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NORD Research

Finanças: A diferença entre Xadrez e Pôquer

Postado em 09/08/2020 11:00

Uma infância de xadrez

Em meio a este domingo de dia dos pais, não há como não lembrar do meu avô. Com a chegada desta data, recordo-me das épocas onde jogávamos pequenas partidas de xadrez.

Não eram muitas, é verdade, mas guardo na memória cada uma delas. As partidas aconteciam em um clube em São Paulo, onde passávamos os finais de semana.

Lembro até mesmo o detalhe das salas, sempre escuras, com o chão todo em formato de tabuleiro e cheio de mesas com as peças para iniciar um novo jogo.

Nós jogávamos, mas eu nunca fui capaz de ganhar dele. Ele era inteligentíssimo, tinha anos de experiência e sempre dava um jeito de virar o jogo.

E, mesmo nas vezes em que eu me enchia de orgulho por ganhar, descobria algum tempo depois que ele havia deixado por dó  amor de avô, não é mesmo?

Eu nunca entendi porque ele era tão imbatível. Como eu não poderia ganhar uma única partida do meu velho? Não fazia o menor sentido…

Alguns anos depois, lendo um livro, eu compreendi tudo. Xadrez é um jogo onde não há informação oculta, ou seja, todas as peças estão ali para ambos verem.

Também não há efeitos aleatórios, como as peças desaparecerem (ou aparecerem) em lugares inesperados do tabuleiro.  

Não tem surpresas. Tudo é friamente calculado, o que faz deste um jogo onde sorte pouco importa.

No xadrez, se jogado corretamente, vencerá o jogador mais habilidoso  o que geralmente vem com a experiência. Eu poderia jogador contra o meu avô ou contra Garry Kasparov (russo campeão mundial do esporte) que o resultado seria o mesmo: uma derrota absoluta.

Curiosamente, muita gente ainda acha que investimento é isso, um jogo de habilidade. Na verdade, atuar no mercado é muito mais parecido com um jogo de poker.

Investimentos e Pôquer

Pôquer eu nunca aprendi a jogar. Talvez seja pelo fato de que eu nunca me dediquei a isso.

Ainda assim, acredito que seja um jogo fascinante. Diferentemente do xadrez, pôquer é um jogo de informação incompleta na qual você toma decisões com base em incerteza.

Por exemplo, você nunca sabe quais as cartas do seu oponente e não tem ideia de quais estão em cima da mesa. Também não sabe como os participantes vão reagir a cada nova informação revelada pelo dealer (quem distribui as cartas).

Saber alguma dessas informações seria muito útil e certamente ajudaria a ganhar aquela partida. Entretanto, essas variáveis estão fora do seu controle.

Investir segue o mesmo princípio. Como investidores, estamos nesse jogo de forma infinita.  A todo momento tomamos decisões sem saber todas as informações e com base em muita incerteza.

Por exemplo, não sabemos (com certeza) se virá uma segunda onda de infectados. Ao mesmo tempo, é virtualmente impossível compreender hoje quais serão os efeitos dos experimentos de juro negativo no mundo.

Também não é possível saber se o governo brasileiro em algum momento  cederá ao populismo e abandonará a âncora fiscal.

Há muita coisa que não sabemos. Se soubéssemos de antemão algum destes itens, poderíamos promover hedges ou reduzir posições para aumentar o caixa.

Enfim, seria de grande ajuda ter conhecimento disso. Ainda assim, mesmo em um mundo tão incerto quanto dos investimentos, nós precisamos tomar decisões sobre as nossas carteiras.

A minha forma de lidar com isso é: abrace a incerteza, mas da maneira certa.

Um jogo de probabilidades

Além das características que eu já citei, pôquer e investimentos ainda dividem uma última semelhança: a presença de sorte.

O analista Rafael Ragazi já comentou sobre isso na newsletter de sexta-feira (07), então pretendo não me alongar aqui.

Imagine que, em um torneio, dois jogadores estão à mesa. Antes do dealer dar a última rodada de cartas aos participantes, se olhassem todas as possibilidades de resultado, chegaríamos à conclusão de que o indivíduo A tem 67 por cento de chance de ganhar e o outro 33 por cento.

O clima estava apreensivo e favorecia certamente um dos lados. Entretanto, na virada da última carta, o jogador B sai como vencedor. Ele vibra, comemora forte e puxa a pilha de fichas em sua direção…

Isso é a presença da sorte, não habilidade. O que faz sentido em um jogo como este. Ainda assim, não foi uma boa jogada.

Contar somente com a sorte pode ser mortal. Para você entender melhor, vamos simular a repetição da jogada anterior outras 1000 vezes cada jogador começando com um montante de 10 mil reais.

Suponhamos também que, em cada rodada, o vencedor entrega ao perdedor 500 reais. O resultado seria o seguinte:

                                        Fonte: Nord Research

Aqui temos um insight interessante. Veja que, mesmo que o jogador B tenha ganhado 330 vezes, se repetida aquela jogada por tempo suficiente, ele acaba indo para a ruína.

Independentemente do resultado daquela partida, o processo estava errado. A jogada foi ruim, mas com um resultado positivo.

Bons jogadores de pôquer (e tomadores de decisão) não fazem isso. Eles tem o conforto de viver em um mundo incerto e imprevisível.

Eles abraçam a incerteza e, ao invés de quererem estar certos o tempo todo, eles procuram meios de assegurar que o processo decisório está correto e se posicionam da melhor forma possível baseados nas informações disponíveis — colocando as probabilidades ao seu lado.

É verdade que, eventualmente, eles vão perder uma rodada ou outra. Ainda assim, olhando a longo prazo, é o que define os campeões do jogo.

Aproveite as assimetrias

Pois é, investidores têm muito a aprender com jogadores de pôquer. O mundo dos investimentos segue exatamente a mesma linha de raciocínio.

Além de procurar bons ativos, investir bem também é procurar ter uma estratégia bem definida e estar posicionado onde a assimetria de resultados está ao seu favor.

É aproveitar os momentos onde a margem de segurança é grande para ser agressivo, bem como ser cauteloso quando a mesma fica pequena.

Isso é bastante importante. Se você ficar investindo baseado em sorte, eventualmente sairá do jogo. Em investimentos, não há espaço para torcida organizada.

Pessoalmente, eu tento aprender sempre. Principalmente com meus erros, mesmo que o resultado deles tenha sido de mais dinheiro no bolso  fruto da bela sorte.

Sempre temos coisas para aprender, isso é um fato. Quem me acompanha no Nord Fundos sabe o quanto eu insisto em buscar maneiras de estar sempre melhorando a nossa carteira, melhorando meu processo decisório. Isso para que, se caso errarmos, que seja fruto da falta de sorte, nunca de erros de processo.

Com essa postura, no longo prazo, seremos melhores.

E em tempos de tantos falsos heróis e investidores de performances irretocáveis (pelo menos nas redes sociais), convido você a assistir ao vídeo de Desabafo do Ricardo. Ele escancara muitas das hipocrisias do mercado financeiro. Vale a pena.  

Um abraço,

Postado originalmente por: Nord Research

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Autor do blog: Nord Research

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