Blog do João Cenzi

O ELEITORADO DIVINOPOLITANO É ESQUERDISTA, DIREITISTA OU CENTRISTA?

Postado em 07/12/2019 15:43

Segundo a Wikipédia, os termos “esquerda” e “direita” apareceram durante a Revolução Francesa, de 1789, e o subsequente Império de Napoleão Bonaparte, quando os membros da Assembleia Nacional se dividiam em partidários do rei à direita do presidente e simpatizantes da revolução à sua esquerda.

Após a queda do muro de Berlim, os partidos de “direita” e “esquerda” sofreram mutações conceituais. O que era bastante claro num mundo polarizado – de uma lado o modelo liberal/democrático/capitalista americano, e do outro o modelo social/autoritário/comunista soviético – passou a ficar confuso após a queda do muro e do fim da União Soviética. Muitos “esquerdistas” migraram para concepções mais democráticas e progressistas, enquanto alguns “direitistas” começaram a ser identificados como pessoas mais reacionárias. A verdade é que os rótulos “direita/esquerda” já são muito limitados para definir a diversidade política do século XXI. Responda aí rapidamente: a China é esquerdista ou direitista?

Talvez a classificação de ideário político hoje necessite a criação de um eixo perpendicular ao eixo esquerda-direita, e o posicionamento, tanto de políticos, quanto do eleitorado, em cada região, passe a ser definido como um ponto dentro desse plano quadrilátero. Observe a imagem acima.

A grosso modo, as principais diferenças entre a esquerda e a direita têm foco nos direitos dos indivíduos e o papel do governo. Já os termos liberal e conservador são utilizados na definição das pautas, econômicas e sociais, apoiadas.

A esquerda deseja uma sociedade com o governo tendo um maior papel, garantindo direitos comunitários e promovendo a igualdade entre todos. Por sua vez, a direita acredita que a sociedade progride quando os direitos individuais e as liberdades civis têm prioridade, e o poder do governo é minimizado.

Enquanto os liberais possuem uma visão mais progressista e a favor de mudanças, os conservadores possuem uma visão mais tradicional da ordem social existente.

Pronto! Embananou tudo de novo, mesmo acrescentando um novo eixo e transformando o espectro político em um plano ao invés de uma linha.

Nota-se, então, que mesmo as definições têm profundas influências regionais. O que pode caracterizar um conservador de carteirinha na Arábia Saudita, pode ser bastante diferente do conservador alemão e do brasileiro.

No entanto, se considerarmos esses regionalismos e acrescentarmos ao plano do espectro ideológico diversas gradações do que venha a caracterizar Esquerda, Direita, Liberal e Conservador, poderemos montar um painel que nos permita até mesmo calcular matematicamente o posicionamento de uma comunidade inteira, ou de partes dela.

É nesse aspecto a pergunta do título deste texto. Os pré-candidatos a prefeito e vereador de Divinópolis saberiam posicionar com alguma clareza a tendência de nosso eleitorado? Alguns deles estão realmente preocupados em entender o eleitorado, ou acreditam que seu gogó é que fará a diferença nas urnas? As atividades do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal, dos procuradores e investigadores da Lava Jato, ou seja, os raios que orbitam Brasília, terão influência significativa, lateral ou nenhuma nas eleições municipais?

Muitas outras questões precisam ser analisadas. A avaliação da atual Administração Municipal é boa ou ruim? O eleitorado prefere uma recondução do prefeito, um outro candidato aliado a ele ou um que lhe faça oposição? O partido político do candidato terá influência na sua aceitação pelo eleitor? Quais são os reais problemas da cidade na ótica do eleitor? Quais são as ações que o eleitorado realmente acredita que sejam necessárias na cidade?

Confesso que não acompanho de perto os movimentos políticos de Divinópolis, portanto não sou um comentarista tão confiável, mas, mesmo assim, pelo pouco que observei até agora, ouso dizer que não vislumbrei debates sérios sobre esses pontos. Aparentemente todos estão cientes de que as eleições de 2020 serão bem diferentes das anteriores, mas não tenho visto posicionamentos igualmente diferenciados nos poucos pré-candidatos de que tenho conhecimento.

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Autor do blog: João Batista Cenzi

Blog do João Batista Cenzi. Analista político, administrador de empresas e, atualmente, diretor do Instituto de Pesquisas Censuk, João Cenzi é nome presente, há anos, como comentarista político na TV Candidés. No Portal MPA, o Blog do João Cenzi traz as análises pontuais sobre a política brasileira. Sempre com seus traços marcantes: objetividade e sinceridade. Nascido em São João da Vista-SP, Cenzi tornou-se divinopolitano de coração desde a década de 70, pois aqui no Centro-Oeste foi onde constituiu lar, família e empresa. Sua presença também é rotineira nas ondas da Minas FM 104,1.

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