A Netflix revelou, por meio de um de seus diretores, que a plataforma de streaming já empregou ferramentas de Inteligência Artificial (IA) em pelo menos 300 filmes e séries ao redor do mundo. A informação foi divulgada durante o Festival de Cinema Internacional de Busan, na Coreia do Sul, por Lee Sung-gyun, diretor responsável pela operação da Netflix na região da Ásia e do Pacífico. Segundo ele, o uso da IA tem contribuído significativamente para o aprimoramento das produções, atuando em diferentes etapas do processo de criação.
De acordo com Lee Sung-gyun, a implementação da tecnologia ocorre em diversas fases das produções, incluindo pré-visualização, design de produção, elaboração de conceitos de decoração de cenários, edição e efeitos visuais. Ele destacou que a ferramenta tem sido fundamental para otimizar recursos e acelerar processos, especialmente em projetos com orçamentos e prazos restritos. Para ilustrar, o diretor mencionou a utilização de IA na produção de cenas de multidão, como foi feito no filme “Glory”, produzido pelo Netflix na Índia, onde a tecnologia facilitou a criação de grandes cenas sem a necessidade de contratar um grande número de atores ou realizar gravações extensas.
Durante o painel no festival, foi exibido um vídeo do Eyeline, estúdio de efeitos visuais da própria Netflix, que apresentou uma proposta de produção híbrida. Essa abordagem combina filmagens com atores reais, efeitos visuais e ferramentas generativas de IA, buscando integrar tecnologia e técnicas tradicionais de forma mais eficiente. A utilização de IA pelos efeitos visuais permite, por exemplo, gerar cenas complexas de multidões de forma mais rápida e econômica, o que, segundo Lee, é uma solução especialmente valiosa diante de limitações de orçamento e cronograma.
O executivo também reforçou que a adoção de novas tecnologias não altera o propósito fundamental das produções, que é contar boas histórias. Segundo ele, a tecnologia serve para aprimorar o “como” se faz, mas nunca para definir o “porquê” de uma narrativa. Essa reflexão surge em um contexto de debates sobre o impacto da IA na indústria do entretenimento, especialmente após a polêmica envolvendo a possível utilização de ferramentas generativas na criação da quinta temporada de “Stranger Things”, lançada em 2025. Na ocasião, fãs apontaram uma suposta evidência de uso do ChatGPT por roteiristas da série, após identificarem uma aba aberta no navegador de um dos profissionais envolvidos, o que a plataforma Netflix não comentou oficialmente.












