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Finanças: O que te fez ganhar em 2019?

Postado em 29/12/2019 12:00

À espera da 00h

À espera da 00h

Natal é uma época maravilhosa.

Todo ano eu e minha família vamos para a casa da minha mãe no interior de São Paulo passar essa data.

É sagrado, não pode perder de jeito nenhum  acredite, eu já tentei passar essa data no Nordeste com um amigo e foi um parto.

Mas, por mais que os encontros familiares sejam gostosos  principalmente com aquela tia para perguntar das namoradinhas , nada é melhor do que a ceia.

É bacalhau, chester, frango recheado, lombo, rabanada… tudo que existe de mais maravilhoso. Esperamos o ano todo para nos esbaldarmostalvez a própria espera deixe até mais gostoso.

Mas, como tradição, só se toca na comida à meia-noite. O problema é: o relógio marcava 23h e eu já estava verde de fome.

Nesse meio tempo, para tentar me distrair da vontade de comer tudo aquilo, busquei iniciar a leitura de algumas cartas da Dynamo (uma das gestoras de ações mais antiga).

Nem preciso dizer que são maravilhosas. É uma aula de sabedoria de mercado a cada página.

E, no meio daquela pilha de conhecimento, me deparei com a carta 74.

A carta que tem o seguinte título: “filosofia da paciência”, escrita em julho de 2012.

Apesar dos mais de 7 anos de idade, dado toda a euforia, essa carta nunca foi tão atual.

O olhar míope do curto prazo

Naquelas 5 páginas há muito conteúdo de alta qualidade e não eu conseguiria transplantar tudo aqui.

Seria uma missão que beiraria o impossível e eu fracassaria lindamente.

Mas, dentro de todo o escrito, vou pincelar um único ponto discutido ali: os investidores às vezes são míopes pelo resultado de curto prazo e ignoram os riscos de longo prazo.

O exemplo dado é o do setor imobiliário.

Na última safra de IPOs, o mercado viveu uma espécie de lua de mel com o setor.

Os motivos eram os mais diversos, mas eles citam os três mais relevantes: juros mais baixos, um ambiente regulatório mais favorável e um déficit habitacional ainda gigantesco.

Era como se os astros tivessem se alinhado e proporcionado uma ampla avenida de crescimento à frente.

Mas, é claro, faltava um ponto muito importante para essa tese: o dinheiro para financiar essa expansão.

É claro que muitas delas foram ao mercado. Prometeram mundos e fundos e conseguiram captar dezenas de bilhões de reais.

Todas jurando que isso as fariam mudar de patamar.

E, dado todo o otimismo com o setor, muitas delas vieram abastecer suas empresas no mercado de capitais.

Diversas construtoras vieram a público, captando dezenas de bilhões de reais.

Nos próximos anos, deu-se início a largada da corrida pelos lançamentos.

E, de fato, elas buscaram entregar tudo o que havia sido proposto. A aceleração dos lançamentos, medida pelo VGV (Valor Geral de Vendas), foi enorme e você via um novo empreendimento em toda esquina.

Em um primeiro momento, o mercado comemorou tudo aquilo e as ações das empresas subiram como nunca.

Fonte: Bloomberg

A curto prazo, tudo parecia bem.

Acontece que, como certa vez nosso analista de ações, Rafael Ragazi, disse: “no setor de construção civil, o ciclo é longo e duro”.

O estouro da champagne

Enquanto o mercado comemorava e estourava champagne pelos novos lançamentos, mal sabiam eles a ressaca que enfrentariam no momento seguinte.

Em outras palavras, nada está ganho com o lançamento. Na realidade, existe um abismo enorme entre o momento do lançamento e a entrega das chaves.

Nesse meio do caminho, tudo pode acontecer.

E, se algo pode dar errado, vai dar.

Apesar das perfeitas circunstâncias da largada, o caminho até a linha de chegada foi muito mais penoso do que o previsto.

A inflação de custos da construção, a disputa por terrenos, a tentativa desorganizada de expandir geograficamente e os problemas operacionais acabaram transformando o cenário perfeito em um verdadeiro caos.

Aos poucos, vimos perdas de margens e um grande excesso de estoque, levando algumas companhias a terem que buscar novos recursos no mercado.

Resumindo: a miopia do curto prazo e a negligência de olhar os problemas de longo prazo custaram muito para o investidor.

        Rentabilidade acumulada de uma fração das empresas de construção:

Fonte: Bloomberg

Segundo a Dynamo, das 23 companhias que abriram capital, 11 delas até 2012 já ofereciam perdas acima de 40 por cento.

Outras poucas, que não caíram no canto da sereia de tentar crescer a qualquer custo, não apenas sobreviveram, como entregaram resultados muito mais robustos para seus acionistas.

O que diferenciou? A busca pelo crescimento sustentado. Eles podem não ter sido os mais rápidos, mas certamente foram os mais longevos.

Moral da história: cuidado para não se ludibriar por um curto prazo vencedor e esquecer de avaliar dos riscos de longo prazo dos seus investimentos

Afinal, o jogo só acaba quando termina.

Final de ano: momento de reflexão

Esse foi um grande ano para os mercados, principalmente para quem construiu uma carteira de ações.

De fato, foi um ano glorioso e típico de bull market.

Mesmo sem muito critério, foi possível ganhar dinheiro sem necessariamente saber escolher muito bem os ativos.

Até porque, todo tipo de ação subiu. Mesmo algumas esquecidas pelo tempo e só presentes nos fóruns como Eucatex (maior alta de toda a bolsa), General Shopping e Positivo  tiveram altas relevantes.

E, por conta disso, vejo muita gente já estourando a champagne pelos resultados obtidos em suas carteiras.

Tudo bem fazer isso, é bom comemorar. Mas, tomemos cuidado para não cometermos os mesmos erros das construtoras.

Assim como na construção, investimentos também possuem um ciclo longo e composto por várias batalhas pelo o caminho.

Lembre-se sempre disso.

Então, como final de ano é tempo de repensar tudo o que aconteceu, proponho a seguinte reflexão: qual foi a qualidade dos seus resultados?

Independentemente se você ganhou 80 por cento, 40 por cento ou 20 por cento.

Será que você comprou algumas teses ocultas dos fóruns, que subiram 1.000 por cento e por isso está comemorando?

Será que estaria trocando a longevidade dos investimentos pela busca dos ganhos rápidos?

Será que você não está ofuscado pelo brilhantismo do seu resultado de curto prazo e esqueceu dos riscos de longo prazo do que está comprado?

Faça isso e seja franco consigo mesmo.

Comece confrontando as altas da sua carteiras com as teses pelas quais você comprou cada ativo.

Pense. Reflita. Ajuste se for necessário.

O importante é que você esteja vivo para o longo prazo, pois nele poderemos estar ricos, ao invés de mortos.

Um grande abraço e um feliz ano novo!

Postado originalmente por: Nord Research

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Autor do blog: Nord Research

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