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Deputado Mario Frias, alvo de operação da PF, interpretou político corrupto em novela de 2004 a 2005

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Imagem: Reprodução

O deputado federal Mario Frias (PL-SP) foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) na manhã desta quarta-feira, que investiga possíveis irregularidades relacionadas ao uso de emendas parlamentares. A ação ocorreu no âmbito de uma investigação que busca esclarecer suspeitas de desvios envolvendo recursos públicos destinados à produção do documentário “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, no qual Frias atua como produtor-executivo e roteirista. A operação, denominada Make Up, cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em diferentes locais, incluindo residências e escritórios, e foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, relator de processos relacionados ao desvio de emendas parlamentares.

O que torna o episódio ainda mais relevante é o fato de Mario Frias ter interpretado na televisão, na novela “Senhora do Destino”, exibida originalmente entre 2004 e 2005, um personagem que guarda semelhanças com o perfil que atualmente é investigado. Na trama, Frias deu vida a Thomas Jefferson Bezerra de Souza, um jovem deputado de esquerda que, embora se apresentasse como idealista, envolvia-se em práticas de corrupção. O personagem, nomeado em homenagem ao ex-presidente dos Estados Unidos Thomas Jefferson, circulava por Brasília usando terno, e buscava espaço na mídia e votos por meio de ações políticas que, na prática, revelavam-se corruptas.

O personagem Jefferson também tinha uma vida amorosa tumultuada, sendo retratado como mulherengo e dividido entre Brasília e o Rio de Janeiro, onde tentava conquistar apoio na periferia. Sua trajetória na novela mostrava um político que, apesar de suas falhas pessoais, utilizava sua posição para obter vantagens políticas e prestígio. O enredo culmina com Jefferson se casando com Marinalva, interpretada por Tânia Khalill, e se mudando para Brasília, onde continuava atuando como deputado, consolidando sua carreira política fictícia.

A investigação da PF também aponta para possíveis ligações entre as emendas indicadas por Frias e a produção do documentário “Dark Horse”, que aborda Jair Bolsonaro. Segundo as apurações, há suspeitas de que recursos oriundos dessas emendas tenham sido utilizados para financiar o produção do filme, no qual Frias aparece como produtor-executivo e roteirista. Além disso, a operação envolve a empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora GoUp Entertainment, ligada ao projeto, bem como duas organizações não governamentais sob sua coordenação: a Academia Nacional de Cultura (ANC) e o Instituto Conhecer Brasil (ICB). Essas entidades também estão sob investigação por supostas irregularidades relacionadas às emendas parlamentares.

Em resposta às acusações, Mario Frias afirmou categoricamente que as denúncias envolvendo as emendas são “absolutamente falsas” e difamatórias. Sua defesa também destacou que, de acordo com a própria Câmara dos Deputados, as emendas indicadas por ele tiveram sua legalidade reconhecida, reforçando a posição de que não há irregularidades em suas ações parlamentares. As investigações continuam, e o inquérito busca esclarecer possíveis desvios de recursos públicos, além de apurar a relação entre as emendas e o financiamento do projeto audiovisual em questão.