Mãe de Eliza Samudio entra com novo recurso contra a soltura de Bruno

Postado em 20/03/2017 16:10

Goleiro vem sendo tietado por fãs e alvo de protestos desde sua contratação pelo clube de Varginha. (Foto: Alex de Jesus/O TEMPO)

Reportagem de José Vítor Camilo em O TEMPO

Um novo recurso contra a soltura do goleiro Bruno Fernandes foi ajuizado no Supremo Tribunal Federal (STF) pela defesa da mãe de Eliza Samudio, Sônia de Fátima Moura. No Recurso de Agravo Regimental, a advogada Maria Lúcia Borges pede que o ministro Marco Aurélio Mello reveja sua decisão que colocou em liberdade o jogador, condenado a 22 anos e três meses de prisão pela Justiça mineira.

A reportagem de O TEMPO teve acesso ao recurso datado da última sexta-feira (17) e que foi feito, também, em nome de Bruninho, filho do réu com a vítima. No documento, a advogada pede ainda que, caso a decisão monocrática não seja revista por Mello, que ele coloque o mesmo em mesa, para que o colegiado de ministros examine o agravo.

“Requer-se à Vossa Excelência a reconsideração da decisão agravada; se esse não for o caso, que Vossa Excelência coloque o feito em mesa, a fim de que o órgão colegiado possa examinar o recurso de agravo e, ao final, dar-lhe provimento, reformando a decisão monocrática agravada, vez que demonstrada a impropriedade da decisão que concedeu a liminar ao paciente , determinando, por consequência, a decretação de sua prisão preventiva nos termos originalmente fixados pelo Juízo do Tribunal do Júri da Comarca de Contagem, devendo aguardar por certo o julgamento dos recursos fechado”, diz a defesa da mãe de Eliza.

O pedido que culminou na soltura de Bruno, elaborado pelo advogado Lúcio Adolfo, reclamava de uma demora de mais de três anos na segunda instância para que os recursos da defesa fossem julgados. No recurso da defesa de Sônia,  a advogada argumenta que a lentidão para a condenação em segunda instância se devia justamente por conta de manobras da própria defesa do réu.

A família de Eliza Samudio chegou a usar entrevistas concedidas por Bruno após sua soltura, destacando o trecho em que o goleiro disse que “pagou pelo o que ele fez e mesmo que tivesse prisão perpétua, não traria a vítima de volta”.

No último dia 10 de março o ministro responsável pela soltura de Bruno já havia rejeitado o recurso de Sônia que pedia a revisão da decisão de colocá-lo em liberdade. Por se tratar de uma liminar concedida por Mello, o mérito da concessão da liberdade ainda será julgado por uma das turmas do STF, com a presença de quatro ministros. Para ser mantida a liberdade, é preciso que três dos quatro magistrados concordem com a decisão liminar de Mello. Não há data para isso ocorrer.

Relembre

Preso desde julho de 2010, Bruno Fernandes foi condenado em 8 de março de 2013 pelo Plenário do Tribunal do Júri, da Comarca de Contagem, por três crimes: homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, asfixia e recurso que dificultou a defesa da vítima; sequestro e cárcere privado qualificado por ser a vítima menor de 18 anos; e ocultação de cadáver.

Bruno deixou a prisão no último dia 24 de fevereiro e, na busca por voltar a jogar futebol, fechou contrato com a equipe do Boa Esporte, da cidade de Varginha, em Minas Gerais, atualmente na Série B do Campeonato Brasileiro. A contratação gerou grande repercussão, com diversos patrocinadores retirando o apoio ao clube do Sul do Estado.

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