O jornalista e comentarista Guga Chacra, de 50 anos, realizou uma longa travessia de natação ao redor de Manhattan, em Nova York, completando aproximadamente 48 quilômetros em uma prova que ele descreveu como a realização de um sonho. A façanha foi confirmada por ele em entrevista ao jornal O Globo, na qual detalhou todo o percurso e os desafios enfrentados durante a prova.
Segundo Chacra, a travessia teve início às 6h30 de uma quarta-feira de setembro, quando entrou na água no Battery Park, localizado na ponta sul de Manhattan. A prova durou exatas 8 horas e 35 minutos, durante os quais ele nadou em estilo crawl, com apoio de uma equipe de assistência que acompanhava a sua trajetória por meio de um caiaque ao seu lado e um barco atrás, garantindo segurança e suporte durante toda a jornada.
A prova faz parte da chamada Tríplice Coroa da natação em águas abertas, uma das maiores conquistas do esporte na modalidade. Além de completar o circuito ao redor de Manhattan, o desafio inclui também travessias do Canal da Mancha, entre Inglaterra e França, e do Canal de Catalina, na Califórnia. Para se preparar para essa exigente rotina, Chacra realizou treinos diários e maratonas aquáticas em diferentes locais, tanto no Brasil quanto no exterior, acumulando centenas de quilômetros ao longo do último ano. Sua rotina diária envolvia uma média de 6.000 metros de treino, que incluía sessões em piscinas, praias de Nova York, além de treinos no Mar Adriático e em praias como Copacabana.
O percurso ao redor de Manhattan passou por pontos emblemáticos da cidade, incluindo a travessia do East River e a passagem sob cerca de 20 pontes, com destaque para a Brooklyn Bridge e a Manhattan Bridge, que ele cruzou ao nascer do sol. Durante o percurso, o nadador enfrentou diversos momentos de dificuldade, especialmente na região de Hell’s Gate, onde a maré virou contra ele, causando enjoo devido à fumaça do barco de apoio. Capri Djatiasmoro, uma amiga e também nadadora de águas geladas, havia alertado que essa parte do percurso seria a mais difícil, o que se confirmou na experiência de Chacra.
A entrada no Harlem River trouxe uma sensação de alívio, com águas mais calmas e corrente a favor, embora o cansaço tenha se intensificado após cerca de quatro horas de nado. Nesse momento, ele comunicou seu técnico, Samir Barel, que explicou que a prova apresentaria fases de queda e recuperação de energia. Ao chegar ao Rio Hudson, o atleta enfrentou ondas geradas pelo vento contra, que persistiram até o final do percurso, apesar da correnteza favorável.
Durante a travessia, Chacra passou por locais marcantes de sua vida em Nova York, incluindo o hospital onde seus filhos nasceram e a região onde mora e passeia com seus cachorros. Nos metros finais, optou por nadar borboleta, uma decisão de caráter pessoal, enquanto ouvia a buzina dos organizadores na chegada ao Battery Park. Ao avistar sua família na orla, resumiu a experiência com a frase: “Realizei um sonho”.
O relato de Guga Chacra termina com uma homenagem a Frank Sinatra, citando uma de suas frases famosas, além de uma ligação emocional com sua mãe, ex-nadadora na juventude. Ao mencionar o cantor, o jornalista escreveu: “Se você nadar aqui, pode nadar em qualquer lugar”, fazendo referência à famosa frase do artista: “If I can make it there, you can make it anywhere”. A travessia de Chacra representa uma conquista pessoal e esportiva de grande relevância, reforçando seu compromisso com o esporte e sua determinação em alcançar objetivos que, para muitos, parecem desafiadores.












