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Finanças: Pensamentos Tóxicos

Postado em 29/05/2020 11:00

Cuidado para não deixar a variável errada te influenciar.

As várias formas de aprender

Começo este texto te parabenizando!

O fato de que você resolveu tirar 10 minutos do seu dia para ler estas palavras já é um forte indício de que você está no grupo de pessoas que busca conhecimento da maneira inteligente.

Segundo Sócrates, pessoas inteligentes aprendem com tudo e com todos, pessoas medianas aprendem com suas experiências, e pessoas “não tão inteligentes” (ele usa um termo mais agressivo do que esse) já possuem todas as respostas.

Se ele estivesse escrevendo um livro sobre investimentos, esta frase seria perfeita.

Assim como você, eu também tento aprender ao máximo o que posso sobre investimentos, com tudo e com todos, mas principalmente, com os maiores e melhores investidores de todos os tempos.

Um dos que eu mais admiro é Peter Lynch, lendário gestor do Magellan Fund, onde conseguiu entregar um retorno médio anual de 29,2 por cento nos 13 anos em que geriu o fundo.

No décimo oitavo capítulo do seu excelente livro: One Up On Wall Street (O Jeito Peter Lynch de Investir, em português), Lynch comenta sobre alguns pensamentos tóxicos sobre ações, que podem ser extremamente perigosos à sua saúde financeira.

E é de alguns deles que quero falar hoje.

“Esta ação não pode cair mais.” ou “Esta ação atingiu sua mínima.”

Infelizmente, a única certeza que podemos ter sobre o preço de uma ação é que ele não será inferior a zero.

O fato de uma ação ter caído 50, 70, ou até 90 por cento, não é uma indicação de que ela não cairá mais.

Tentar pegar uma “faca caindo” pode dar certo, mas é muito perigoso. Deixar a faca cair, vibrar um pouco e então se estabilizar costuma ser uma opção mais segura.

Simplesmente não faz sentido pensar que existe uma força mágica que puxará o preço das ações de volta para cima, como se tudo na bolsa tivesse que reverter à média um dia.

Muitas pessoas pensam assim, inclusive profissionais do mercado. Mas uma mentira repetida diversas vezes não faz com que ela se torne verdade, simplesmente porque as pessoas querem.

Investir em empresas em turnaround é uma estratégia perfeitamente válida, mas é recomendável esperar por sinais concretos da melhoria nos fundamentos da empresa, para, então, se posicionar.

Estou longe de ser especialista no assunto, mas caso tenha interesse em investir em turnarounds do jeito certo, o Ricardo Schweitzer e sua equipe fazem isso com maestria no Nord Deep Value[a], não deixe de conferir.

“Esta ação já subiu demais, não pode subir mais.”

O preço de uma ação não pode ser inferior a zero, mas não existe nenhum limite arbitrário ao valor máximo que ela pode chegar.

Se as vantagens competitivas de uma empresa continuam válidas, se seus lucros continuam crescendo, se seus fundamentos não mudaram, vender uma ação porque ela já subiu 50, 100 ou até 200 por cento, também pode ser uma péssima decisão.

Ninguém consegue prever se tem uma tenbagger (ação que se multiplica por 10x) na carteira, mas se você vende as posições vencedoras de sua carteira, exclusivamente, pelo fato de que elas subiram x por cento, você nunca vai pegar as grandes multiplicações de patrimônio que as ações podem te proporcionar.

Colocar um limite de alta é abrir mão da assimetria que deixa o investimento em ações tão vantajoso. E você não está vendendo esta opção no mercado e nem ganhando nada por isto.

Sem se alavancar, você não vai perder mais do que 100 por cento do capital investido em uma ação, mas seus ganhos são infinitos… desde que você não crie uma “carteira cemitério”, que fica de estimação ao longo dos anos.

“Não comprei esta ação, olha quanto dinheiro eu perdi. Vou pegar a próxima.”

Todos seríamos muito mais ricos hoje em dia se tivéssemos comprado Magazine Luiza (MGLU3) antes dela subir 13 mil por cento.

Mas olhe para o seu extrato bancário, você não ficou nem um centavo mais pobre porque descobriu a grande fortuna que deixou de fazer.

Se torturar por não acertar as 10 ações que mais subiram no ano é uma atitude extremamente contraprodutiva. Isso tende a te levar à loucura.

Quanto mais você aprende sobre empresas, mais você vai descobrir que deixou de investir em grandes vencedoras e, em algum momento, vai chegar à conclusão de que poderia ser bilionário hoje.

O real perigo aqui é quando você começa a comprar ações que não deveria comprar, para se proteger de perder mais dinheiro do que você já “perdeu”.

Principalmente, quando ao invés de buscar uma boa empresa negociando a um preço atrativo, você começa a focar em encontrar a próxima XXXX3… isto raramente funciona.

Na verdade, é bem provável que você transforme um erro que não te custou nada em um erro que pode te custar muito.

“A ação subiu, eu estava certo.” ou “A ação caiu, eu estava errado”

Segundo Lynch, esta talvez seja uma das maiores falácias no mundo dos investimentos.

Uma ação que sobe para 6 reais, pouco tempo depois que você a comprou por 5 reais, não prova sua sabedoria.

O problema aqui é se convencer de que o preço maior prova que seu investimento é correto, e depois deixar um preço inferior te convencer que aquela ação é ruim.

O fato é que o preço de uma ação no curto prazo vai depender de vários aspectos não relacionados aos fundamentos daquela empresa.

Às vezes um fundo com uma grande posição na empresa que você comprou tomou um resgate e foi obrigado a vender aquele papel logo depois de você comprar, mas isto não muda em absolutamente nada a capacidade de geração de lucros da empresa para os próximos anos.

Por isso, o que vai provar se você acertou ou errou ao investir em uma ação é o que acontece com os resultados daquela empresa ao longo dos próximos anos.

O preço da ação eventualmente vai acompanhar os resultados daquela empresa no longo prazo.

O denominador comum

No fim da contas, todos estes pensamentos tóxicos estão interligados entre si pelo fato de que a tomada de decisão está se baseando na variável errada: os movimentos do preço de uma ação.

Olhar para o quanto uma ação subiu ou caiu não acrescenta em nada na sua análise, pelo contrário, olhar para o movimento das ações do mercado tende a te influenciar de maneira negativa.

Não estou dizendo que as melhores empresas são os melhores investimentos, estou dizendo que quando o assunto é preço o que importa é o preço relativo de uma ação.

Precisamos comprar o preço daquela ação com os fundamentos da empresa: seus resultados (múltiplos), seu potencial de crescimento, suas vantagens competitivas, seus riscos etc.

Quando encontramos uma empresa que parece barata demais em relação aos seus fundamentos, vamos comprar.

Quando o preço fica alto demais, sem que os fundamentos acompanhem, ou quando os fundamentos simplesmente se deterioram, constatamos que erramos na análise.  Ou quando encontramos uma oportunidade ainda mais atrativa, vamos trocar de ativo.

É tudo, e somente isso, que fazemos no Investidor de Valor.

Abraço,

Em observância ao Artigo 22 da Instrução CVM nº 598/2018, a Nord Research esclarece que oferece produtos contendo recomendações de investimento pautadas por diferentes estratégias e/ou elaborados por diferentes Analistas. Dessa forma, é possível que um mesmo valor mobiliário encontre recomendações distintas em diferentes produtos por nós oferecidos. As indicações do presente Relatório de Análise, portanto, devem ser sempre consideradas no contexto da estratégia que o norteia.

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Postado originalmente por: Nord Research

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