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NORD Research

Finanças: Entre dúvidas e certezas

Postado em 20/02/2021 10:00

Mercado de ações nos Estados Unidos estaciona após consecutivos recordes

Uma pausa

Apesar de todo o cenário ainda desafiador relacionado à Covid-19, assim como suas implicações na vida das pessoas e no dia a dia das empresas, podemos dizer que o mercado de ações nos Estados Unidos segue muito bem, obrigado.

Já passamos a metade de fevereiro – um bimestre está por terminar, dá para acreditar? – e os principais índices de ações lá na terra do Tio Sam mostram bons resultados. O Nasdaq sobe 6 por cento, o S&P500 valoriza algo perto de 4,5 por cento e o Dow Jones ganha 3 por cento.

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Desempenho dos índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq 100 de 07/01/2021 a 19/02/2021.

Fonte: Reuters

Apesar deste momento positivo que vive o mercado de ações por lá, o que vimos, ao longo dessa semana, foi uma pausa – investidores estão digerindo melhor alguns dados econômicos, bem como os resultados das empresas, visto que mais de 80 por cento das empresas que compõem o índice S&P500 já reportaram os números do 4T20.

Na média, os números foram bons. A maioria das empresas divulgou resultados acima do que o mercado esperava, tanto em termos de vendas quanto de lucro, o que sinaliza uma economia em ritmo de retomada.

Em termos de crescimento, o agregado das empresas que compõem o índice mostra um aumento de vendas de 2,7 por cento em relação ao trimestre anterior, totalizando 2,87 trilhões de dólares, contra 2,79 trilhões no 3T20.

Com relação aos lucros, o crescimento consolidado reportado por todas as empresas que estão no índice chega a 6,17 por cento, para 349,6 contra 239,3 bilhões no trimestre anterior.

Índice S&P500.

Fonte: Bloomberg

Enquanto as vendas crescem e os lucros também, nada a se preocupar, não é mesmo?

Os investidores estão felizes e seguem aplicando seu rico dinheirinho no mercado de ações. O gráfico abaixo mostra que, na semana passada, tivemos a maior entrada de capitais para o mercado de ações na história, com um montante superior a 50 bilhões de dólares.

Gráfico mostra a maior entrada de capitais para o mercado de ações na história, com um montante superior a 50 bilhões de dólares.

Fonte: Bank of America

Na semana que passou, pudemos constatar uma pausa na marcação de novos recordes por parte dos três principais índices de ações. Mesmo diante de dezenas de bilhões de dólares sendo despejados semanalmente no mercado de ações na terra do Tio Sam, com os resultados das empresas surpreendendo o mercado, os índices arrefeceram.

Pulga atrás da orelha

Em momentos como este – em que bilhões são alocados nos mercados acionários – é que paro e penso sobre esses milhões de investidores.

Muitos são novos, visto que tivemos, ao longo do ano passado, um aumento brutal na quantidade de contas de investimento de varejo sendo abertas nos Estados Unidos.

Apesar de não ter acesso aos dados que mostram quais investidores estão aumentando sua exposição ao mercado de risco, tenho comigo que o mercado de varejo, composto por nós, simples mortais, tem tido uma relevância importante nesse fluxo.

Mas o contraponto de tudo isso é que, apesar de termos perspectivas positivas para a economia dos EUA, o que deve se traduzir em melhores resultados para as empresas e, por consequência, seus acionistas, um movimento também incomum tem se intensificado ao longo dessas últimas semanas – o aumento do prêmio pago pelos títulos do governo americano aos investidores.

Notem, no gráfico abaixo, no qual temos o percentual pago por um título do governo americano, em uma taxa pós-fixada, como se fosse o tesouro Selic aqui no Brasil, o aumento das taxas desses títulos ao longo das últimas semanas.

Gráfico apresenta percentual pago por um título do governo americano, em uma taxa pós-fixada, como se fosse o tesouro Selic aqui no Brasil, e o aumento das taxas desses títulos ao longo das últimas semanas.

Fonte: Bloomberg

O título de dois anos (azul) foi o único que não se alterou muito e continua rendendo perto de zero por cento. Já os títulos de 5 anos (laranja), 10 anos (branco), 20 anos (roxo) e 30 anos (amarelo) estão propiciando um rendimento muito maior do que o visto alguns meses atrás.

As leituras aqui são as mais diversas, e vou deixar para os especialistas em economia debaterem os motivos que estão causando esse movimento. O que posso afirmar é que o mercado passa a precificar um aumento daqui a alguns anos da taxa de juros nos Estados Unidos que, até meados do ano passado, era história para boi dormir.

Risco e Retorno

Investir em ações é ter uma visão de longo prazo. A economia cresce, as empresas também. O faturamento aumenta, o lucro também. O resultado para o acionista aumenta, o preço da ação também – ao menos na maior parte das vezes.

Ter uma empresa envolve riscos – vide o que aconteceu com milhares de pequenas e médias empresas durante a crise, que sumiram do mapa. Então, comprar ações de uma empresa envolve os mesmos riscos.

Aplicar em um título do tesouro americano também possui lá seus riscos, mas eles são inferiores aos inerentes ao mercado de ações. A chance de o governo da maior economia do mundo dar um calote é bem menor do que a de uma empresa deixar de honrar seus compromissos.

Vale aquela máxima – quanto maior o risco, maior o retorno ou quanto menor o risco, menor o retorno.

Com os dados atuais, se dividirmos o lucro anual apresentado por todas as empresas do S&P500 pelo preço das respectivas ações, teremos um valor próximo de 3 por cento – o menor patamar em décadas, como mostra o gráfico abaixo.

S&P500.

Fonte: The Daily Shot e Bloomberg

Esse indicador é chamado de Earnings Yield. Ele é o equivalente ao conhecido Preço/Lucro, mas expresso em percentual, pois, dessa maneira, fica mais fácil de comparar a taxa oferecida pelas ações com os títulos do governo, por exemplo.

A pergunta que eu faço para você é a seguinte: Você prefere um retorno de 2 por cento em um título de 20 anos garantido pelo governo da maior economia do mundo ou um retorno de 3 por cento ao ano garantido pelas empresas que compõem o S&P500?

No cenário atual, as ações ainda oferecem um pouco mais de retorno e possuem mais risco, então, a princípio, tudo certo.

Mas caso os juros longos lá nos Estados Unidos continuem a subir, acredito que muitos investidores – sejam os novos ou os calejados –  irão se perguntar se não vale mais a pena ganhar 3 por cento ao ano “sem risco” do que “com risco”.

A depender da conclusão, ela pode diminuir muito a atratividade dos investimentos em ações, revertendo o fluxo positivo que temos visto nos últimos meses.

Até o bom velhinho

O nosso bom velhinho – Warren Buffett – gosta de um indicador relativamente simples para medir o nível de otimismo/euforia e pessimismo/pânico no mercado de ações.

A conta é simples. Divida o valor de mercado de todas as empresas listadas na bolsa dos Estados Unidos pelo PIB projetado para o ano seguinte.

Com os dados atuais, temos: 49,5 trilhões de dólares (valor de mercado de todas as empresas de capital aberto nos EUA) / 21,7 trilhões de dólares (PIB dos EUA projetado para 2021) = 2,28 ou 228 por cento.

Como mostra o gráfico abaixo, trata-se do maior valor em décadas, superando até mesmo o observado durante a crise das empresas de tecnologia, nos anos 2000. É para se pensar.

Buffett indicator: Value vs. Historical Trend since 1950.

Fonte: Visual Captalist

Nessa semana, nosso querido Warren Buffett, o bom velhinho e mago do mercado com décadas de retornos consistentes, revelou ao mundo algumas mudanças em sua carteira ao longo do último trimestre do ano passado.

Apesar de ainda possuir uma enorme participação na Apple, que hoje é o maior ativo de sua carteira, com 44 por cento do total, nosso querido mago realizou algumas mudanças ao longo do trimestre passado.

Print de tweet do @crivelli_cesar: "Carteira do Warren Buffett atualizada! Qual sua opinião sobre ela?".

Dentre as três novas empresas que ele adicionou à sua carteira, uma delas já estava no portfólio do Nord Global desde seu lançamento! – acho que Warren Buffett está copiando nossas ideias 😉.

Gostaria que você tivesse acesso – não apenas a essa empresa –, mas a todas as que fazem parte da carteira do Nord Global.

Aproveite que a série está aberta para novos assinantes.

CONHEÇA A CARTEIRA COMPLETA DO NORD GLOBAL

Até a próxima semana!

Postado originalmente por: Nord Research

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Autor do blog: Nord Research

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