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Finanças: As várias faces do Ibovespa

Postado em 16/02/2020 11:00

As caras, as não tão caras assim e as baratas. Em qual delas você está?

O vento a favor

Tenho muita curiosidade sobre esportes que envolvem barcos a vela.

Não tenho um motivo muito claro para isso. Simplesmente sempre foi uma atividade que me chamou a atenção.

Existe uma certa pitada de emoção em enfrentar o mar em todas as suas condições e saber encarar cada uma delas.

E, acredite, em algum momento da vida eu tentei me aventurar nisso.

Naturalmente, eu não tinha o menor jeito para a atividade e o fracasso foi certo. Contudo, nem tudo foi em vão.

Daqueles tempos, levo comigo uma única lição: a importância do vento.

Eu não tinha ideia do tamanho da diferença que ele faz. Sua intensidade e direção são grandes definidores nesse jogo.

Estar a favor do vento ajuda. Na verdade, ajuda muito! A velocidade que você desenvolve é incrível.

Agora, a situação é totalmente outra quando é preciso lidar com momentos onde ele se ausenta ou está contra nós.

E, pelo que eu vejo, eu não fui o único a não saber o tamanho dessa diferença. Alguns investidores de bolsa ainda não descobriram isso até hoje.

O Brasil dos últimos anos foi de muito vento a favor

É realmente incrível o que esses quatro últimos anos fizeram com o Ibovespa.

Nesse meio do caminho, vejo muita gente se auto intitulando “gênios do stock picking” por terem escolhido a ação X ou Y que dobrou ou triplicou recentemente.

Seria mesmo isso? Hum, confesso que tenho sérias dúvidas sobre esse diagnóstico.

O que me parece ter acontecido até aqui foi que surfamos uma simples mudança estrutural de país.

Há quatro anos, nós éramos o país do desespero com o caos fiscal que pouco a pouco nos engolia, da recessão econômica profunda, do juro real de 7 por cento…

E, mesmo estando no fundo do poço, ainda havia o risco de cairmos no alçapão — frase famosa do "príncipe do condado", Luis Stuhlberger, em uma entrevista inesquecível em 2016.

Hoje, a situação é bem diferente. Temos um governo que possui algum fôlego fiscal, uma economia em trajetória de recuperação e um juro real longo de 3,5 por cento.

Essa simples mudança reduziu de forma expressiva o custo de capital de TODAS as empresas, sem exceção.

O que vimos até aqui me parece ter sido isso: uma simples, intensa e irrestrita expansão de múltiplo, capitaneada pela queda de juros, que empurrou a bolsa.

Fonte: Bloomberg

Fonte: Bloomberg

E, como não poderia deixar de ser, ajudou a todo mundo. Atuou como um vento que empurrava o barco a vela a se desenvolver em uma velocidade maior.  

E, quando o sopro começou a perder força, no final de 2019, o motor internacional deu aquele empurrãozinho final para seguirmos nossa trajetória ascendente.

Então, mesmo o Ibovespa subindo forte ano passado, não fomos os únicos. Mundo afora as bolsas também subiram forte pelo propulsor do juro baixo.

Fonte: Bloomberg

Fonte: Bloomberg

Agora, não me entenda mal.

Eu acredito no stock picking e, de fato, vimos como algumas histórias específicas de empresas fizeram diferença na valorização — a querida PetroRIo do Bruce é um grande exemplo disso, assim como Via Varejo do Ricardo.

Porém, olhando o índice, esse não foi o maior denominador global. A queda do juro e as altas das bolsas globais foram.

Então, antes de brindar a vossa genialidade, pense nisso.

Na minha visão, o jogo começa agora.

As várias faces do Ibovespa

Confessemos: o Ibovespa a 18x P/L não é exatamente uma pechincha.

Eu sei e você também sabe. A margem de segurança hoje não é mais a mesma e vejo o sofrimento do Bruce e do Ricardo para procurar boas oportunidades a preços que façam sentido.

No fundo, é um reflexo de todo esse processo que descrevemos até aqui.

Porém, não podemos esquecer algo muito importante: o Ibovespa é uma MÉDIA deuma cesta de 69 ações.

Olhar o índice como um todo pode lhe dar uma impressão errada. Dentro desse punhado de ações, nós temos uma gigantesca variabilidade de grupos.

Em 2019, por exemplo, apesar da bolsa ter subido no consolidado 30 por cento, houve de tudo.

Segmentos queridinhos que subiram mais do que isso, outros em linha e alguns que ficaram para trás.

Em outras palavras, existem várias faces do mesmo Ibovespa.

Fonte: Economatica e NordResearch

Fonte: Economatica e NordResearch

Existe o Ibovespa do setor de Consumo, esse um tanto quanto caro por negociar acima dos 30x P/L. Chegou a bater 140 mil pontos em meados de janeiro na euforia que finalmente havia chegado a tão sonhada fase de recuperação acelerada da economia.  

Porém, com os dados recentes mais decepcionantes da economia, novamente foi jogado um balde de água fria nas expectativas e o grupo cedeu até os 120 mil.

Temos a bolsa das Commodities, essa mais em linha com o Ibovespa (19,5x P/L). Apesar de ter sofrido com o caos do cenário internacional e o medo de recessão global do ano passado, se recuperou bem no fim do ano com o apaziguamento da trade war e atingiu o pico de 110 mil antes de ser assolada pelo temor do Coronavírus.

Por fim, ainda temos Ibovespa do setor financeiro e onde estão essencialmente os bancos.

Esse é o que ficou mais esquecido na bolsa, passando o ano todo próximo aos 90 mil pontos e negociando a 16x P/L. Várias coisas pesam no setor de bancos, entre elas o juro baixo, o aumento recente de alíquota do CSLL e a tão temida competição com a fintechs.

Ou seja, veja que existem várias bolsas dentro do Ibovespa. As caras, as não tão caras assim e as baratas — necessariamente nessa ordem.

Aqui, a lição que fica é a seguinte: daqui para frente, sem todo esse vento de cauda que nos trouxe até aqui, cada vez mais será importante saber em qual dessas bolsas você quer estar.

E, dentro de cada uma delas, quais barcos serão os mais promissores e quais serão os desfavoráveis que ficarão pelo caminho.

Daqui em diante acabou a molezinha. Daqui em diante, separamos os homens dos meninos.

Saiba escolher os barcos certos

O jogo começa agora. Sem espaço para comprar qualquer ação, auferir grandes lucros e se achar um gênio sem ao menos saber porque ganhou dinheiro.

Até aqui, talvez o stock picking não tenha mostrado todo o seu poder.

Porém, olhando para frente, sem todo o vento nos ajudando, cada vez mais ele será o definidor entre vencer e perder na bolsa.

Por isso, do meu lado, acredito que a experiência e a diligência nos processos de investimento que eu vejo em nossos gestores escolhidos no Nord Fundos ainda mostrará seu verdadeiro valor.

Agora, se você for velejar sozinho na bolsa, tenha cuidado. Lembre-se sempre que vale aquela máxima: mar calmo nunca fez bom marinheiro.

Sendo assim, não estufe o peito de confiança. Mantenha os pés no chão.

E, se estiver receoso de enfrentar tudo isso sozinho, você sempre pode pedir para integrar o time do Bruce no Investidor de Valor e do Ricardo no Nord Dividendos.

Ao lado deles, certamente, ao final dessa regata você estará no pódio.

Um abraço

Postado originalmente por: Nord Research

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