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Finanças: Quanto eu aguento ter em risco?

Postado em 03/04/2020 12:00

Uma das coisas mais comuns de se ouvir de assessores financeiros é: você deve alocar em renda variável ou em qualquer outro ativo de risco, apenas o quanto você aguenta.

Uma das coisas mais comuns de se ouvir de assessores financeiros é: você deve alocar em renda variável ou em qualquer outro ativo de risco, apenas o quanto você aguenta.

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Eu, particularmente, digo isso frequentemente. Mas mesmo assim, essa é uma das perguntas que eu mais ouço: Marilia, quanto você colocaria?

Essa resposta é extremamente pessoal e depende de um conceito que chamamos no mercado financeiro de "tradeoff". Que significa troca.

Deixa eu dar um exemplo…

Imagine que você adora pizza e sorvete e essa combinação te deixa muito feliz.

Você tem 10 reais no bolso, e vai para a pizzaria. A pizza custa 2 reais o pedaço, e o sorvete custa 1 real cada bola.

Você pode pedir 4 pedaços de pizza e 2 bolas de sorvete por 10 reais. Mas pode também pedir apenas 5 pedaços de pizza e nenhum sorvete. Ou ainda pode pedir 3 pedaços de pizza com 4 bolas de sorvete.

O importante aqui é você notar que só consegue aumentar um item, se reduzir o outro. Ou seja, é preciso fazer escolhas!

Partindo de qualquer um desses pontos, você só consegue ter mais de AMBOS os itens se tiver mais dinheiro. Mas para uma mesma quantidade de dinheiro, você tem que abrir mão de um para ter mais do outro.

Eu, Marília, confesso que não sou muito fã de sorvete. Vai entender, não é mesmo?

Então eu posso te dizer facilmente que se eu for na pizzaria com 10 reais, vou preferir comprar tudo em pizza. Isso irá me trazer mais felicidade.

Já a Dani, minha enteada, é alucinada por sorvete. Ela certamente iria preferir jantar somente sorvete e nem ligaria para a pizza.

Não adianta alguém me dar um monte de sorvete, que eu não vou ficar mais feliz. Da mesma forma que não adianta tirar o sorvete da Dani para dar mais pizza. Ela ficaria bem chateada.

O que eu quero mostrar aqui é que cada um tem sua curva de preferências, e ela é extremamente pessoal. A minha escolha não vai fazer a Dani feliz, da mesma forma que a escolha dela não vai me fazer feliz.

O tradeoff entre "risco x retorno"

O maior tradeoff do mercado financeiro é o risco contra o retorno.

Se você não quiser correr risco nenhum de perder dinheiro, pode investir no Tesouro Selic e render atualmente 3,75 por cento ao ano. O que hoje é bem pouco.

Mas, se aceitar correr um pouco mais de risco, pode investir em um CDB de banco seguro rendendo a 110 por cento do CDI. Ou seja, 4,12 por cento. Mas você passa a correr o risco de o banco quebrar, o que é baixo fora da crise, ainda mais com a garantia do FGC.    

Se aceitar ainda um pouco mais de risco, pode investir em uma debênture de empresa grande a 170 por cento do CDI, já subindo seu retorno esperado para 6,37 por cento. O risco aí já sobe mais, pois a empresa poderia quebrar sem que o título tenha nenhuma garantia.

Se aceitar correr ainda mais risco, pode investir em ações, com o potencial de dobrar o seu capital. Mas aí já correria o risco de ver seu capital se reduzir pela metade.

O fato é: quanto maior o potencial de retorno, maior é o risco do investimento. Isso funciona igualmente para todo mundo.

Mas o quanto de risco se está disposto a correr para ter 1 por cento a mais de retorno é um arranjo bem diferente de pessoa para pessoa.

Eu, que conheço bastante o mercado e estou acostumada a correr risco e ver meu capital oscilar, aceito uma carteira um pouco mais arriscada sabendo que isso irá aumentar meu potencial de ganho. Para aumentar o meu potencial de retorno em 1 por cento, eu aceito correr mais risco que a média das pessoas.  

Já a minha avó pensa diferente. O aumento do estresse dela ao ver seu patrimônio oscilar muito é muito maior do que o potencial de retorno a mais que ela pode almejar. Para aumentar o potencial de retorno dela em 1 por cento, ela aceitaria muito pouco risco a mais.

Ou seja, ela tem preferências diferentes da minha. Não adianta eu alocar 80 por cento de bolsa para ela. Seria um estresse enorme para ela lidar, sem a respectiva felicidade a mais do potencial de retorno. Ela ficaria, no final, mais infeliz.

Já o Bruce Barbosa, é totalmente o contrário. Se eu fizer uma carteira para ele com 80 por cento de renda fixa, ele "voa no meu pescoço", e vai me dizer que se for para ganhar 3,75 por cento, melhor nem investir.

Qual a sua preferência?

Para definir o quanto você vai colocar em bolsa é preciso ser bem honesto consigo mesmo. Ver 50 por cento do seu patrimônio cair pela metade vai te deixar muito mais triste do que ver ele dobrando?

Então esse percentual não é para você. É muito mais risco do que você aguenta.

Por outro lado, te parece bem óbvio que ver 10 por cento do seu patrimônio cair em 50 por cento sem dar a menor importância?

Então talvez você possa alocar um pouco mais do que isso.

Se o número ideal não é óbvio para você ainda, a melhor dica que eu dou é: na dúvida, tenha menos do que você acha que aguenta.

Você não terá certeza de ter a alocação ideal até passar por uma boa crise.

Enquanto o mercado estiver subindo sempre vai parecer que você tem menos do que gostaria. Mas é durante uma crise que você realmente percebe a corda apertando no pescoço.

Parece óbvio, mas não é.

Apesar disso tudo parecer bem óbvio, pelo menos para mim, percebo que essa é a maior dificuldade dos investidores pessoa física.

Vejo alguns investidores desesperados, e até mesmo bravos com seus assessores, por conta da performance de suas ações durante essa crise.

Esse sentimento de "perdi mais do que eu podia" é o pior que você pode ter como investidor, pois ele te cega para o que pode acabar se tornando a maior oportunidade de ganho de capital daquele período.

Quanto mais conservador você for, maior é o retorno que irá exigir para tomar um determinado risco. Como já descrevi acima.

Porém, durante uma crise, os preços ficam tão deprimidos, e as taxas de retorno tão elevadas, que para você correr o mesmo risco de determinada empresa, você acaba tendo um potencial de retorno muito maior. É aí que você consegue aumentar bastante sua alocação, sem fugir da sua curva de preferência conservadora.

Ou seja, ser conservador significa apenas que você exige um desconto muito maior para investir naquele ativo. E isso não é nenhum demérito. Você provavelmente estará mais alocado depois de épocas de crise, e menos alocado durante épocas de euforia.

Mas se você é conservador e aloca mais do que consegue aguentar quando o mercado está pagando pouco, em épocas de crise você não vai conseguir aceitar correr um risco maior. Restará apenas ficar torcendo para que as coisas voltem aos preços anteriores, sem que isso signifique ganhos adicionais no final das contas.

A bolsa de valores abre todo dia, e oportunidades sempre vão aparecer, sejam elas boas ou muito boas. Mas ter o tamanho certo e exigir o tamanho de retorno que te faz dormir bem é o que te dá longevidade e sucesso no mercado. E o que te permite fazer o que tem que ser feito na hora certa.

Postado originalmente por: Nord Research

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Autor do blog: Nord Research

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