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Série da Netflix sobre Lizzie Borden mistura fatos históricos e ficção na quarta temporada de “Monster”

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Imagem: Divulgação

A quarta temporada da série “Monster”, disponível na Netflix desde 17 de setembro, traz uma releitura do caso de Lizzie Borden, que conquistou o primeiro lugar entre as produções mais assistidas no Brasil. A narrativa apresenta uma versão ficcional do episódio ocorrido em 1892, quando Lizzie foi acusada de matar seus pais a machadadas, embora ela tenha sido posteriormente absolvida. A produção, assinada por Ryan Murphy e Ian Brennan, combina elementos históricos documentados com diversas liberdades criativas, o que levanta questionamentos sobre o que é real e o que é ficção na trama.

A série mantém alguns fatos verídicos, como a profissão do pai de Lizzie, Andrew Borden. No enredo, ele é retratado como marceneiro que produz móveis e caixões, o que de fato ocorreu na vida real. No entanto, a produção sugere, sem evidências, que Andrew mutilasse corpos para adequar os cadáveres aos caixões, uma hipótese que não possui respaldo em registros históricos. Outros aspectos também são alterados para fins dramáticos, incluindo explicações médicas e relações familiares que não têm comprovação. Por exemplo, a série retrata Lizzie sofrendo de menstruações extremas e dolorosas, além de uma suposta condição de hímen imperfurado, detalhes que não encontram respaldo em documentos históricos relacionados ao caso.

Outra mudança significativa envolve o casamento de Andrew com Abby, madrasta de Lizzie. A produção mostra o casal se casando poucas semanas após a morte da primeira esposa de Andrew, Sarah Morse, o que difere da realidade, já que registros indicam que o matrimônio ocorreu aproximadamente dois anos depois da morte de Sarah. Além disso, a série inventa tentativas de envenenamento, sugerindo uma parceria entre Lizzie e Bridget, empregada da família, para matar Andrew e Abby por intoxicação alimentar antes de planejarem o assassinato com machados. Não há registros históricos que confirmem essas tentativas ou qualquer ligação entre Lizzie e Bridget nesse contexto.

No que diz respeito às representações do relacionamento entre Lizzie e Bridget, a série os retrata como um romance e uma aliança para cometer os crimes, embora não haja evidências que sustentem essa hipótese na realidade. Além disso, a produção inclui um episódio envolvendo uma tentativa de assassinato de Bertha Manchester, amiga da família, cuja morte ocorreu de fato, mas não foi atribuída a Lizzie ou Bridget; a acusação foi de Jose Correa de Mello.

A narrativa também faz conexões fictícias com outros casos históricos, como a suposta relação de Lizzie com a atriz Nance O’Neil, que teria treinado Lizzie para o julgamento devido ao interesse pelo teatro. Na prática, as duas só teriam se conhecido anos após o processo. Após ser absolvida, a série tenta estabelecer uma ligação entre Lizzie Borden e Aileen Wuornos, serial killer americana, embora não haja qualquer relação ou evidência que sustente essa conexão.

Em síntese, a nova temporada de “Monster” apresenta uma mistura de fatos históricos e elementos ficcionais, criando uma narrativa que, embora baseada em um caso real, incorpora diversas invenções para fins dramáticos. Essa abordagem reforça a importância de distinguir o que é verídico do que foi criado para entretenimento, especialmente em uma produção que alcançou grande repercussão internacional.