Barcelona das Américas

Por Rodrigo Pereira

O ano de 2011 é estranho para o Cruzeiro, começa muito bem com um futebol bonito bem jogado. Goleadas na primeira fase do campeonato mineiro, números e jogos consistente no grupo sete da copa libertadores. Um início de temporada fantástico, o time é elogiado por treinadores rivais e impressa sul-americana. Surge uma alcunha que marcaria a jornada celeste. O apelido dado pelo então técnico Diego Aguirre, do Peñarol-URU, cai para a equipe como uma maldição “Barcelona das Américas”.

Nas oitavas da Copa Libertadores os comandados do técnico Cuca jogam fora de casa contra o Once Caldas (COL) e ganham por dois a um, conquistado uma boa vantagem no confronto. Antes da partida de volta a equipe celeste classifica-se para a final do mineiro contra o Atlético Mineiro. O segundo encontro com o selecionado colombiano é o marco de 2011, em um jogo terrível com expulsão do meia Roger o Cruzeiro perde de 2×0 e é eliminado do torneio continental, a queda precoce visivelmente abate o elenco e comissão técnica.

Nem o título mineiro frente o rival ameniza a pressão e desconfiança, resta a Montillo e cia o Campeonato Brasileiro.
Com um início muito ruim no Brasileirão Cuca deixa o comando técnico e quem assume a casinha cruzeirense é o folclórico Joel Santana, os bons resultados iniciais com o novo professor levam esperanças aos torcedores. O desempenho começa cair assim como a posição na tabela e após derrota de 4×2 para o Figueirense, Joel não é mais técnico da raposa. Assume Emerson Ávila que não tem vida longa no comando.

Do Céu ao Inferno

Nessa altura, o Cruzeiro convive com a parte de baixo da tabela e luta contra seu primeiro rebaixamento, o escolhido para dirigir o time na vaga de Ávila é Vagner Mancini. A situação do time não muda, futebol ruim sem casa definida por causa da reforma dos dois estádios em Belo Horizonte para a Copa de 2014, a equipe agoniza em campo e a torcida passa a temer o pior. Na penúltima rodada depois de um empate fora de casa contra o Ceará, a equipe celeste precisa de uma vitória contra o rival para escapar do vexame.

O dia é 04/12/2011 e como em todo ano a escalação é atípica, o time não conta com sua referência técnica o meia argentino Montillo e o goleiro titular Fábio ambos suspensos. Os onze inicias são: Rafael; Léo, Naldo e Victorino; Fabrício, Leandro Guerreiro, Charles, Roger; Diego Renan; Wellington Paulista e Anselmo Ramon. O rival livre do rebaixamento tem força máxima. O palco é a acanhada Arena do Jacaré em Sete Lagoas, com um público pagante de 18.500 pessoas.

Um jogo que não valia título, mas para os cruzeirenses o valor era a honra, e naquela tarde de domingo esses jogadores escrevam mais uma página heroica. O resultado todos conhecem, uma sonora goleada por 6×1 que de alguma forma trouxe dignidade para o fim da temporada.

Lição

O ano foi duro para o cruzeirense, vimos uma realidade que não estamos nem de perto acostumados. A goleada sobre o Alt. Mineiro foi soberba e lembramos dela até os dias de hoje. Mas a principal lição da temporada foi a de que a camisa cruzeirense pesa e não precisamos ser comparados com nenhum time do planeta.

Somos Cruzeiro, e apenas isso basta.

Rodrigo Pereira, tem 32 anos, é cruzeirense, divinopolitano, analista fiscal, e colunista no Blog do Cruzeirense, do Portal MPA.