Fernando Morgado analisa como o rádio se destaca na publicidade de bets
O mercado de apostas esportivas e loterias tem crescido de forma acelerada no Brasil. Com a regulamentação do setor e a entrada de grandes players internacionais, os investimentos em publicidade acompanham essa expansão. Os dados comprovam essa tendência: de janeiro a agosto de 2024, os sites de apostas investiram R$ 2,3 bilhões em mídia no país, segundo a Kantar IBOPE Media. Esse número impressionante reforça que o setor está em plena ascensão e se tornou um dos grandes anunciantes.
Entre os diferentes canais de comunicação, o rádio se destaca como o meio preferido pelos apostadores para receber anúncios personalizados. De acordo com a pesquisa da Nielsen, 46% dos jogadores de bets e loterias preferem ouvir publicidade nessa mídia. Esse percentual supera outros meios digitais, como anúncios on-line (41%), posts em redes sociais (39%) e até mesmo podcasts (37%). Mas por que o rádio tem essa força com esse público?
Por que o rádio é tão eficiente para esse
público?
O rádio tem características únicas que fazem dele um meio
extremamente eficaz para impactar os jogadores de apostas. Um dos
fatores principais é a instantaneidade. O apostador muitas vezes
busca informações em tempo real, como cotações de jogos, resultados
e prognósticos. O rádio, com sua programação ao vivo e sua conexão
direta com o ouvinte, entrega esse conteúdo com rapidez e
credibilidade.
Além disso, há a questão da mobilidade. Muitos apostadores consomem o rádio enquanto estão no trânsito, no trabalho ou realizando outras atividades. Esse acesso prático e sem interrupções permite que a mensagem publicitária seja recebida sem a concorrência de distrações visuais. Isso significa que os anúncios têm maior atenção e retenção do público, aumentando suas chances de conversão.
A regulamentação aumenta o potencial do
setor?
O crescimento das apostas no Brasil não acontece por acaso. A
regulamentação do setor foi um passo fundamental para atrair
grandes marcas e profissionalizar ainda mais o mercado. Só no ano
passado, o governo federal autorizou 66 empresas e 138 marcas a
operarem no país. Além disso, arrecadou R$ 2,01 bilhões em
outorgas, segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas, vinculada ao
Ministério da Fazenda. Esses números mostram que o segmento está
longe de atingir seu teto e que o volume de investimentos em
publicidade só tende a crescer.
Para o rádio, essa expansão representa uma grande oportunidade. As casas de apostas precisam de veículos que ofereçam credibilidade, capilaridade e engajamento do público. O rádio entrega todos esses atributos e, ainda por cima, conta com a confiança do ouvinte, um fator determinante para marcas que buscam se consolidar no mercado.
O que o rádio pode fazer para ampliar esse
protagonismo?
Se o rádio já é o meio preferido para anúncios do setor de apostas,
o próximo passo é aprofundar essa relação e explorar ao máximo seu
potencial. Uma estratégia que pode ser intensificada é a produção
de conteúdos especializados. Programas esportivos e boletins com
informações sobre odds, estatísticas e análises de partidas podem
se tornar um canal direto entre as casas de apostas e os ouvintes,
ampliando o engajamento e aumentando a relevância da mídia.
Outra frente importante é o uso de campanhas mais criativas. O rádio precisa ir além do simples spot publicitário e investir em ativações inovadoras. Parcerias com comentaristas esportivos, transmissões interativas e promoções exclusivas podem fortalecer ainda mais o impacto da publicidade e gerar um retorno ainda maior para os anunciantes.
Os dados deixam claro: o rádio não apenas se mantém relevante, mas também lidera segmentos estratégicos da publicidade. Com um público fiel, formatos flexíveis e capacidade de entrega imediata de conteúdo, ele segue como a mídia sonora mais eficiente para impactar os jogadores de apostas e loterias.
A tendência para os próximos anos é de crescimento. Quanto mais o setor investir em publicidade, mais o rádio poderá consolidar sua posição como um parceiro essencial para as marcas do segmento. O meio já provou seu valor e, agora, tem a oportunidade de transformar essa vantagem em um ativo ainda mais forte dentro do mercado publicitário brasileiro.
Fernando Morgado é consultor e palestrante com mais de 15 anos de experiência nas áreas de mídia e inteligência de negócios. Atendeu clientes como Band, Grupo Globo e SBT. É Top Voice no LinkedIn e tem livros publicados no Brasil e no exterior, incluindo o best-seller Silvio Santos – A Trajetória do Mito. Foi coordenador adjunto do Núcleo de Estudos de Rádio da UFRGS. Mestre em Gestão da Economia Criativa e especialista em Gestão Empresarial e Marketing pela ESPM.
*Informação: Fernando Morgado / MIDIACOMMS
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