O cantor espanhol Julio Iglesias, de 82 anos, voltou a ser alvo de uma denúncia na Espanha envolvendo alegações de assédio sexual, agressões e condições de trabalho forçado. A acusação foi apresentada por duas ex-funcionárias do artista, que relataram episódios ocorridos em 2021 nas Bahamas e na República Dominicana, onde afirmam ter trabalhado para Iglesias. A denúncia foi formalizada na quinta-feira, 3 de novembro, pela ONG Women’s Link Worldwide, organização que representa as mulheres e que anunciou a ação nesta sexta-feira, 4 de novembro.
Anteriormente, as mesmas mulheres já haviam recorrido à Justiça espanhola em janeiro do mesmo ano. Na ocasião, o caso foi arquivado pelas autoridades judiciais locais, sob o entendimento de que os tribunais da Espanha não tinham competência para julgar os fatos, uma vez que os supostos crimes teriam ocorrido fora do território espanhol. No entanto, a organização de defesa dos direitos humanos sustenta que a legislação espanhola permite reabrir o caso, uma vez que há a possibilidade de investigação e processamento de crimes cometidos no exterior, quando há vínculos relevantes com a Espanha, como a nacionalidade do acusado.
Segundo a ONG, a nova tentativa de reabertura do processo fundamenta-se na legislação que autoriza a jurisdição espanhola a atuar em casos onde um cidadão espanhol é acusado de cometer atos considerados crimes no país onde ocorreram, mesmo que esses atos tenham sido praticados fora do território nacional. A entidade afirma que as duas mulheres relataram “situações contínuas de assédio e agressões sexuais”, além de condições de trabalho que classificam como forçadas e degradantes. Essas alegações reforçam a gravidade das denúncias feitas contra Iglesias, que nega veementemente qualquer conduta inadequada.
A diretora-executiva da Women’s Link Worldwide, Jovana Ríos Cisnero, destacou que o Estado espanhol tem a obrigação de garantir o acesso à Justiça de forma igualitária, independentemente da pessoa denunciada. Ela ressaltou que o objetivo da organização é assegurar que as vítimas tenham seus direitos protegidos e que eventuais abusos sejam devidamente investigados, independentemente da localização dos fatos ou da nacionalidade do acusado.
Julio Iglesias, que construiu uma carreira internacional de sucesso desde a década de 1970 e vendeu mais de 300 milhões de discos ao longo de sua trajetória, nega veementemente as acusações. Em nota, o cantor afirmou que os relatos são “absolutamente falsos” e que nunca “abusou, coagiu ou desrespeitou qualquer mulher”. Sua carreira, marcada por hits como “Soy Un Truhán, Soy Un Señor”, “Gwendolyne” e “Me Olvidé de Vivir”, consolidou sua posição como um dos artistas mais reconhecidos do mundo da música.
A controvérsia envolvendo Iglesias traz à tona debates sobre a responsabilidade de figuras públicas e a necessidade de mecanismos jurídicos eficazes para o combate a abusos, especialmente em casos que envolvem ações ocorridas fora do país de origem do acusado. Enquanto o artista mantém sua posição de inocência, as investigações continuam, e o caso reforça a importância de uma justiça que assegure o direito das vítimas de denunciar e buscar reparação.












