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Finanças: Por que nunca mais andei de Patinete

Postado em 17/11/2019 14:00

O Fintwit é arena de batalha no Twitter, onde gestores, traders, PHDs e palpiteiros se digladiam.

O Ultimate Fight do Fintwit

O Fintwit é arena de batalha no Twitter, onde gestores, traders, PHDs e palpiteiros se digladiam.

É quase uma versão moderna de um Coliseu, só que, ao invés de espadas e escudos, são 280 caracteres muito bem selecionados.  

E, em vez de batalhar pela sua honra e vida, protegem seu ego nos mais diversos tópicos.

Os assuntos são variados. Ora é a Amazon que irá destruir o varejo brasileiro, ora a discussão é sobre o vencedor de longo prazo entre o CDI e a bolsa…

O único momento em que a paz reina nesse pequeno condado é quando a pauta envolve os grandiosos ministros Paulo Guedes e Tarcísio Gomes. Aí a opinião é positiva e unânime.

Tirando isso, as batalhas são sangrentas. Se eu fosse a Globo, pensaria até em comprar os direitos de transmissão e aproveitaria o show.

Contudo, apesar de brigas secundárias, o main event no MMA do Fintwit é a aquela

velha discussão: afinal, volatilidade é risco ou não?

Nessa batalha, que vale o cinturão de ouro, as opiniões divergem.

Acadêmicos dizem que volatilidade é uma componente do risco e que precisamos olhar o retorno ajustado por ele.

Gestores dizem que volatilidade é vida, podendo até gerar mais margem de segurança e menor risco.

Os palpiteiros ficam no meio, torcendo um pouco para cada lado

Mas, nessa disputa, vou ficar com os gestores.

Até porque, se volatilidade fosse uma medida de risco, fundos de crédito seriam basicamente zero risco.

E, apesar do seu AAI (Agente Autônomo de Investimento) talvez falar exatamente isso, sabemos que não é verdade.

O discurso sedutor

Imagine que você precise tomar um remédio para curar uma doença grave e o médico lhe apresenta duas opções:

Imagino que, assim como eu, você preferiria a pílula B.

É um discurso muito sedutor receber mais benefícios com riscos parecidos.

Essa sempre foi a linha de convencimento dos AAIs sobre os fundos de Crédito Privado.

Mas, certa vez, conversando sobre risco versus retorno, um professor me disse estas sábias palavras: “meu caro, você não consegue ter a emoção de pular de paraquedas andando de Kart.”

Em outras palavras, você não consegue ter mais retorno sem incorrer em maiores riscos.

Ele está completamente certo. Isso simplesmente não existe.

O que acontece é que, ao não analisar direito, não medimos os riscos corretamente e pensamos que eles não existem.

Mas, eles estão lá.

E, acredite: negligenciar isso pode custar bem caro.

Não medir risco custa caro

Se você vive em uma grande cidade brasileira, sabe que o trânsito é uma condição quase permanente nas vias das metrópoles.

Particularmente em São Paulo, você multiplica esse efeito por 10.000x e acrescenta mais um pouco a partir daí.

A situação de mobilidade por aqui é tão ruim que não marcamos a distância em metros ou quilômetros, mas em minutos e horas.

É um verdadeiro caos.

Diante disso, qualquer transporte que faça você economizar tempo é um luxo.

Foi nesse momento que eu caí na tentação dos patinetes. A ideia é maravilhosa: ter o benefício de chegar no lugar desejado, mas com menos tempo e sem dor de cabeça.

É o tal do retorno maior, com riscos parecidos.

Pelo menos é assim que eu pensava. O problema foi quando me acidentei, em abril deste ano.

Desde o trágico acontecimento, todo o tempo que eu economizei naqueles dias, hoje eu perco deitado em uma maca de fisioterapia.

Além disso, fiz duas cirurgias e gastei o preço de um carro em sessões fisioterapêuticas.

No final das contas, estava correndo muito risco para pouco ganho.

E, confesso mais uma vez, não foi legal. Todo o benefício que eu auferi naqueles meses, entrego agora multiplicado por 10x.

Porém, é importante que você perceba: até o dia da minha queda, eu tive ZERO problemas usando patinete. A Vol (volatilidade) da minha experiência como piloto do veículo disruptivo era baixíssima.

Era aquele investimento que nunca chacoalhava.

Vejo essa mesma relação com alguns fundos de crédito privado.

Por mais que a cota não apresente volatilidade quase nenhuma, você está incorrendo em riscos que você nem imagina.

Nessa semana, por exemplo, tivemos o pedido recuperação judicial da Rodovias do Tietê.

E, olha só: pela consulta que fiz com a Plataforma do pessoal da ComDinheiro, ainda existem quatro fundos que não remarcaram as debêntures.

Na cota, tem fundo de pensão marcando a 1.300 algo que vale em torno de 200. Outros, marcando ainda em 500.

Ou seja, as quedas desse ativo variam entre 50 por cento e 85 por cento.

Isso quer dizer que, se o fundo tinha na carteira 2 por cento dessa debênture, você entregou 1 por cento. Em um momento de CDI de 5 por cento.

Pois é, entregou todo o excesso de retorno que teve no ano.

Rentabilidade do Índice de crédito Privado da JGP e o CDI (%)

Fonte: Bloomberg

Você vê alguma vol na linha branca até o mês passado? Não, né.

De repente, a cota despenca.  

Um risco desse nunca vai ser medido na volatilidade da cota.

E, aqui fica a minha pergunta a você: vale a pena correr esse risco?

Em outras palavras, você realmente quer a emoção de andar de Kart e correr risco de pular de pára-quedas?

Pessoalmente, prefiro correr risco onde a assimetria está a meu favor.

Essa é a lição que tirei de tudo isso.

Corra risco nos lugares certos

Eu trato o meu portfólio como se fosse um fundo, um family office que pode alocar recursos nos mais diversos mercados.

E, só tenho uma única regra: buscar assimetrias favoráveis.

Tudo que joga contra nós deve ser evitado.

Minha recomendação a você é: prefira ter um pouco mais de risco onde você realmente pode ganhar dinheiro, como nos fundos multimercado e ações.

Essa é a orientação que eu e o Renato temos dado aos assinantes do NORD Fundos.

No restante da carteira, prefira o bom e velho fundo DI.

Nesse, apesar do baixo retorno, o risco é pequeno.

Fazer o contrário pode custar caro.

Um grande abraço.

Postado originalmente por: Nord Research

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Autor do blog: Nord Research

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