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Nando Reis lança quatro álbuns de músicas inéditas e prepara turnê por 25 cidades

nando reis

Trabalho mais ambicioso de sua carreira até então, como ele mesmo define,
Uma Estrela Misteriosa é um projeto colaborativo, inclusivo,
sustentável e descentralizado

Sou da década de 1980, quando todo mundo lançava um álbum novo por ano. O mundo mudou e eu, obviamente, passei a ter um ritmo de lançamentos distinto do que estava acostumado, obedecendo ao mercado. Mas, no fundo, eu sou um compositor de grande produtividade. Hoje, com 61 anos, me sinto muito melhor e mais lúcido. Estou sóbrio, ativo e disposto”, afirma. “Eu sou ligado nessa coisa da quantidade, da série, do agrupamento de itens semelhantes, mas distintos ao mesmo tempo. Esse é o raciocínio que eu tenho não só para músicas, mas para minha própria carreira. Fazer um disco é como organizar vasos, reunindo e agrupando diferentes espécies. Tudo é análogo”, completa ele.

Produzido por Barrett Martin, com co-produção de Felipe Cambraia e produção executiva de Diogo Damascena, os álbuns contam com Nando na voz e violão, junto de Barrett (bateria), Cambraia (baixo), Walter Villaça (guitarra), Peter Buck (guitarra) e Alex Veley (teclados), além de participações de outros músicos ao longo das faixas, como Mike McCready (guitarra), Matt Cameron (bateria), Duff McKagan (baixo), Sebastião Reis (violão de 12 cordas) e Krist Novoselic (baixo). “Esse trabalho é realmente uma obra-prima em termos de composição e experimentação musical, com 30 músicas que transitam por diversos gêneros, como rock, soul, R&B, samba e música clássica. Ironicamente, as origens desse álbum gigante são bastante humildes”, afirma Barrett.

Uma Estrela Misteriosa realmente surgiu de forma despretensiosa. A princípio, Nando e sua banda se reuniram no estúdio Da Pá Virada, em São Paulo, para a gravação de duas músicas inéditas para o programa “Singing Earth”, idealizado por Barrett. “Fomos tão bem que acabamos gravando dez músicas. Nesse meio tempo, ele escreveu outras dez. Apesar de não termos planejado, quando nos demos conta, estávamos gravando um álbum. Foi tudo muito rápido e natural”, lembra Barrett. “Se me perguntam qual é a minha profissão, eu respondo ‘sou um fazedor de discos’. É o que eu mais gosto de fazer, porque reúne tudo: a criação em forma de composição e arranjo, a aplicação do que me formou e a semente para o que virá”, afirma Nando. O registro do processo de criação e gravação das canções se transformou em um documentário homônimo, com direção de Raimo Benedetti.

Nando sempre deixou clara a sua preocupação com causas sociais e fez questão de fundamentar a nova turnê em quatro pilares centrais: inclusão, superação, sustentabilidade e autenticidade. O projeto terá tradutores de libras em todas as apresentações e buscará fornecedores locais para produção de itens exclusivos por onde a turnê passar. Já o viés de superação diz respeito à luta do cantor durante anos contra o alcoolismo e as drogas. Uma Estrela Misteriosa é o primeiro projeto feito pelo artista completamente sóbrio. A preocupação com o meio ambiente é uma das principais bandeiras levantadas pelo músico e, por isso, a turnê respeitará protocolos e indicadores alinhados aos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. “Queremos seguir pelo menos 5 objetivos, dentre os 17 ODS da ONU, em cada cidade pelas quais passarmos”, conta. O último pilar, da autenticidade, leva em conta o fato de que há mais de 40 anos ele percorre o mundo com seus shows e continua a compor canções repletas de subjetividade e características marcantes.