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Rascunhos da Vida

Rascunhos da Vida: Palavras de aflição

Postado em 03/03/2020 6:00

Conhecer as palavras e suas significações expande nosso entendimento, e com certeza nos fazem refletir como é abrangente o sentido de algumas frases.

Jó 16

Retirado do Arquivo Pessoal. Um presente do Frei Miguel.

Antes de fazer o seminário e estudar com mestres (que muito me ajudaram, fortaleceram e instituíram na teologia, bem como no conhecimento das línguas originais) aprendi que para ouvir Deus falando é preciso ler a Bíblia. E algumas vezes a leitura precisa ser acompanhada de um bom dicionário por perto (não entenda mal eu adoro o “Aurélio Buarque de Holanda”), e se possível três traduções diferentes.

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Isso vai lhe ajudar a entender que o cilício de Jó nada mais é que uma roupa de pele sem nenhum tipo de luxo ou delicadeza, e não aquele mineral que auxilia na evolução tecnológica e que já nomeou até uma região dos Estados Unidos (o Vale do Silício).

Jó estava revoltado. Seus amigos tinham um tom acusador, falavam de forma dura, direta e penetrante. Eram acusações e mais acusações. Algumas com respaldo outras apenas supostas por eles. No entanto essas palavras eram palavras soltas (verso 2), recheadas de soberba (verso 4), e por sua vez muito incômodas (verso 1).

Não eram palavras de fortalecimento (‘āmaş – alertar, fortificar, tornar forte, obstinado), consolação (tanhûm – conforto, compaixão, tenra misericórdia) e brandura (hāśakh – poupar, preservar, abrandar, intervir) conforme o verso cinco, pelo contrário de zombaria, confronto e lágrimas (verso 20).

Um dia minha mãe me contou a história de um jovem que foi para uma faculdade distante e depois de passar muita dificuldade por falta de dinheiro escreve um telegrama com o resto do dinheiro que tinha (um telegrama era pago por palavras redigidas). O telegrama tinha a seguinte frase: “Pai, mande-me dinheiro”.

O pai ao receber o telegrama lê de forma ríspida e grosseira. Então afirma: “Que garoto petulante e atrevido que ideia é essa de dizer mande-me dinheiro. Não vou enviar nada”. A mãe pega o mesmo bilhete e lê em voz alta para o pai. Agora usando aquela entonação de cantiga de ninar, palavras embebidas no mel e destiladas com lágrimas nos olhos. Então diz: “nosso filhinho está sozinho, sofrendo e com fome, não podemos abandoná-lo, pois somos seu último refúgio”. Dito isso. O recurso foi enviado na quantia necessária e no momento oportuno.

Com isso aprendi que a forma de dizer a mesma coisa faz a diferença quando falo com fortalecimento, consolo e brandura. É como diz o hino antigo “olhar com simpatia os erros de um irmão e todos ajudá-lo com branda compaixão”.

Pense nisso, como suas palavras afetam seus amigos. Elas trazem alívio ou aflição?

Um grande abraço!
Nos eternos e fraternos laços do amor de Cristo.

Rodrigo Fonseca Andrade
Um servo que solta palavras de aflição, mas que se esforça para que as próximas sejam de brandura e compaixão.

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Autor do blog: Rodrigo Andrade

Rodrigo Fonseca Andrade é um microempreendedor, teólogo e professor de línguas clássicas (Grego Koinê e Hebraico Massorético). Casado com Sílvia e pai de João Victor e Isabelle. Com formação em Tecnologia, Meio Ambiente e Teologia. Tem como objetivo principal tornar o conhecimento teológico simples e abrangente. Sendo assim demonstra através de fatos da vida como Deus é soberano e dirige nossa história pessoal. Neste blog você lerá, lembrará e se identificará com muitos dos fatos bíblicos exemplificados de forma simples e objetiva.

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