O ex-integrante dos Beatles, Paul McCartney, de 84 anos, compartilhou detalhes sobre as emoções e desafios enfrentados após o término da banda, ocorrido em 1970. Em uma conversa com o diretor Judd Apatow, divulgada pela revista Variety, McCartney afirmou que a separação do grupo foi semelhante a uma demissão, descrevendo o momento como algo “assustador” e de grande impacto em sua vida tanto profissional quanto pessoal.
Segundo o músico, a dissolução dos Beatles deixou um vazio imediato, pois o grupo representava seu único trabalho até então. Ele explicou que, após o fim da banda, sentiu-se perdido, sem saber o que fazer a seguir. “O que você faz depois dos Beatles? Os Beatles terminam, esse foi o único trabalho que você teve e, então, você não o tem mais. É como se tivesse sido demitido”, afirmou. Essa sensação de perda profunda o levou a lidar de forma difícil com a mudança, inicialmente recorrendo ao álcool para lidar com a solidão. McCartney revelou que, na época, passou a beber enquanto estava isolado na Escócia, onde tinha uma pequena família recém-formada. Ele comentou que, naqueles momentos, sentia que ninguém o repreenderia por exagerar na bebida, o que tornou a experiência até divertida, embora posteriormente tenha percebido o quanto aquilo foi prejudicial.
O artista também destacou o impacto emocional de estar sozinho após anos de convivência diária com John Lennon, George Harrison e Ringo Starr, seus companheiros de banda. A ausência do grupo deixou um sentimento de medo e insegurança, pois a união que sempre caracterizou os Beatles era uma parte fundamental de sua identidade. McCartney explicou que, inicialmente, tentou encontrar formas de continuar produzindo música de maneira semelhante ao estilo do grupo, inclusive cogitando formar uma banda de cover dos Beatles, tocando músicas já conhecidas. Contudo, ele deixou claro que não tinha intenção de simplesmente reproduzir as canções do grupo, preferindo seguir um caminho próprio.
A relação com Linda McCartney, sua esposa, foi fundamental nesse período de crise. McCartney afirmou que ela foi um ponto de apoio importante, oferecendo espaço e suporte emocional para que pudesse processar a separação e reorganizar sua carreira. Linda, que faleceu em 1998, teve um papel decisivo na sua trajetória pós-Beatles, ajudando-o a encontrar novos rumos.
Um ano após o encerramento oficial do grupo, em 1971, Paul McCartney lançou o projeto Wings, ao lado de Linda e dos músicos Denny Laine e Denny Seiwell. Essa iniciativa marcou uma nova fase na carreira do artista, representando sua reinvenção artística após a dissolução dos Beatles. O Wings se consolidou como uma das principais referências na trajetória solo de McCartney, com várias músicas de sucesso e uma nova identidade musical.
A entrevista com Judd Apatow ocorreu após uma exibição especial do documentário “Paul McCartney: Man on the Run”, que retrata sua trajetória após os Beatles. A conversa, que durou cerca de 45 minutos, também contou com a participação do renomado documentarista Morgan Neville, e foi divulgada pela revista Variety, reforçando a importância de McCartney em discutir sua história e os momentos de transição na sua carreira artística.












