Imunoterapia renova chances de cura na luta contra o câncer

Postado em 13/01/2018 17:20

O tratamento contra o câncer tem evoluído cada vez mais na busca da cura dessa patologia. Uma técnica em especial foi considerada pela Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco, na sigla em inglês), em 2017, como o maior progresso contra tumores dos últimos anos: a imunoterapia.

Esse método estimula o sistema imunológico do próprio paciente, incentivando o organismo a identificar e a combater as células cancerosas. O tratamento é composto por diferentes medicamentos, que são aplicados de maneira intravenosa (nas veias) ou subcutânea (abaixo da pele).

A utilização desse tipo de procedimento contra a doença é antigo e teve seus primeiros estudos realizados ainda no século XIX. No entanto, o avanço se deu a partir da década de 1980, com o reconhecimento de receptores celulares relacionados à inibição ou ao estímulo das defesas do organismo e nas células tumorais. Desde então, a técnica vem sendo aprimorada.

“Recentemente, em pesquisas científicas, foram descobertas substâncias capazes de inibir complexos proteicos específicos, denominados receptores, na superfície das células do sistema de defesa (Linfócitos T, células dendríticas – PD-1, CTLA-4), ou das células tumorais (PDL1), com capacidade de regular a resposta imunológica”, aponta Roberto Fonseca, diretor da Oncomed-BH.

Os primeiros resultados positivos observados no uso das novas formas de imunoterapia foram constatados no tratamento de um tipo de tumor agressivo de pele, o melanoma, e pulmão. “Hoje, a indicação de tratamento tem se estendido ao câncer renal, bexiga, intestino grosso, entre outros”, destaca Fonseca.

Qualidade de vida. Composta por diferentes medicamentos, essa técnica causa menos efeitos colaterais que a quimioterapia e a radioterapia. “De modo geral, podemos afirmar que a tolerância dos pacientes à imunoterapia é melhor do que a dos tratamentos convencionais, apesar de não ser destituída de toxicidade. Certamente, tem assegurado melhoria significativa na qualidade de vida dos pacientes”, afirma Fonseca.

Para o diretor da Oncomed-BH, é possível que as novas técnicas de utilização da imunoterapia possam levar à cura de alguns pacientes. “Considerando o seu tempo de uso, não dispomos de dados suficientes para afirmar com certeza. No entanto, um número expressivo de pacientes com melanoma e câncer do pulmão tem apresentado aumento significativo da sobrevida com a utilização dessa nova forma de tratamento”.

Progresso. Ainda de acordo com Fonseca, o maior avanço no combate ao câncer na última década tem sido um reconhecimento crescente da importância das medidas preventivas primárias e secundárias.

“Durante o período de 1991 a 2015, a mortalidade por câncer nos Estados Unidos reduziu 26%, grande parte relacionado à redução do tabagismo, diagnóstico precoce e tratamento”, destaca ele.

Preço. O uso dessa técnica contra o câncer está aprovado no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No entanto, o alto custo financeiro do tratamento é um fator que dificulta o acesso para a maioria dos pacientes. “Estamos falando em algo em torno de R$ 40 mil mensais. Isso ultrapassa a linha da moral”, finaliza Fonseca.

Para quem a imunoterapia é indicada?

Câncer de pele (melanoma)

Câncer de pulmão

Câncer renal

Câncer na bexiga

Câncer no cólon

Câncer no ovário

Mesotelioma (câncer que afeta tecidos celulares localizados na região do tórax, abdômen e do testículo)

Câncer no sangue (hematológico)

 

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Fonte: JORNAL O TEMPO/ LEONARDO CUNHA

 

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Reprodução

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