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NORD Research

Finanças: Mosaico: o IPO do “Google brasileiro”

Postado em 30/01/2021 10:00

O histórico de crescimento da companhia é impressionante. Mas será que conseguirá criar barreiras contra as gigantes do e-commerce e do "search"?

Google para comprar geladeiras

A Mosaico (MOSI3) é um grupo de sites de busca que compara os preços do e-commerce.

Mosaico é um “Google para comparar os preços dos produtos”.

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As três plataformas mais conhecidas da Mosaico são os sites de busca: Buscapé, Bondfaro e Zoom.

Logo de Zoom, Buscapé e Bondfaro, respectivamente.

[Fonte: Mosaico]

Já deu uma busca?

Mosaico quer ajudar o consumidor em sua jornada de compra. Seu maior diferencial competitivo é o conteúdo original.

Print de uma pesquisa realizada no Zoom.

[Fonte: Zoom]

É maravilhoso poder encontrar o histórico de preços do produto, as lojas e, ainda, saber o que as outras pessoas acharam desse produto sem precisar sair da página.

Facilita o processo de decisão e de compra.

Esse é o mercado que a Mosaico quer atacar.

"Dá uma busca!"

A estratégia da companhia é simples: gerar tráfego em sua plataforma, cobrar por cliques e por publicidade (ads).

Mas cerca de 92 por cento da receita líquida vem do Custo-Por-Clique.

As outras fontes, ainda incipientes, são intermediação (comprar no site e Mosaico recebe comissão por isso) com 5 por cento da receita líquida e publicidade (banner no site) com 3 por cento da receita líquida.

Hoje, estamos falando de 705 milhões de visitas em 2020, mais de 500 lojas parceiras e 1,4 mil categorias de produtos.

Entre as mais vendidas estão smartphones, eletrodomésticos e eletrônicos.

Gráfico apresenta receita por categoria (celulares e telefones; eletrodomésticos; TV e eletrônicos; informática; eletroportáteis; móveis e decoração; moda e acessórios; esporte e lazer; outros).

[Fonte: Mosaico]

Cerca de 38 por cento do tráfego da companhia é orgânico (sem custo), e 62 por cento é comprado de grandes fornecedores como Facebook e Google.

A história da Mosaico é interessantíssima.

125.000x

No Buscapé e no Bondfaro, em 1999, quatro e três colegas criaram, respectivamente, sites para permiti-los comparar preços para compra de uma impressora.

Sim, a história das duas é idêntica.

Em maio de 2006, com a ajuda financeira de um fundo, a Buscapé adquiriu a Bondfaro.

Após a fusão, buscaram criar novas marcas (QueBarato!, CortaContas e Wiki2Buy) e buscaram novas geografias (México, Argentina, Chile e Colômbia).

O crescimento e expansão de produtos chamou a atenção de um grande conglomerado que trouxe uma oferta irrecusável para participar desse crescimento.

A Naspers, conglomerado sul-africano focado em empresas de internet, adquiriu 91 por cento da Buscapé Company em 2009.

Em 10 anos, os fundadores da Buscapé viram seu investimento de 4.800 reais valorizar 125 mil vezes.

O Trade da Década

Sob novo comando, o Buscapé passou por maus bocados, até que, em 2019, com um empréstimo do BTG Pactual, os fundadores da Bondfaro recompraram a companhia por 60 milhões de reais.

Foi um belo trade.

Venderam a empresa por 342 milhões de dólares em 2009 e a recompraram em 2019 por 60 milhões de reais.

E o BTG, que nunca deixou passar dinheiro fácil, ficou com uma opção de compra de 5 por cento da companhia.

Inteligentes que são, o BTG exerceu seus 5 por cento pouco antes do IPO, em 2021.

Receita +89 por cento, Ebitda +84 pc, lucro +50 pc

Até 2019, a Mosaico era composta pelas marcas: Bondfaro, QueBarato!, Moda It, Zoom e outras plataformas de busca e agregadores de oferta menos bem-sucedidos.

Em 2019, a Buscapé voltou para a família da Mosaico.

Hoje, a Mosaico possui apenas 173 funcionários para atender mais de 2 mil lojistas – e as maiores plataformas de e-commerce brasileiras.

Em 2020, foram 705 milhões de visitas acumuladas em suas plataformas.

O crescimento vem forte.

Entre 2017 e 2019, a Mosaico apresentou um crescimento médio de +15 por cento na receita líquida, +62 por cento no Ebitda e +86 por cento no lucro líquido.

Gráfico apresenta receita líquida (em milhares), de 2017 aos últimos 12 meses.

[Receita Líquida – Em Milhares. Fonte: Mosaico, elaborado por Nord Research]

Os últimos 12 meses foram bastante beneficiados pelas maiores vendas online,com o distanciamento social e a pandemia.

O forte crescimento na receita possibilitou a diluição de custos e despesas e trouxe o crescimento de +94 por cento no Ebitda dos últimos 12 meses.

Gráfico apresenta Ebitda (em milhares), de 2017 aos últimos 12 meses.

[Ebitda – Em Milhares. Fonte: Mosaico, elaborado por Nord Research]

O mesmo vale para os lucros, impulsionados pela aquisição da Buscapé.

Gráfico apresenta Lucro Líquido (em milhares), de 2017 aos últimos 12 meses.

[Lucro Líquido – Em Milhares. Fonte: Mosaico, elaborado por Nord Research]

Todo esse crescimento com um ROE (lucro líquido sobre o patrimônio líquido) médio de quase +100 por cento.

O e-commerce deverá continuar ocupando o espaço do varejo tradicional nos próximos anos. Mais crescimento para Mosaico.

Lindo, mas existem riscos.

Apesar do que a empresa defende, acreditamos que o crescimento forte de Mosaico atrapalhará (bastante) o sono de algumas das maiores empresas do Brasil e do mundo.

Risco: "Frenemies"

A Mosaico "cria" fluxo para as varejistas.

Ao mesmo tempo, a Mosaico aumenta a competição por preço entre as varejistas.

Mosaico é a plataforma das plataformas de e-commerce.

A Mosaico não vende produtos. Ela apenas informa o comprador sobre as qualidades dos produtos e o direciona para as varejistas de menor preço (ou para a que paga mais para aparecer na frente).

É uma relação de amigos + inimigos, "friends and enemies" ou "frenemies".

Hoje, apenas 4 por cento das vendas online passam pela Mosaico.

Ao mesmo tempo, 70 por cento das receitas de Mosaico são concentradas nas quatro grandes varejistas:  Magazine Luiza (MGLU3), B2W (BTOW3), Via Varejo (VVAR3) e Amazon.

Hoje, as varejistas e a Mosaico vivem uma relação simbiótica.

Mas não se engane. As varejistas não estão nada felizes em pagar um "pedágio" para a Mosaico comparar os preços de seus produtos (e derrubar suas margens).

O crescimento da Mosaico deverá criar, nas varejistas, a vontade incontrolável de "cortar as suas asinhas".

Amigos, amigos, negócios à parte…

Risco: Google

Mosaico é um Google para comprar geladeiras.

Sabendo disso, a Mosaico corre para criar conteúdos (avaliação de produtos) e se diferenciar do gigante de Mountain View.

Claro, o Google não se especializa nisso, mas já possui uma plataforma de shopping.

Google e Mosaico podem continuar vivendo em harmonia, com o Google indicando os bons conteúdos de Mosaico para seu público.

Mas a ameaça da maior plataforma de pesquisas globais sempre existirá.

Mosaico, se não criar barreiras de entrada irreplicáveis (conteúdos relevantes, por exemplo) e se diferenciar (foco), pode ser abatida pelo Google.

Estaremos de olho…

O IPO de MOSI3

O IPO (initial public offering = Oferta Pública de Ações) será primário (recursos vão para o caixa da companhia) de, no máximo, 500 milhões de reais, e secundário (acionistas atuais da Mosaico venderão suas participações) de, no máximo, 200 milhões de reais.

Tabela apresenta percentual de participação antes do IPO e após IPO.

[Percentual de participação antes do IPO e após IPO. Fonte: Mosaico]

Com a venda das Ações, os três fundadores deixarão de ser sócios controladores e a empresa será uma Corporation (controle pulverizado).

Dos recursos primários do IPO, 11 por cento serão destinados para a quitação da dívida com o BTG e os demais 89 por cento para aquisição para crescimento no e-commerce (aquisições e desenvolvimento da plataforma).

A companhia deseja fortalecer as duas frentes com baixa representatividade nos resultados – publicidade e intermediação.

ROE 100 pc, cresce 60 pc a 20x Ebitda

Os números de MOSI são ótimos.

Informações Financeiras históricas (2019), Faixa Indicativa de Preço e Múltiplos.

[Informações Financeiras históricas (2019), Faixa Indicativa de Preço e Múltiplos. Fonte: Mosaico e Nord Research]

Os dados históricos acima foram calculados utilizando Ebitda e Lucro dos últimos 12 meses.

Lembrando que, em 2020, tivemos forte crescimento impulsionado pelas maiores compras online com a pandemia.

A 20x Ebitda e 23x lucros na faixa média, MOSI apresenta crescimento suficiente (Ebitda crescendo entre +60) para merecer os múltiplos.

Os múltiplos nos parecem até "baratos demais para serem verdade".

Compre MOSI

Com o forte crescimento que vem apresentando, rentabilidade elevadíssima (ROE) e a 20x Ebitda, recomendamos participar do IPO de Mosaico.

A oportunidade de crescimento da plataforma das plataformas é clara, porém, no futuro, os desafios também serão enormes.

Se Mosaico ganhar dinheiro demais vai atiçar a ira das plataformas de e-commerce e do Google.

Estaremos sempre atentos.

Em mercados nascentes (mercado de Mosaico), imaginamos que as mudanças podem ser frequentes e deveremos acompanhar com lupa a criação de vantagens competitivas pela empresa.

Dados os riscos e a necessidade de acompanhar esse mercado, imaginamos que uma posição pequena (5 por cento do portfólio ou menos) é o suficiente, e agiremos assim no ANTI-Trader.

Detalhes da Oferta

Para participar da Oferta, o período de reserva vai até o dia 02 de fevereiro (terça-feira), e as Ações passarão a ser negociadas em Bolsa a partir de 5 de fevereiro.

Cronograma da oferta.

[Cronograma da oferta. Fonte: Mosaico]

O valor mínimo para participar da oferta destinada ao varejo é de 3 mil reais e o máximo de 1 milhão de reais.

No mínimo 10 por cento e no máximo 15 por cento do total das ações serão destinados à oferta de varejo sem lock-up (restrição que impede a venda durante o prazo estabelecido)e com lock-up de 40 dias.

Aqui, acompanhamento é tudo.

Conte conosco.

Postado originalmente por: Nord Research

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Autor do blog: Nord Research

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