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Blog do Leo Lasmar – Libertadores vai atrasar mais que o esperado e a culpa é do Brasil

Postado em 11/05/2020 14:04

País com mais equipes – sete – na Copa Libertadores da América, o Brasil é o maior empecilho para a retomada da principal competição do futebol sul-americano. Com a expansão da pandemia do coronavírus por seu imenso território, marcado por gritantes diferenças climáticas, geográficas e econômicas, o Brasil lida com cenários distintos e incertos.

Embora esportivamente seja apenas um país, as condições econômicas e sanitárias de cada região representam um gigantesco desafio de logística. Apenas duas regiões brasileiras estão envolvidas na disputa da Libertadores em 2020: Sul e Sudeste. Uma delas, a Sudeste, é o epicentro da pandemia em solo brasileiro. Justamente a que reúne quatro das sete equipes que disputam a competição.

A situação atual na região Sul é bastante mais tranquila. Quando escrevo este texto, no dia 11 de maio de 2020, o estado do Paraná (Athletico) contabiliza 1.835 casos e 109 mortes. Os dados do Rio Grande do Sul (Grêmio e Inter) apontam 2.542 casos e 97 mortes. São Paulo (Santos, São Paulo e Palmeiras) tem 45.444 casos e 3.709 mortes, e o Rio (Flamengo) contabiliza 17.062 casos e 1.714 mortes. O Brasil tem mais casos de covid-19 do que todos os países da América do Sul somados. Dados oficiais, que não alcançam a situação real, que envolve uma subnotificação gigantesca.

Números alarmantes e assustadores, sem dúvida.

Cada região tem lidado de forma diferente com a pandemia. Assim com cada país sul-americano tem uma situação particular. O Brasil adotou medidas de contenção consideradas brandas se comparadas às dos demais países do continente. Em alguns houve toque de recolher, multas pesadas, obrigatoriedade do uso de máscara, fechamento de fronteiras. Na Colômbia, por exemplo, algumas cidades restringem a saída de pessoas de casa a somente uma vez por semana. A multa é de cerca de R$ 1,2 mil. O Paraguai adotou as medidas de distanciamento social quando o país contabilizava apenas dois casos.

A Argentina tem seis equipes na Libertadores e uma situação epidemiológica muito diferente da brasileira. São 6.008 casos confirmados e 305 mortes. A região metropolitana de Buenos Aires concentra 86% dos casos e a maioria dos times que estão na competição continental. O governo argentino proibiu voos comerciais até o dia 1º de setembro. Os caminhoneiros brasileiros que levam produtos para o país vizinho estão sendo obrigados a dormir dias dentro de seus veículos, do lado brasileiro da fronteira, porque as autoridades sanitárias argentinas impedem que eles desembarquem. Somente os produtos são entregues.

Os demais países contam com quatro times cada na composição da Libertadores. Mas realidades distintas no que se refere à crise.

Com quatro equipes no torneio, o Uruguai, com uma população menor que a maioria das metrópoles brasileiras, vive uma situação tranquila em termos de pandemia. São 707 casos e apenas 19 mortes.

O Chile soma 28.866 casos e 312 mortes. Colômbia, 11.063 casos e 463 mortes.

Dados que mostram que a situação mais grave é a brasileira.

E isso que provocou reação preocupada dos países vizinhos, principalmente daqueles com quem o Brasil faz fronteira – apenas Chile e Equador não têm fronteira com o Brasil na América do Sul. No Paraguai, que tem 713 casos e 10 mortes registradas, estão cavando trincheiras na tentativa de impedir a entrada de brasileiros que tentam adentrar o país sem passar pelos postos de controle. Os presidentes de Argentina e Paraguai disseram que o Brasil representa um risco para os demais países da região.

Apenas dois dos grupos da Libertadores não contam com equipes brasileiras. É um quebra-cabeças cuja solução passa necessariamente pelo controle da pandemia no Brasil.

Podemos imaginar alguns cenários. No mais otimista, que a pandemia na América do Sul esteja razoavelmente controlada e com mais curados que novos casos por volta de setembro. Fronteiras reabertas. A situação dos voos internacionais, que podem sofrer redução de 80% no mundo em 2020, não facilitaria o deslocamento. Para jogar em Curitiba e Porto Alegre, boa parte das equipes sul-americanas precisaria, necessariamente, passar por São Paulo ou Rio. Alguns clubes talvez possam fretar voos e ir diretamente aos locais dos jogos. Poucos podem ter essa alternativa, dada a fragilidade econômica da maioria das equipes. Para os brasileiros que participam da Libertadores o deslocamento para Argentina e Uruguai é bastante tranquilo e viável no modelo de voo fretado.

A situação complica quando envolve países mais distantes.

Isso sob o nosso ponto de vista.

Mas o que pensam os clubes de países vizinhos?

Infelizmente, hoje somos alvo de desconfiança. Justificada. Afinal, com um território que abrange 48% da América do Sul e vastas fronteiras desprotegidas, o país é um potencial propagador do coronavírus pelo continente e deve ser o que mais tempo vai levar para retomar a normalidade. Ou adotar o novo normal.

São situações que precisam ser estudadas e deverão contar com o auxílio político, logístico e financeiro da Confederação Sul-americana de Futebol para serem solucionadas. Hoje é impossível programar uma data para o reinício da Libertadores. Mas é preciso estudar diariamente os cenários e possibilidades para quando isso for possível.

A prioridade agora é o controle da pandemia, a preservação da vida e dos sistemas de saúde dos países. O futebol pode esperar mais um pouco para voltar com segurança.

Por Maurício Noriega

 

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