Da ficção a realidade: Laboratorio secreto do Google tende a mudar o mundo

Postado em 17/07/2017 10:26

VÍDEO: Como o ‘laboratório secreto’ do Google cria carro autônomo, balão conectado e pipa elétrica

G1 visita o X, responsável por projetos especiais da empresa-mãe do Google. Ao custo de prejuízos milionários, laboratório tenta criar formas criativas de solucionar problemas em escala global.


Em maio deste ano, inundações afetaram a vida de 900 mil pessoas e deixaram 98 mortos no Peru. Enquanto colocava o país debaixo d’água, as enchentes deixavam os sobreviventes em um apagão digital. A solução para a falta de acesso à internet também veio do céu: balões conectaram as regiões devastadas.

A tecnologia deles foi criada pelo Projeto Loon, do “laboratório secreto do Google”, o responsável pelos carros que dirigem sozinho da Waymo e pelas pipas que geram energia elétrica da Makani. E que também coleciona refugos, como os óculos inteligentes Google Glass (lembra dele?). Outros, como o Wing, nascem com um propósito (entregas usando drones), mas se transformam para sobreviver –após chegar a ser adiado, uma parceria com a Nasa o transformou em um sistema de controle das aeronaves não tripuladas.

G1 visitou o laboratório na Califórnia, nos Estados Unidos. Chamado de Google X até 2015, a divisão de projetos especiais passou a ser uma subsidiária da Alphabet para se tornar a fábrica de apostas da empresa-mãe do Google.

‘Laboratório secreto’

O prédio dá a impressão de ser rústico (vigas que sustentam o prédio e tubulações ficam aparentes), mas detalhes da decoração lembram o que é feito ali. Salas de vidro têm nome de robôs famosos e tecnologias criadas lá estão espalhadas por todo canto. Em um salão, os visitantes se deparam com um telão enorme que, suspenso no ar, exibe imagens térmicas de quem para diante dele . Se continuam a olhar para cima, veem drones e balões pendurados no teto.

Engenheiro manobra drone dentro do X, 'laboratório secreto do Google'. (Foto: Divulgação/X)Engenheiro manobra drone dentro do X, 'laboratório secreto do Google'. (Foto: Divulgação/X)

Engenheiro manobra drone dentro do X, ‘laboratório secreto do Google’. (Foto: Divulgação/X)

Muito do que é feito no X não pode ser mostrado, porque ainda é segredo e o trabalho envolve a criação de soluções criativas.

“Para começarmos [um projeto], o mais importante é um grande problema no mundo que afete milhões e milhões de pessoas. Com os carros que se dirigem sozinhos, por exemplo, nós sabíamos que 1,2 milhão de pessoas morrem nas estradas do mundo todos os dias. Esse é um problema gigante”, afirma Courtney Hohne, porta-voz do X.

“Ou no caso do Loon. Nós sabemos que metade do mundo ainda não possui acesso à internet.”

Nascido em 2013, o projeto coloca no ar balões que transmitem sinal de internet para regiões remotas, em que a infraestrutura de telecomunicações é precária. O Loon já esteve no ar do Brasil, mas foi durante as enchentes no Peru que forneceu conexão a milhares de pessoas pela primeira vez. A parceria entre X e Telefónica cobriu áreas da capital Lima, Chinbote e Piura.

Balão do Google, iniciativa do Projeto Loon, sobrevoando região da Nova Zelândia. (Foto: Reprodução/YouTube)

Balão do Google, iniciativa do Projeto Loon, sobrevoando região da Nova Zelândia. (Foto: Reprodução/YouTube)

“Nós sabemos que, em tempos assim, conectividade básica é importante. É muito útil para as pessoas terem acesso à internet e conseguir descobrir o que fazer para se manterem seguros, o que está acontecendo em volta delas”, diz Sal Candido, engenheiro do Projeto Loon.

“O resultado disso é que lidamos com 160 Gigabytes de tráfego. Isso dá 30 milhões de mensagens pelo WhatsApp ou 8 milhões de e-mails.”

Balão do projeto Loon ainda em fase de construção no X, o 'laboratório secreto do Google'. (Foto: Divulgação/X)Balão do projeto Loon ainda em fase de construção no X, o 'laboratório secreto do Google'. (Foto: Divulgação/X)

Balão do projeto Loon ainda em fase de construção no X, o ‘laboratório secreto do Google’. (Foto: Divulgação/X)

Tecnologia de ficção científica

Um dos mandamentos do X é colocar o protótipo de uma tecnologia em teste antes de gastar milhares de dólares nela. Por isso, o primeiro balão do Loon foi feito a partir de uma caixa de isopor comprada no supermercado.

“A gente busca por uma tecnologia que rompa com padrões, algumas tecnologias estranhas que soam a ficção científica, que, caso consigamos fazer funcionar, poderiam de fato nos ajudar a resolver um problema”, diz Courtney Hohne, porta-voz do X.

“No caso dos carros autônomos, são os softwares e sensores que fazem que o carro possa se dirigir sozinho”, exemplifica.

Se os balões do Loon estão no ar para reduzir os apagões de conectividade no mundo e os carros do Waymo saem às ruas para reduzir o número de acidentes, as pipas da Makani pairam para criar uma forma sustentável de energia.

“A Makani é basicamente um avião grande, mas apenas asas e rotores. Decola como um helicóptero, voa até chegar a mil pés e começa a fazer ‘loopings’ no céu. Ela é ligada a um poste para produzir eletricidade”, diz Courtney.

“Esperamos que um dia isso possa abrir oportunidades para conseguirmos energia eólica e talvez possamos fazer essa coisa chamada de mudança climática ficar um pouco dentro do controle.”

Makani, pipa elétrica do X, 'laboratório secreto do Google', que gera energia elétrica. (Foto: Divulgação/X)

Makani, pipa elétrica do X, ‘laboratório secreto do Google’, que gera energia elétrica. (Foto: Divulgação/X)

Futuro

Apesar de as empresas nascerem com intenções nobres, Courtney ressalta que o X não é uma organização filantrópica. O objetivo é criar iniciativas que deem lucro. Mas no futuro. Os projetos da Alphabet consideradas apostas, como os criados no X, geraram receitas de US$ 244 milhões no primeiro trimestre de 2017 –no mesmo período, o Google faturou US$ 24,5 bilhões. Só que, enquanto o Google lucrou US$ 7,6 bilhões, as apostas deram prejuízo de US$ 855 milhões.

Um projeto é bem sucedido quando se torna uma subsidiária da Alphabet, vira um novo serviço do Google, recebe algum investimento de financiadores externos ou é vendido, diz Courtney.

Desse ponto de vista, outras iniciativas estão à frente de Loon, Waymo e Makani. A Verily, por exemplo, virou um braço da Alphabet. Focada em levar tecnologia para o tratamento de doenças, a empresa fez uma parceria com uma companhia da Novartis para desenvolver uma lente de contato que mede o nível de glicose de pessoas com diabetes.

Por outro lado, há ideias que empacaram, caso do Glass. Os óculos chegaram a ser colocados à venda, mas a reação do público, incomodado com a constante possibilidade de ser filmado pela câmera embutida do acessório, fez o Google congelar o projeto.

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