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Blog do Leo Lasmar

Blog do Leo Lasmar – Cruzeiro não decola. A culpa é do piloto ou do avião?

Postado em 03/04/2021 13:14

Amigos, assisti a coletiva do Felipe Conceição antes de ter visto o jogo contra o Tombense na íntegra. Estava na transmissão do jogo do Atlético, quase simultâneo, e consegui ver só o primeiro tempo ao vivo. O segundo, vi no dia seguinte, em casa, já depois de ter ouvido a coletiva e os elogios do treinador do Cruzeiro, exaltando a evolução (!!!) do time depois de mais um tropeço, que só não foi pior porque Fábio pegou um pênalti.

Procurei a evolução no jogo, com boa vontade, e não achei. Sinceramente, não achei. Aí cheguei a conclusão que precisava escrever aqui sobre esse Cruzeiro que não se encontra na temporada. Parei diante da tela em branco por uns minutos, sem saber direito por onde começar. E imaginei que Felipe deve estar vivendo exatamente isso a cada treino e jogo com esse elenco, fazendo suas várias mudanças na escalação em busca de um rumo, de um assunto, de uma sequência de vitórias.

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Não sejamos injustos. Felipe não parte do nada. Uma ideia de jogo é clara, um sistema tático já está definido, na estrutura de 4-3-3, que vira 4-1-4-1 sem bola. A ideia de ter a posse, de trabalhá-la desde trás, de se aproximar mais do DNA ofensivo do clube mesmo que isso custe romper com o estilo de jogo de Felipão, que funcionou razoavelmente para a Série B. Corajoso. Isso está posto e tem sido repetido, mesmo com todo o problema de execução visível nos jogos.

O grande problema passa pela escolha das peças. Não há um time base, embora existam alguns titulares absolutos já definidos na defesa. O ataque já teve centroavante fixo e Sobis como falso nove. Nas pontas, já vimos jogador destro e canhoto atuando na direita e na esquerda.

Velocista, jogador de um contra um, segundo atacante aberto. O armador já foi Marcinho, Claudinho e até Ruschel. Na esquerda, Matheus Pereira já apareceu e o primeiro homem de meio já foi Matheus Neris e agora é Adriano. Sem padrão, sem repetição de escalação, sem convicção.

Aí a gente pensa em duas coisas: será que não é a hora de Felipe mudar a origem? Mudar a ideia de jogo? Mudar a formação? Tentar elaborar uma ideia de time mais condizente com os jogadores que tem?

Um 4-4-2 com Sobis e Moreno, um 4-2-3-1? A ideia atual de Felipe cabe no atual elenco do Cruzeiro? Matheus Barbosa, usado como segundo volante, não viveu no Cuiabá sua melhor fase atuando por ali. Marcinho era meia-armador em um 4-2-3-1 bem montado do Sampaio Corrêa na Série B.

Adriano, hoje primeiro homem de meio, jogou bem com Felipão em um sistema em que tinha a ajuda mais clara de Jadsom Silva e dois volantes em vez de um. Talvez as características dos jogadores disponíveis para Felipe o forcem, de alguma forma, a modificar o jeito de jogar. Talvez ele tenha que ceder.

Por outro lado, será que as peças tem desempenhado o que podem? Considerado a solução pra lateral esquerda do Cruzeiro, Alan Ruschel tem pelo menos três jogos ruins nesse início de trabalho, contra Uberlândia, América (como meio-campista) e agora contra o Tombense, com direito a expulsão boba. Não está 100% fisicamente e nunca completa os 90 minutos em campo.

Marcinho está em posição diferente, mas será que se esforça o necessário para se adaptar a esse papel de terceiro homem de meio, de composição de segunda linha de marcação? Será que está fazendo o possível no trabalho do dia a dia para assimilar isso e atender ao que o treinador lhe pede?

Rafael Sobis, curiosamente, também deve nesse início. De peça-chave no time de Felipão, reativo, que enfrentava um nível até superior de adversários na Série B 2020, para um centroavante com posição bastante ameaçada hoje por Marcelo Moreno, sem gols na temporada e com atuações bem abaixo do que entregava na temporada anterior. Isso, mesmo em um time que deseja circular a bola e prendê-la lá na frente, habitat de Sobis.

Dá pra falar também de William Pottker, de quem nem exigimos o nível avassalador da Ponte Preta, mas que mesmo no Inter em 2017 jogou mais bola, ou Aírton, que parece em clara crise de confiança em meio a disputa por posição no ataque do Cruzeiro, agora com mais opções no nível dele. É muita gente abaixo. E isso, não podemos cobrar só do Felipe.

Felipe Conceição já passou pela pressão de treinar um grande clube em início de temporada, reformular o time e sofrer. Experiência no Botafogo em 2018, clube que conhecia bem por ter sido atleta e treinador nas divisões de base.

Eliminado da Copa do Brasil no início, depois tomou uma pancada em um clássico decisivo contra o Flamengo e perdeu o emprego em fevereiro, com apenas sete jogos, mesmo número que tem no Cruzeiro atualmente. É um cenário que conhece, que sabe da pressão que carrega e que tenta não repetir.

Cruzeirense, quando estiver abrindo o seu ovo de Páscoa no domingo e ligando a TV para ver o jogo do Cruzeiro, que é as 11 horas, pouco depois da passagem do Coelhinho na sua casa, saiba que estará começando também uma semana chave para Felipe, para o Cruzeiro e para os jogadores.

Consequentemente, para o projeto de reconstrução. É semana que vai culminar no clássico no dia 11, com o jogo contra o Coimbra no meio de semana, pouco tempo pra treino e pressão para entrar no G4 antes de entrar em campo no Mineirão contra o Atlético.

Para repetir a insuficiente campanha do ano passado, que tirou o Cruzeiro na primeira fase do Estadual com 20 pontos, o time (que tem oito pontos) já precisa de quatro vitórias nos cinco jogos que restam. Pode se classificar com menos que 20 pontos?

Pode, e tudo indica que esse ano, o ponto de corte pra semifinal baixará. Mas o mais importante, que vai até além da classificação, é achar um caminho para que se tenha uma escalação ideal, um jeito de jogar, e que se saiba claramente as carências do elenco pensando no Brasileiro, esse sim, a prioridade. Boa sorte nessa semana, Felipe.

Por Henrique Fernandes – GE

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No blog do Leo Lasmar você ficará por dentro do que está acontecendo no futebol brasileiro e do mundo, principalmente dos times mineiros: Atlético e Cruzeiro, sem esquecer, claro, do nosso Guarani de Divinópolis.

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