Polícia Civil descarta possibilidade de Romeu Zema ser autor de abuso sexual contra criança

Postado em 18/10/2018 7:05

Polícia Civil descarta possibilidade de Romeu Zema ser autor de abuso sexual contra criança

 

A Polícia Civil divulgou nesta quarta-feira (17) que descarta a possibilidade de abuso sexual de uma criança de 5 anos pelo candidato do Novo ao Governo de Minas Gerais, Romeu Zema. Uma queixa registrada em 2012 apontava o concorrente como suspeito de estupro contra a filha de uma ex-namorada em Araxá, sua cidade-natal, em 2012. O assunto voltou à tona nesta semana após o jornal O Tempo publicar que um instituto de pesquisa teria testado o impacto de uma notícia sobre estupro envolvendo um dos postulantes.

Segundo a publicação, um dos entrevistados na pesquisa qualitativa afirmou que o objetivo do levantamento era identificar o que definiria o voto na eleição estadual. Em um determinado momento, foi apresentado um boletim de ocorrência policial, de 2012, relatando um caso de estupro contra uma criança de 5 anos protagonizado por um dos candidatos.

Após a repercussão da notícia, o chefe da Polícia Civil mineira, João Octacílio da Silva Neto, afirmou hoje, por nota, que a denúncia envolvendo Zema “foi devidamente investigada por meio de Inquérito Policial que concluiu cabalmente pela falsidade, inexistindo a ocorrência do crime”. O autor da denúncia e pai da criança, Alisson José Brotto, responde atualmente por “denunciação caluniosa”, cuja pena é reclusão entre 2 e 8 anos, além de multa.

Polícia Civil descarta possibilidade de Romeu Zema ser autor de abuso sexual contra criança
Nota de esclarecimento (Polícia Civil/Divulgação)

Romeu Zema publicou uma nota na qual afirma: “Isto é tão revoltante, principalmente por ser pai de dois filhos, que me recuso a continuar este assunto e entrar nessa baixaria”. “É absurdo o que estão tentando me acusar. Não fiz, nem jamais faria uma coisa tão repugnante. O fato é que fui testemunha em um processo de família onde o pai tentava tirar da mãe a guarda da filha”, diz em outro trecho (veja na íntegra abaixo).

A ocorrência (o início do caso)

No dia 21 de dezembro de 2012, Brotto registrou um boletim de ocorrência no 3º Distrito Policial de Curitiba (PR) afirmando que a filha, então com 5 anos, teria sido abusada sexualmente por Zema, com a anuência da mãe da criança, com 29 anos à época. A mulher e o atual concorrente do Novo tiveram um relacionamento amoroso de aproximadamente um ano de duração, que acabou no fim de 2012 – entre outubro e novembro, segundo os próprios.

Aos policiais, Brotto relatou que buscou a filha em Araxá para passar as festividades no fim daquele ano com ela, na capital paranaense. Quando a avó dava banho na criança, notou que ela estava com secreções nas áreas íntimas e que possuía gestos inadequados. A menina teria contado à avó, sempre conforme relato do pai, que acordou durante uma noite e foi à cama da mãe, que estava com Zema. Ali ela teria sido abusada, ainda segundo a queixa.

Polícia Civil descarta possibilidade de Romeu Zema ser autor de abuso sexual contra criança
Alisson Brotto registrou ocorrência no 3º Distrito Policial de Curitiba, no Paraná (Reprodução/Google Street View)

Por fim, o pai da menina relatou que a levou para um posto de saúde em Curitiba, no qual a “médica sinalizou prurido, leucorreia, pus e dores, todos na região genital, onde evidenciava abuso sexual”. O laudo da pediatra foi entregue à polícia mineira. O homem foi orientado a procurar uma unidade policial e realizar uma exame de conjunção carnal ainda na capital paranaense. Esse laudo apontou que não houve conjunção carnal e que a criança era virgem.

A investigação

As autoridades do Paraná encaminharam o caso para a Polícia Civil mineira, já que o suposto crime tinha ocorrido em Araxá. Em depoimento aos policiais, a mãe da criança afirmou que tinha terminado o relacionamento com Brotto em 2009 e, desde então, estava com a guarda da criança. Disse, ainda, que Zema não frequentava a residência dela e sequer conheceu a filha ou teve qualquer tipo de contato com a mesma. Disse, ainda, que acredita que o boletim tinha sido registrado para obter a guarda, o que, de fato, ocorreu.

Bhaz encontrou a mãe da criança, que se recusou a dar entrevista e passou o contato de seu advogado. “Ele [Alisson Brotto] inventou essa história de abuso sexual por causa de uma briga de guarda da criança. Ele fez ligações ameaçando minha cliente. Imediatamente acionei a Justiça, que concedeu uma ordem de restrição: ele não pode chegar a 500m da filha, da mãe ou da avó materna”, disse à reportagem o advogado Robson Merola.

Em depoimento, Zema confirmou a versão da mulher: tinha se relacionado com ela por cerca de um ano, mas afirmou que não frequentava a casa dela e sequer conheceu a filha dela. Os investigadores também interrogaram um vizinho da mulher, que afirmou que ela sempre foi uma mãe dedicada e amorosa e que não tinha o hábito de levar homens na sua residência.

Foi realizado, ainda, um estudo psicossocial na cidade de Araxá, por uma equipe de psicologia, baseado em relatos dos familiares da criança e amigos da família, além de informações levantadas onde a menina estudava. “Das informações levantadas até aqui, nada foi apurado que respalde a possibilidade de ocorrência dos fatos como registrados na inicial. Pontuamos que dois fatores chamam nossa atenção, do estudo dos autos. O fato de que a denúncia foi apresentada quando a criança já estava na companhia do pai por vinte dias”, diz trecho.

“E ainda: se a criança tivesse sofrido alguma violência sua cuidadora na escola não teria notado, já que ela frequentou as aulas (período integral) até as vésperas da sua partida e a idade da criança sugere que ela era acompanhada em sua higienização no ambiente da escola”, questiona outro trecho.

Vídeo e conclusão

Brotto apresentou às autoridades um vídeo no qual a criança relata o suposto abuso sexual. As imagens foram analisadas pela psicóloga Anna Paula Martins Leite, que questionou o fato da condução das sessões ter sido realizada pelo pai ou pela avó, sendo a psicóloga presente no momento da gravação “mera ouvinte dos fatos”.

Leite diz ainda que “uma criança abusada possui sentimentos de tristeza, culpa, medo, angústia, e evidência dificuldade de relatar a experiência vivenciada”.  “Porém, nos vídeos percebemos que a criança conta como se fosse algo alheio a ela, ou seja, uma estória contada por outra pessoa que não lhe causa sofrimento, daí pode-se suspeitar que a criança foi influenciada a relatar essa história”, afirma.

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Relatório da Polícia Civil (Reprodução)

Ao fim do relatório assinado em janeiro de 2014 pela delegada Paula Lobo Rios, a policial descarta a possibilidade de Zema ser autor do suposto estupro. “Diante das provas produzidas, declarações dos pais da menor, laudos psicológicos e médicos, depoimentos das testemunhas e informações colhidas na escola da menor, essa autoridade policial entende que não restou comprovada a situação de abuso por parte do investigado Romeu”.

Pai denunciado

Em março de 2014, a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público de Minas contra Alisson José Brotto por denunciação caluniosa, por duas vezes. “Doravante, no decorrer das investigações, apurou-se que inexistiu a infração penal investigada, sendo tal forjada pelo imputado. Verifica-se que o denunciado, de forma concomitante à notitia criminis, ajuizou ação cível na comarca de Curitiba, pleiteando a guarda da criança, aduzindo como causa de pedir o suposto abuso sexual sofrido por sua filha”, diz trecho de documento assinado pelo promotor de Justiça Fábio Soares Valera.

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Denúncia do Ministério Público (Reprodução)

Bhaz ligou para Brotto e para a família do mesmo, mas os telefones não foram atendidos. Esta reportagem será atualizada assim que obtivermos sucesso nesse contato.

Nota de Romeu Zema

Polícia Civil descarta possibilidade de Romeu Zema ser autor de abuso sexual contra criança
Romeu Zema/Divulgação

fonte: https://bhaz.com.br/2018/10/17/policia-descarta-romeu-zema-abuso-crianca/

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