em 1989, o América-MG tem um novo marco na sua história ao inaugurar o CT Lanna Drumond. Na ocasião, eram poucos os clubes brasileiros que tinham um centro de treinamento, e isso fez com que o clube viesse a colher frutos, como títulos e revelação de novos talentos. Marinho Monteiro relatou a mudança de patamar do clube após essa aquisição.

“Em 1988, o América adquiria um terreno, no bairro Braúnas, próximo ao zoológico de Belo Horizonte, para a construção do CT Lanna Drumond. Na época, essa construção foi um marco para a história do clube, já que monta um centro de treinamento de excelência e começa a fazer parcerias, além de voltar a ter uma categoria de base interessante. A partir disso, o Coelho passou a ter uma nova perspectiva de evolução, já que tinha adquirido o Independência e tinha um CT profissional.

“No ano seguinte à construção, o clube foi vice-campeão da Série C, em 1990, vice-campeão Mineiro em 1992, campeão Mineiro em 1993, campeão da Copa São Paulo em 1996, entre outros exemplos que mostram os frutos que o clube colheu”

Em 1993, após conquistar um título brilhante do Campeonato Mineiro – que não vinha desde 1971 -, o América-MG sofreu um grande baque na sua história. Com um regulamento confuso no Campeonato Brasileiro daquele ano, o Coelho ficou em 16º entre 32 times, mas, ainda assim, foi rebaixado de divisão. Então presidente do clube, Magnus Lívio de Carvalho resolveu entrar na Justiça Comum, e o América recebeu a punição da CBF de dois anos sem disputar competições nacionais. Marinho relatou detalhes deste duro golpe na história do Coelho.

“Na época, o América juntamente com outros clubes, entrou na Justiça Comum contra a decisão da CBF, mas, após uma ameaça da entidade máxima do futebol brasileiro, esses times retiraram a denúncia, com exceção do Coelho, que acabou ficando em 1994 e 1995 banido das competições nacionais e usava o segundo semestre para realizar excursões pelo mundo. Só em 1996, após acordo com a CBF, que o América ingressou na Série B daquele ano”.

Após disputar a Série B em 1996 e terminar na 5ª posição, o América-MG mostrava sua força e, em 1997, após campanha impecável, conquistava o acesso para a elite do futebol brasileiro. De quebra, o Coelho viria a conquistar seu primeiro título nacional, a Segunda Divisão do Brasil.

“Foi um grande ressurgimento. Depois de ficar em 3º no Estadual, o América disputou a Copa Centenário, onde saiu invicto ao empatar com Atlético-MG, Corinthians e o poderoso Milan, que na época tinha uma das melhores equipes do mundo. Posteriormente viria a disputar a Série B e conquistar o título”

“Esse time de 97 ficou marcado por conta de um bom investimento feito pelo patrocínio máster de um banco e trouxe grandes nomes como Marco Antônio Boiadeiro e Tupãzinho, por exemplo, além de evidenciar garotos da base na equipe profissional. A campanha ficou marcada pela disputada acirrada com Ponte Preta e Vila Nova-GO, que viria a ser derrotado por 1 a 0, no Independência, fazendo com que o Coelho se tornasse o grande campeão – disse Marinho.

Competindo contra rivais grandes no cenário nacional, como por exemplo Atlético e Cruzeiro e a dupla Grenal, o América-MG surpreenderia a todos ao ser o primeiro campeão do torneio regional, passando pelo arquirrival Cruzeiro, na decisão. O historiador Marinho Monteiro contou a relevância daquela história para o Coelho.

Após permanecer de forma incrível na “nova” Série C de 2009, o América sob o comando de Givanildo conquista o acesso e o título da competição. Em 2010, o “duplo acesso” é confirmado com a volta para a Série A do Campeonato Brasileiro. Desde então, o Coelho se estruturou no cenário nacional e teve conquistas importantes, como o Mineiro de 2016 e a Série B de 2017. Para Marinho Monteiro, o América se estabiliza cada dia mais no cenário nacional e a tendência é evoluir nos próximos anos.

“O clube passou por graves dificuldades financeiras na segunda metade do ano 2000, que inclusive culminou com a queda no Estadual e a ficar sem divisão no Campeonato Brasileiro. Porém, em 2008, o América conquista o Módulo II do Mineiro e, no seu retorno à elite, o Coelho segura o Atlético com Mineirão lotado, em 0 a 0. O melhor estava por vir na Série C, quando conquistou o acesso diante do Brasil de Pelotas e ainda ganhou o título sobre o ASA. E acredito que realmente foi uma virada na página do clube, que era taxado como um clube extinto e, em uma ascensão meteórica, consegue o acesso para a Série A no fim de 2010”.

“Nos dias atuais, coloco o América entre os 25 principais times do Brasil, isso porque o clube ainda oscila entre a Série A e a Série B, mostrando grande força na segundona. Vejo como uma questão de tempo para se manter na elite, já que mantém uma estrutura muito profissionalizada fora das quatro linhas”.

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