A jornalista Rachel Sheherazade, de 53 anos, encontra-se atualmente envolvida em um processo judicial movido por um motorista de aplicativo, que solicita uma indenização de R$ 60 mil por danos morais. A ação foi iniciada após a publicação de vídeos e comentários feitos por Sheherazade em suas redes sociais, relacionados a um episódio ocorrido durante uma corrida realizada na cidade de São Paulo. A informação foi inicialmente divulgada pelo portal Fábia Oliveira e posteriormente confirmada pelo portal Splash.
O conflito teve início em 30 de julho, durante uma viagem de Alphaville, bairro de classe alta na região metropolitana de São Paulo, até Moema, zona sul da capital. Segundo a denúncia apresentada na ação, durante o trajeto, a jornalista solicitou a troca da estação de rádio do veículo. O motorista, identificado como Ricardo, afirmou que preferia manter a rádio sintonizada em volume baixo ou até mesmo desligar o som, o que teria gerado uma discussão entre ambos. Sheherazade teria insistido na mudança sob o argumento de estar pagando pelo serviço, enquanto o motorista alegou que essa atitude desconsiderava as regras do serviço de transporte por aplicativo, que restringem o controle do passageiro sobre configurações internas do veículo, como a escolha de rádio.
De acordo com o relato do motorista na petição inicial, a situação agravou-se após comentários considerados depreciativos à sua profissão por parte da passageira. Sentindo-se desconfortável e ameaçado, Ricardo decidiu encerrar a corrida em um local considerado seguro, especificamente na Alameda Araguaia, em Alphaville, uma via urbana movimentada e monitorada por câmeras de segurança. No entanto, a jornalista teria se recusado a descer do veículo por cerca de 40 minutos, período durante o qual teria gravado vídeos para suas redes sociais acusando o motorista de abandoná-la em um local isolado e ermo.
A divulgação dessas imagens gerou grande repercussão, causando constrangimento ao motorista, que relatou ter ficado assustado com a exposição pública de sua imagem e de seu veículo. Segundo Ricardo, a publicação dessas gravações o deixou com medo de possíveis agressões nas ruas, além de prejudicar sua reputação profissional e pessoal, ao ser retratado como alguém desumano por supostamente abandonar uma mulher em uma área deserta.
A situação se agravou ainda mais com uma segunda publicação feita por Sheherazade, dois dias após o episódio inicial. Nessa ocasião, ela teria divulgado um novo vídeo em que chamou o motorista de “ameaçador”, “covarde” e “bruto”. A jornalista também utilizou sua plataforma para abordar a questão da violência contra a mulher, pedindo que seus seguidores evitassem o profissional, o que, na visão da defesa de Ricardo, causou prejuízos à sua reputação e à sua atividade profissional.
O motorista busca na Justiça uma indenização por danos morais no valor de R$ 60 mil, alegando que a exposição pública de sua imagem e a divulgação de informações pessoais, associadas a acusações graves e sem comprovação, causaram prejuízos imediatos à sua imagem e segurança. Além disso, Ricardo solicitou uma tutela de urgência para que a plataforma de transporte preserve e apresente as gravações de áudio e vídeo captadas durante a corrida, além de requerer a remoção dos vídeos e uma retratação pública de Sheherazade. Seus advogados também demandam que a jornalista seja condenada a publicar uma nota oficial esclarecendo que as alegações de agressão e ameaça feitas por ela não foram confirmadas pela Justiça.
A reportagem tentou contato com Rachel Sheherazade e sua assessoria de imprensa para obter um posicionamento, mas até o momento não houve retorno. Em suas declarações públicas, a jornalista afirmou que expôs o motorista e o veículo em suas redes sociais, alertando seus seguidores para evitar a corrida com ele, por considerá-lo grosseiro e irresponsável. Sheherazade também relatou que se sentiu “acuada, ameaçada e constrangida” pelo motorista, alegando que ele teria parado o carro em uma rua deserta e mandado que ela descesse após solicitar a troca de rádio. Ela afirmou ainda que denunciou o episódio ao aplicativo de transporte e planejava registrar um boletim de ocorrência, afirmando esperar que as providências fossem tomadas contra o profissional.












