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(con)vivendo com a mente

Como a saúde mental é retratada em séries

Postado em 19/10/2021 12:00

Assim como em filmes, a saúde mental também é retratada nas séries. Geralmente, por serem vários episódios, as séries dispõem de mais tempo para o desenvolvimento do enredo. Por isso, conseguem abordar mais profundamente a evolução dos personagens e mostrar mais de um tipo de transtorno mental. Algumas séries buscam, inclusive, retratar com muita frequência sessões de terapia dos personagens, mostrando como é a relação deles com o psicólogo e como esse tipo de tratamento influencia a vida dos pacientes.

Atypical, eu acredito que seja o melhor exemplo de como retratar um transtorno mental de forma responsável, leve e muito bem desenvolvida. Sam é o personagem principal e possui Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ao longo dos episódios vemos como ele se relaciona com as pessoas, as dificuldades que ele encontra por ter o transtorno e o seu próprio crescimento, a importância do auxílio da família, dos amigos e principalmente da sua psicóloga. O TEA não é o foco da série e sim como Sam consegue superar os obstáculos do transtorno e da sua vida, considerando que ele deseja ser um “adolescente normal”. José Roberto Lopes, psicólogo clínico, faz uma análise da série nesse post.

Spin Out é outra série que considero importantíssima quando se trata de saúde mental. Uma patinadora do gelo chamada Kate é diagnosticada com Transtorno Bipolar, assim como sua mãe. No entanto, a aceitação do diagnóstico é de forma totalmente diferente. Na série é abordada a necessidade de acompanhamento psicológico e, inclusive, associado ao tratamento medicamentoso. Assim como em Atypical, Spin Out não coloca a saúde mental como único foco, mas sim o desenvolvimento dos personagens e a relação conturbada quando não se aceita o quadro psicológico. Raquel Tezelli, também psicóloga, comenta sobre ela nesse post.

Lúcifer mostra a questão da terapia como um processo de autoconhecimento e de evolução ao longo das temporadas, mas de forma bem humorada, o que torna o assunto muito leve e tranquilo. Grey’s Anatomy, famosa série médica, mostra vários dos personagens precisando de ajuda para superar traumas de diversos tipos, sejam eles da infância, de eventos catastróficos e de relações entre os personagens. Sex Education trata a terapia no sentido da educação sexual com os personagens estando no auge do descobrimento da sexualidade e sem amparo para solucionar dúvidas. Até que Otis, o personagem principal que tem sua mãe como terapeuta sexual, decide criar uma “clínica” no colégio para ajudar os colegas.

Na minha lista para assistir tem ainda a série This is Us. A revista Rolling Stone cita a série que aborda a saúde mental de maneira bastante responsável. Nem todas conseguem abordar o tema dessa forma e sofrem críticas fortíssimas por isso. 13 Reasons Why, ou Os Treze Porquês, deve ser a primeira a ser mencionada nesse caso. No início da temporada é contada a história de Hannah Baker, uma adolescente que sofreu bullying, assédio e estupro o que a fez gravar 13 fitas responsabilizando cada pessoa por alguma atitude que a levou a tirar a própria vida. Apesar de trazer o assunto saúde mental de forma clara e evidente, a série representou Hannah como se não houvesse outra saída, apesar de ser possível buscar ajuda especializada. Além disso, as cenas de violência sexual e a própria cena do suicídio são totalmente explícitas, sendo considerados gatilhos fortíssimos e até mostrando formas de “fazer o mesmo” que Hannah, como mostra o estudo noticiado pelo G1 nesse link.

As séries têm se tornado fortes aliadas na desconstrução de tabus, e não poderia ser diferente com saúde mental. Mas precisamos tomar cuidado com os gatilhos. O que eu faço frequentemente é pesquisar antes de assistir. Observo os avisos que aparecem antes dos episódios e pergunto a pessoas que já assistiram, como são retratadas as cenas com possíveis gatilhos, para me preparar e avaliar se eu consigo assistir ou não. Tem funcionado pra mim e espero que possa ajudar você também!

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Autor do blog: Júlia Nogueira

Sou a Júlia Nogueira, tenho 24 anos e fui diagnosticada com ansiedade e depressão há alguns anos. Neste blog, pretendo compartilhar artigos com um pouco do que aprendi e aprendo todos os dias, para ajudar e acolher quem passa por dificuldades semelhantes. É importantíssimo lembrar que você nunca está sozinho, que você faz a diferença e que é possível conseguir ajuda!

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