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Ex-modelo de Playboy relata controle emocional e regras rígidas na mansão de Hugh Hefner

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Imagem: Denise Truscello/WireImage

A ex-modelo e ex-Playmate Crystal Hefner revelou, em entrevista e no lançamento de seu livro de memórias, detalhes sobre o ambiente de controle e manipulação que afirma ter vivido durante seu casamento com Hugh Hefner, fundador da revista Playboy. Crystal, que começou a namorar Hefner aos 21 anos e se casou com ele em 2012, quando ele tinha 86 anos, descreveu uma rotina marcada por regras rígidas, vigilância constante e um ambiente de isolamento emocional na mansão da Playboy, onde permaneceu até a morte do empresário, em 2017.

Segundo Crystal, ela demorou a perceber o grau de controle emocional exercido por Hefner dentro da residência. Em entrevista ao podcast “No One Asked Her”, ela afirmou que sofreu uma espécie de lavagem cerebral, na qual passou a duvidar de sua própria sanidade devido à idolatria que a mídia e a sociedade tinham por Hefner. “Acho que sofri uma lavagem cerebral absoluta, mas não havia nada lá fora que me validasse. Então, eu pensava que eu era a louca, porque toda a mídia colocava o Hef em um pedestal tão alto que eu pensava: ‘Ok, se todos o veem como esse ser humano incrível e maior que a vida, deve haver algo de errado comigo'”, declarou.

Crystal também relatou que, na época, chegou a defender Hefner publicamente, mesmo se sentindo isolada e sem contato com sua família. Ela descreveu um ambiente de regras estritas, incluindo horários fixos para atividades cotidianas, como uma noite de cinema às seis horas, que funcionava como uma espécie de toque de recolher disfarçado. “Era meio que disfarçado o controle coercitivo, tipo: ‘Ah, essa é a hora da noite de cinema’. Ok, essa é a hora do meu toque de recolher e do meu controle”, explicou.

A rotina rígida e a vigilância constante também afetaram atividades simples fora da mansão. Crystal revelou que, após sair do local, foi preciso que Hefner morresse para que ela conseguisse deixar o ambiente. Ela afirmou que, ao sair, tinha dificuldades até para ligar os faróis do carro, pois estava acostumada a estar sempre em casa antes do anoitecer. Ela também descreveu que cerca de 70 funcionários acompanhavam a rotina na propriedade, contribuindo para a sensação de estar sempre sendo observada, o que reforçava as regras impostas.

Em relação ao relacionamento, Crystal contou que conheceu Hefner aos 21 anos e que o casamento durou até a morte dele, em 2017, após um noivado iniciado em 2010 e uma separação pouco antes do casamento marcado em 2011. Após a perda do marido, ela enfrentou dificuldades para reorganizar sua vida, passando semanas reclusa. Crystal afirmou que, na mídia, Hefner sempre foi retratado como uma figura quase imortal, o que dificultou o processo de luto.

Apesar de suas críticas atuais, Crystal chegou a falar positivamente sobre o casamento logo após a morte de Hefner, afirmando que ele lhe ensinou valores como amor e bondade, além de abrir sua mente para novas oportunidades. Em seu livro de memórias, intitulado “Only Say Good Things: Surviving Playboy and Finding Myself”, lançado em 2024, ela detalha uma relação marcada por abuso emocional. Crystal relata que Hefner podia ser charmosa, mas também cruel, cobrando de ela padrões de aparência e comportamento, incluindo regras sobre peso, unhas e roupas, além da obrigatoriedade de usar o logotipo da Playboy em suas roupas.

Ela descreve que, com o tempo, passou a entender o impacto desse controle sobre sua autoestima e comportamento. Crystal explicou que, na época, acreditava que precisava se aprimorar para agradar Hefner, sentindo uma necessidade de protegê-lo, possivelmente por pena ou por uma espécie de síndrome de Estocolmo. Ela afirmou que buscou terapia após deixar a mansão e que sua intenção ao relatar suas experiências é ajudar outras pessoas a compreenderem os efeitos de ambientes abusivos.